Ontem escrevemos sobre sombras, que são as mais discretas, leves e gentis presenças. Hoje falaremos sobre coisas kitsch, que de modo oposto, são presenças arrogantes, pedantes e emproadas. Acima fica o galo de Barcelos de Joana Vasconcelos, já a seguir, abaixo, para quem quiser ler o que escrevemos ontem, aqui fica o link: https://ifperfilxxi.blogspot.com/2026/04/reaprender-o-saber-das-sombras-voltar.html O kitsch é frequentemente associado ao "mau gosto" , ou seja, ao gosto não educado. Muito embora o mau gosto e o kitsch não sejam exactamente a mesma coisa, são ainda assim fenómenos afins. O Kitsch é intencional, refere-se a objetos produzidos em massa que imitam estilos elevados ou clássicos de forma simplificada, exagerada e sentimental. Um traço central do kitsch é a pretensão. Ele tenta oferecer uma "beleza instantânea" que permita ao espectador ou consumidor sentir que tem acesso a algo de erudito sem o esforço mental que a arte e o belo exigem. ...
A imagem acima é da autoria de Lourdes Castro, que um dia disse o seguinte: “A sombra pertence ao mundo real, não é uma fantasia; existe, nós é que a não vemos ou não lhe damos importância e por isso somos mais pobres”. E depois de uns dias de sol, que quase eram de Verão, eis que regressa um tempo mais pardacento, uma luz novamente acinzentada e as nuvens escuras feitas de longas sombras. Por nós está muito bem assim, que nesse contexto somos como o escritor japonês Jun'ichirō Tanizaki, que um dia escreveu “O elogio da sombra” . Tanizaki defende que a beleza japonesa não reside nos objectos em si, mas no jogo de sombras e na subtileza da luz. Enquanto o Ocidente procura iluminar tudo e eliminar a escuridão, o Japão tradicional encontra elegância no que está na sombra. O autor critica a luz eléctrica forte e os materiais brilhantes, preferindo a textura da madeira, do papel washi e o brilho baço da laca e do ouro na penumbra. Valoriza também o "brilho da sujidade...