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Ó Portugal, se fosses só três sílabas, linda vista para o mar, Minho verde, Algarve de cal…

Num destes dias, numa manhã igual a tantas mais, subíamos a Avenida dos Estados Unidos da América em Lisboa, vindos de Entrecampos, isto quando de repente, um pouco antes de chegarmos ao ponto em que essa avenida se cruza com a de Roma, decidimos seguir para a direita, em direção a uma pequena via cujo nome é Rua Flores do Lima. É uma rua modesta e discreta, que quase se diria ser tão-somente as traseiras dos altos prédios da Avenida dos Estados Unidos da América. Decidimos então ir por essa rua, mas não pela sua beleza ou por nela existir algo de pitoresco ou peculiar, e sim e apenas por ela estar inscrita na nossa memória. Com efeito, nessa rua corriqueira e banal, entre 1975 e 2007 esteve sediado o cinema Quarteto. Foi esse o primeiro complexo de salas de Lisboa, coisa que muito justamente o slogan realçava: “4 Salas / 4 Filmes”. O Cinema Quarteto fez história, pois aí havia uma autêntica atmosfera cinéfila. Era um sítio onde se exibiam filmes europeus, e outros vindos de continente...
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Um lugar muito longe e muito perto

Ontem escrevemos acerca de geografias com geometrias literárias-sentimentais, hoje vamos escrever acerca de uma poeta que vivia a mais de três mil quilómetros de distância de nós, mas que desafiando todas as leis da geografia e da geometria, como que vivia aqui mesmo ao lado. Nunca aqui antes falámos de Wislawa Szymborsk, que foi uma das mais amadas poetas polacas. Viveu quase toda a sua vida na bela cidade de Cracóvia e em 1996 foi muito justamente distinguida com o Prémio Nobel da Literatura. Era conhecida como a “Mozart da poesia", sendo que a sua obra se caracteriza por uma fina precisão irónica, e por falar de assuntos filosóficos e existenciais mas através de simples factos do dia a dia. Sim, nós gostamos de Wislawa Szymborsk muito embora não saibamos sequer uma única palavra de polaco, todavia, o facto é que a sua poesia se lê muito bem em português. É espantoso pensarmos em Wislawa Szymborsk a passear pelas ruas da ancestral, gótica e nostálgica Cracóvia, cidade que fica l...

Geografias com geometrias literárias-sentimentais

Geografias com geometrias literárias-sentimentais é uma nova disciplina transdisciplinar que acabámos de inventar. Que tal disciplina possa alguma vez ou não existir na realidade, é coisa que tanto nos faz. O que na verdade nos importa é a ficção. As geografias com geometrias literárias-sentimentais dedicam-se a lugares que existindo, não existem. Mas dito isto, esses lugares geográficos existem, mas só na medida em que os seus perímetros e áreas não se calculam geometricamente através de metros, de centímetros ou de quilómetros, as suas linhas não são rectas, paralelas ou perpendiculares, e nem tão-pouco o serão curvas ou diagonais. Nesta disciplina que inventámos, tudo é medido por palavras, frases e sentimentos e, mais do que isso, o que interessa não é o raciocínio lógico-abstracto, mas sim a imaginação. São portanto lugares geográficos próprios para improváveis acontecimentos. Há muitas formas de passearmos pela geografia de uma cidade. De carro, não tem grande graça, a pé, se...

No Parque Eduardo VII cada mãe rende desde 150 a 300 Euros, isto sendo chique

Na imagem vemos uma escultura do artista português José Cutileiro, que está instalada ao alto do Parque Eduardo VII. Devido à forma fálica do monumento escultórico, o local é um sítio que nos parece ser particularmente inspirador para se assinalar o Dia da Mãe que hoje se celebra. O que poderia ter sido é uma abstração, que permanece uma perpétua possibilidade,  somente num mundo de especulação. O que poderia ter sido e o que foi, apontam para um mesmo fim, que é sempre o presente. Passos ecoam na memória, pelos caminhos que nunca tomámos, rumo às portas que nunca abrimos… Acima arriscámos uma tradução para português de uns versos de T.S. Elliot, cuja versão original é a seguinte: What might have been is an abstraction Remaining a perpetual possibility Only in a world of speculation. What might have been and what has been Point to one end, which is always present. Footfalls echo in the memory Down the passage which we did not take Towards the door we never opened… Neste entretanto,...