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Mensagens

“Sou um animal de sala de aula. Adoro tanto dar aulas que estou com medo de ter de me reformar aos 70”

  A afirmação que dá título ao nosso texto de hoje, foi proferida pelo Professor António de Castro Caeiro numa recente entrevista ao semanário Expresso.   Nós, os deste blog, em tempos já distantes, conhecemos bem o então jovem Professor António de Castro Caeiro. Tivemos inclusivamente o privilégio de assistir à sua primeiríssima aula, ali pelo início dos idos anos 90 do século passado.   O senhor a quem hoje chamam professor, por essa época era baterista da mítica banda Mata-Ratos, grupo musical que se celebrizou com o tema “A minha sogra é um boi” e que teve um relativo sucesso com títulos como “Expulsos do Bar”, “Paralisia Cerebral” e “Tira, enrola e come” .   Depois dessas aventuras de juventude, importa dizer sobre António de Castro Caeiro, que é professor na Universidade Nova de Lisboa, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, onde há muito lecciona Filosofia Antiga, Grego, Latim e Alemão.   “Há em mim espanto e fascínio relativament...
Mensagens recentes

Notícias superficiais, fúteis e frívolas, é que hoje vos servimos

Quando vemos, ouvimos e lemos notícias, os assuntos são os mais variados, num momento fala-se de um conflito bélico, no instante seguinte de um debate no parlamento e logo depois dos resultados dos jogos da bola. Num mero quarto de hora ou lado a lado nas páginas de um jornal, noticia-se de enfiada o número de mortos de um dia de guerra, a acesa troca de palavras entre os deputados e os golos marcados pela equipa X ao clube Y e vice-versa. Nós neste blog não somos nada assim, tão fúteis e superficiais e sempre a saltar de assunto para assunto, quando nos debruçamos sobre um tema, escrevemos abundantemente sobre ele, tentamos pois ser intensos, exaustivos e profundos. Em boa verdade, não somos assim tão intensos, exaustivos e profundos. Chegámos a esta conclusão ao lembrarmo-nos de George Perec, romancista francês que escreveu o livro “Tentativa de Esgotamento de um Local Parisiense”. No Outono de 1974, o grande escritor Georges Perec instalou-se por três dias num café na Praça Saint-Su...

Quem canta seus males espanta (E em vez do medo?)

Nos nossos dois textos anteriores escrevemos sobre o medo, sendo que, neste de hoje continuaremos a escrever acerca desse mesmo tema, mas com melodias pop dos “sixties” e “seventies” a acompanhar. O medo rodeia-nos: guerras, cheias, catástrofes, pandemias, crimes e violentos conflitos políticos, são o prato exclusivo que diariamente nos servem nas TV’s, jornais, redes sociais e até em conversas de café. Depois, para além desse habitual menu, há ainda o medo que nos vem de dentro, esse que se manifesta em estados depressivos ou de ansiedade, em angústias, inquietações e numa estranha sensação de desequilíbrio e desassossego interior, que tudo cobre e pinta em tons mortiços e sombrios. “I read the news today oh boy…” , inicia-se assim uma das canções menos alegres dos Beatles, “A Day in the Life”, um tema de 1967. Só por sabermos que as notícias foram lidas, desconfiamos imediatamente que estas não terão sido boas, coisa que as frases seguintes da canção nos confirmam, “And though the ne...

O medo vai ter tudo?

O futuro será pior. Pior para o ambiente, pior para a saúde física, pior para a saúde mental, pior para as instituições democráticas, pior para a educação, pior para os serviços públicos e também pior para a paz. Em resumo, aqui temos  o mantra do medo contemporâneo. Há uma crónica do escritor brasileiro Luís Fernando Veríssimo, que nos conta a história de um condomínio fechado, que era bastante apreciado pela sua segurança. Tinha belas casas, jardim, playground e piscina, mas acima de tudo era seguro, pois todo ele estava rodeado por um alto muro. Em síntese, no seu interior ninguém sentia medo. No entanto, ocorreram uns quantos assaltos. Os proprietários decidiram colocar torres com seguranças ao longo do alto muro e as inspeções tornaram-se mais rigorosas no portão de entrada, todavia, os assaltos continuaram. Decidiram electrificar os muros. Houve discordâncias, mas no fim todos acabaram por aceitar, pois o mais importante era a segurança. Os assaltos continuaram. Grades nas ja...