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Mensagens

Que difícil é ser crescido…

Há muito entre a actual gente jovem, quem tenha questões existenciais e se consuma em dúvidas sobre quem é, para onde vai e o que o futuro lhe reserva. Pode ser impressão nossa, mas cremos que dantes, a juventude de outrora não vivia tão cheia de angústias. Agora há muito quem se disponibilize para ajudar a juventude a andar para frente de peito erguido e cabelos soltos ao vento. Ele existem psicólogos, psiquiatras, terapeutas, gente que faz “coaching” e “influencers”, todos com inúmeras ajudas e conselhos para a rapaziada arribar. Por assim ser, nós, os deste blog, também vamos seguir esse caminho e tentar ser um farol para a mocidade. No distante tempo em que éramos jovens, só havia um canal televisivo, a RTP, sendo que, com muita frequência víamos na TV filmes, muitos deles autênticos clássicos da sétima arte.  Hoje em dia, os programadores da RTP têm uma outra noção sobre o que é um serviço público de televisão, por tal razão, o canal transmite abundantemente concursos como o P...
Mensagens recentes

Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure

E se as sombras não fossem sombrias e nelas houvesse luz. Uma certa luz que desse a ver o que de invisível e essencial há nos objectos, nos corpos e em nós. Uma luz que só se mostrasse através das sombras, e que nesse mostrar-se revelasse também o que de infinito há em cada instante vivido e em tudo o que existe. E se mais do que isso, se com simples linhas e leves contornos, alguém desenhasse essas sombras e assim revelasse o reverso de tudo o que é ou foi vivido, de tudo o que existe ou existiu. Que revelasse portanto, o avesso que ultrapassa e se expande para lá dos limites temporais e físicos das coisas, das gentes e dos instantes. Em resumo, e se essas tais sombras desenhadas, fossem afinal um sinal do que de infinito há em tudo. Na verdade, uma sombra é sempre algo que se desprende e assim excede as fronteiras físicas de um corpo ou objecto, mas uma vez fixa e desenhada, ela acaba também por perdurar e desse modo extrapolar os seus limites temporais. “Caminhávamos de cabeça baixa...

O kitsch português

Ontem escrevemos sobre sombras, que são as mais discretas, leves e gentis presenças. Hoje falaremos sobre coisas kitsch, que de modo oposto, são presenças arrogantes, pedantes e emproadas. Acima fica o galo de Barcelos de Joana Vasconcelos, já a seguir, abaixo, para quem quiser ler o que escrevemos ontem, aqui fica o link:   https://ifperfilxxi.blogspot.com/2026/04/reaprender-o-saber-das-sombras-voltar.html O kitsch é frequentemente associado ao "mau gosto" , ou seja, ao gosto não educado. Muito embora o mau gosto e o kitsch não sejam exactamente a mesma coisa, são ainda assim fenómenos afins. O Kitsch é intencional, refere-se a objetos produzidos em massa que imitam estilos elevados ou clássicos de forma simplificada, exagerada e sentimental. Um traço central do kitsch é a pretensão. Ele tenta oferecer uma "beleza instantânea" que permita ao espectador ou consumidor sentir que tem acesso a algo de erudito sem o esforço mental que a arte e o belo exigem. ...

Reaprender o saber das sombras, voltar a ver os pirilampos

A imagem acima é da autoria de Lourdes Castro, que um dia disse o seguinte: “A sombra pertence ao mundo real, não é uma fantasia; existe, nós é que a não vemos ou não lhe damos importância e por isso somos mais pobres”. E depois de uns dias de sol, que quase eram de Verão, eis que regressa um tempo mais pardacento, uma luz novamente acinzentada e as nuvens escuras feitas de longas sombras. Por nós está muito bem assim, que nesse contexto somos como o escritor japonês Jun'ichirō Tanizaki, que um dia escreveu “O elogio da sombra” . Tanizaki defende que a beleza japonesa não reside nos objectos em si, mas no jogo de sombras e na subtileza da luz. Enquanto o Ocidente procura iluminar tudo e eliminar a escuridão, o Japão tradicional encontra elegância no que está na sombra. O autor critica a luz eléctrica forte e os materiais brilhantes, preferindo a textura da madeira, do papel washi e o brilho baço da laca e do ouro na penumbra. Valoriza também o "brilho da sujidade...

Cristos há muitos, verdes e amarelos, geométricos e cadavéricos e até Superstar`s.

  Nós por aqui não gostamos muito de certezas absolutas e assertividades, gostamos antes de ver as coisas por diversos ângulos e de nos debruçarmos sobre nuances. Sendo hoje Páscoa, vamos falar disto e de Cristo, pois claro. Há quem tenha uma fé cega e acredite piamente na literalidade da mensagem de Cristo, não é esse o nosso caso, pois cremos que o sentido da mensagem divina depende de quem a diz, escreve, musica ou pinta. Assim sendo, em nosso entender, o significado da vida de Cristo e até a sua própria figura, são diferentes conforme o contexto. Para provarmos este nosso ponto, vamos fazer uma viagem pela História da Arte. Pensemos por exemplo no pintor francês Paul Gauguin (1848-1903). Durante uns anos, o homem andou pelas regiões rurais da Bretanha e em 1886 teve a visão de um Cristo amarelo. Uns três anos mais tarde após ter pintado o Cristo amarelo, mais concretamente em 1889, e enquanto continuava a deambular pelas mesmas terras bretãs, Gauguin teve uma nova visão de C...