Uma das coisas de que mais gostamos é de pegar em premissas estabelecidas, em frases feitas, em ideias pré-concebidas, em dogmas e certezas e depois dar-lhes a volta, ou seja, transtorná-las, abaná-las, desgastá-las e sujá-las. O mesmo é dizer que não apreciamos verdades indubitáveis, dessas escritas na dura pedra, preferimos antes verdades irregulares, tais quais como essas pedras incertas que atravessam o tempo no jardim do templo de Ryoanji em Quioto, no Japão. Há muito quem adore ter rectas crenças, limpas, puras e duras, seja lá qual for o assunto em questão, mas gostando nós de achavascar, fazer oscilar e tremer certezas, hoje em dia deparamo-nos não raras vezes com a quase impossibilidade de o conseguirmos efectuar. O problema resume-se do seguinte modo: quem é dado a infalíveis certezas, mesmo que as veja sujas, abaladas e abanadas, ainda assim, refugia-se em certos clichés contemporâneos, que lhe permitem não sair do mesmo exacto sítio. Ponhamos um exemplo, quando alguém após ...
A imagem acima é do pintor chinês Du Jin que esteve activo entre 1465 e 1509. É uma pintura da Dinastia Ming e nela vemos um grupo de mulheres a jogar à bola, actividade que era muito popular entre as cortesãs. É uma imagem que nos demonstra que a bola não é tão-somente um assunto de homens, isto ainda que ao longo deste texto falemos do futebol como um terreno propício ao desenvolvimento da identidade masculina. Continuamos portanto hoje a dedicarmo-nos ao futebol, o mesmo é dizer, a grandes emoções e a vastas reflexões artísticas e literárias. Para quem não nos leu ontem e perdeu a 1ª parte deste desafio, aqui fica o link: https://ifperfilxxi.blogspot.com/2026/06/o-futebol-nao-e-uma-questao-de-vida-ou.html Ontem, a propósito de futebol, citámos autores como o multifacetado Pier Paolo Pasolini, o poeta italiano Stefano Benni ou o grande romancista espanhol Javier Marías, hoje começaremos pelo prestigiado escritor inglês Julian Barnes. Julian Barnes é um escritor imenso, que já foi dis...