Usamos hoje como título para este texto, o título usado pelo jornal espanhol El Pais numa reportagem publicada há uns tempos, na qual se constatava que algo se passava na BD portuguesa. Escusado será dizer, que por cá, e de modo oposto ao que se passa no país vizinho, ninguém liga muito à nossa BD, ainda assim, o anterior Presidente da República, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, disse há cerca do ano o seguinte: “Criadores portugueses de BD são do melhor do mundo .” É certo que o Marcelo afirmava com frequência que os portugueses eram os melhores do mundo nisto, naquilo e naqueloutro, no entanto, é significativo que não se tenha esquecido da Banda Desenhada. Mas dito isto, a verdade é que poucos em Portugal ligam à BD, pois genericamente, para os nossos compatriotas, histórias aos quadradinhos é considerado como sendo uma coisa própria para crianças e jovens, e não para gente crescida e madura. Por cá, só se liga à “boa” literatura para adultos, dessa que vende muito, ou seja, a es...
O 25 de Abril é também uma questão de estilo. Chega a ser cómico, e simultaneamente algo enternecedor, ver como os cantadores dos tempos de Abril eram sérios e levavam a peito os seus ideais revolucionários e, mais do que isso, observar igualmente o estilo e o modo intenso como os cantavam. Quase custa a crer, ao dia de hoje, que noutros tempos alguém entoasse com toda a seriedade e entusiasticamente versos como os seguintes: “A cantiga é uma arma/ De pontaria/ A cantiga é uma arma/ Contra a burguesia / Tudo depende da bala / E da pontaria / Tudo depende da raiva / E da alegria /A cantiga é uma arma/ Contra a burguesia.” A esse propósito, veja-se por exemplo, as imagens do vídeo mais abaixo, uma festa de São Martinho na Golegã em Abril de 1974, na qual o colectivo musical Vozes na Luta interpreta precisamente esse tema, “A Cantiga é uma Arma”. Vendo o vídeo, verifica-se que para além do entusiasmo e seriedade, os cantadores possuíam também gadelhas levemente despenteadas e apresentavam...