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E se antes a mocidade portuguesa já tivesse sido, tipo assim, estilo Nova Iorque?

Talvez não haja uma maior declaração de amor a Nova Iorque, que a do início do filme “Manhattan” de Woody Allen.  Nesse excerto introdutório podemos ouvir frases tão interessantes como por exemplo, “He adored New York City, although to him it was a metaphor for the decay of contemporary culture” ou “To him, New York meant beautiful women and street-smart guys who seemed to know all the angles”. Todd Webb (1905-2000) é um dos heróis da fotografia nova-iorquina, as suas imagens moldaram e ajudaram a criar a nossa memória colectiva da cidade que nunca dorme. Mesmo quem nunca tenha estado em Nova Iorque, tem na mente imagens dessa cidade, sendo que, grande parte dessa paisagem mental urbana, terá certamente tido origem nalgumas fotografias de Todd Webb. As fotos de Todd Webb captam a imponência dos edifícios nova-iorquinos, mas também esses pequenos momentos quotidianos, que fazem de Nova York aquilo que ela é. Talvez haja quem pense que Nova Iorque seja uma urbe glamourosa, opulenta e...
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Só havia uma cidade e a cidade era Havana

Vemos as notícias que vêm de Cuba e percebemos que a bela La Habana se encontra num estado lastimável. É pena, dá dó. Há muitos anos estivemos em Cuba e quase nem pusemos os pés na praia, e isto porque Havana tinha tudo e, assim sendo, para quê afastarmo-nos dela? Ninguém lê este blog em La Habana, nem este nem nenhum. Por estes dias, nem sequer electricidade por lá há, sendo que a comida escasseia e o combustível acabou-se. Na Havana de hoje, o mais que há a fazer é esperar. Só havia uma cidade e a cidade era Havana, é possível que esta frase esteja incluída no célebre livro de Guilhermo Cabrera Infante “Três Tristes Tigres”.  Em boa verdade, já desfolhámos o livro de trás para a frente e de frente para trás e não a encontrámos. Ao procurarmos na internet, também não descobrimos nenhum sítio que dissesse que a dita frase aparece no referido livro. A conclusão óbvia é que a frase “Só havia uma cidade e a cidade era Havana” não se encontra no livro “Três Tristes Tigres”. Sendo essa...

Ó Portugal, se fosses só três sílabas, linda vista para o mar, Minho verde, Algarve de cal…

Num destes dias, numa manhã igual a tantas mais, subíamos a Avenida dos Estados Unidos da América em Lisboa, vindos de Entrecampos, isto quando de repente, um pouco antes de chegarmos ao ponto em que essa avenida se cruza com a de Roma, decidimos seguir para a direita, em direção a uma pequena via cujo nome é Rua Flores do Lima. É uma rua modesta e discreta, que quase se diria ser tão-somente as traseiras dos altos prédios da Avenida dos Estados Unidos da América. Decidimos então ir por essa rua, mas não pela sua beleza ou por nela existir algo de pitoresco ou peculiar, e sim e apenas por ela estar inscrita na nossa memória. Com efeito, nessa rua corriqueira e banal, entre 1975 e 2007 esteve sediado o cinema Quarteto. Foi esse o primeiro complexo de salas de Lisboa, coisa que muito justamente o slogan realçava: “4 Salas / 4 Filmes”. O Cinema Quarteto fez história, pois aí havia uma autêntica atmosfera cinéfila. Era um sítio onde se exibiam filmes europeus, e outros vindos de continente...

Um lugar muito longe e muito perto

Ontem escrevemos acerca de geografias com geometrias literárias-sentimentais, hoje vamos escrever acerca de uma poeta que vivia a mais de três mil quilómetros de distância de nós, mas que desafiando todas as leis da geografia e da geometria, como que vivia aqui mesmo ao lado. Nunca aqui antes falámos de Wislawa Szymborsk, que foi uma das mais amadas poetas polacas. Viveu quase toda a sua vida na bela cidade de Cracóvia e em 1996 foi muito justamente distinguida com o Prémio Nobel da Literatura. Era conhecida como a “Mozart da poesia", sendo que a sua obra se caracteriza por uma fina precisão irónica, e por falar de assuntos filosóficos e existenciais mas através de simples factos do dia a dia. Sim, nós gostamos de Wislawa Szymborsk muito embora não saibamos sequer uma única palavra de polaco, todavia, o facto é que a sua poesia se lê muito bem em português. É espantoso pensarmos em Wislawa Szymborsk a passear pelas ruas da ancestral, gótica e nostálgica Cracóvia, cidade que fica l...