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Mensagens

As razões de sermos uns tristes

“Passear contigo, amar e ser feliz…” , era o que se dizia numa cançoneta portuguesa, dos idos anos 80. No entanto, a felicidade é algo que não é fácil de obter em Portugal, pelo menos é isso o que nos dizem os números. É certo que a felicidade individual não se mede numericamente, contudo, a felicidade colectiva de um país, sim. São os resultados numéricos dessa medição, que anualmente nos são apresentados no Relatório Mundial da Felicidade. Saiu há dias o do presente ano, aqui fica: https://data.worldhappiness.report/table?_gl=1*1gjp7ft*_gcl_au*MTU1NjMwOTk5MC4xNzczOTAwMzI3 Os critérios analisados para estabelecer o quão cada país é feliz não se medem em amores e passeios como na cançoneta da década de oitenta. Os critérios são antes os seguintes: o PIB per capita, a assistência e coesão social, a expectativa de vida saudável, a liberdade para fazer escolhas, a generosidade, as percepções da corrupção e o predomínio de emoções positivas ou negativas. Em 2026, os países nórdicos, e em p...
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Do East End londrino à Mouraria, é um saltinho

  E assim fomos, tu e eu, num certo dia de Inverno passear ao entardecer, sendo o mesmo dizer, “Let us go then, you and I, when the evening is spread out against the sky”. E assim sendo, caminhámos por ruas esconsas, por estreitos becos e por sítios de uma Lisboa antiga, tal e qual como outrora o poeta T.S. Elliot, ia com alguém por uma Londres vazia e recôndita, uma urbe feita de lugares escondidos e nada turísticos, acerca dos quais ele escreveu: “Let us go, through certain half-deserted streets”. E sim, talvez nesse dia o poeta Elliot passeasse por aqueles idos lados de Londres, aos quais chamam o East End, e isso precisamente ao mesmo tempo, em que nós juntos passeávamos por antigos bairros de Lisboa. É certo que T.S. Elliot morreu em 1965, quando nós não éramos sequer nascidos, mas em termos poéticos, o que na realidade nos interessam essas meras datas? Nada, pois o tempo é relativo, como todos muito bem o sabemos. Sabemos também, que há quem fale desses lugares com desdém, se...

É proibida a leitura deste texto a quem não andar espantado de existir

Espantem-se todos, pois nós sabemos, que no seu mutismo de pedra (ou de um outro qualquer material), muitas são as esculturas que se movimentam e falam. Fazem-no quando os humanos estão ausentes, à noite, no escuro ou em dias em que não há ninguém por perto. Ao anoitecer, no Museu do Louvre, as esculturas ganham vida quando as portas se encerram e os últimos visitantes saem. Uma delas, cansada de ser uma mera estátua ornamental, fugiu do museu para ir conhecer a vida nas ruas de Paris. O passeio por Paris não lhe correu bem, pois a escultura foi apanhada numa manifestação política, onde ocorreram violentos desacatos. A polícia interveio, e ela acabou por se partir. Ainda assim, conseguiu com muito esforço regressar ao museu, mas já lá dentro desequilibrou-se e caiu, quebrando-se em mil pedaços. Vejamos o momento em que a escultura ganhou vida, ou seja, o antes de todas estas desventuras lhe sucederem: Este espantoso acontecimento é-nos narrado na curta-metragem de Gabriel Abrantes, “Le...

E neste entretanto, lá longe, na China, ensina-se amor

É certo que de quando em vez, em Portugal, se discutem os currículos escolares. É ainda mais certo, que não raras vezes, tais discussões acabam por cair na praça pública sem proveito para ninguém. Com efeito, em tais ocasiões todos opinam, independentemente de pouco ou nada saberem do assunto, e o mais que se acaba por dizer é que actualmente existe um grande facilitismo no ensino, que agora nada se sabe, que dantes é que era bom e outras inanidades do mesmo género. Ao contrário do que sucedia dantes, neste entretanto a China tornou-se nos últimos anos numa enorme potência económica. Hoje em dia, a China compete com qualquer país do mundo em termos científicos e tecnológicos, mas também culturalmente. Por exemplo, em 2012 foi um escritor chinês Mo Yan, o galardoado com o Prémio Nobel da Literatura.    O maior e mais prestigiado galardão internacional de arquitectura, o Prémio Pritzker, em 2025 também foi atribuído a um criador oriundo da China, no caso ao arquitect...

É Dia da Mulher, morreu Lobo Antunes, e a pergunta é, de que têm os homens medo

Há dias faleceu um grande escritor português, António Lobo Antunes, hoje é Dia da Mulher. Parecendo que não, estes são dois assuntos que se cruzam. Com efeito, são muitos os estudos académicos e os livros, que se dedicaram a analisar as personagens femininas na obra literária do autor, como por exemplo, o ensaio de Ana Paula Arnaut, “As Mulheres na Ficção de António Lobo Antunes: (In)variantes do Feminino”.. Nós não possuímos competências académicas para análises literárias, no entanto, temos alguma curiosidade sobre o modo como o escritor via as mulheres, e portanto é acerca disso mesmo que neste dia vamos falar. Os livros de António Lobo Antunes não são autobiográficos num sentido literal, todavia, são profundamente marcados por acontecimentos da sua vida, e o autor usou frequentemente na sua escrita memórias pessoais.  Sendo esse o contexto, as personagens femininas que criou, são evidentemente inspiradas por mulheres que o escritor conheceu na vida real e pelo modo como ele com...