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Mensagens

Do East End londrino à Mouraria, é um saltinho

  E assim fomos, tu e eu, num certo dia de Inverno passear ao entardecer, sendo o mesmo dizer, “Let us go then, you and I, when the evening is spread out against the sky”. E assim sendo, caminhámos por ruas esconsas, por estreitos becos e por sítios de uma Lisboa antiga, tal e qual como outrora o poeta T.S. Elliot, ia com alguém por uma Londres vazia e recôndita, uma urbe feita de lugares escondidos e nada turísticos, acerca dos quais ele escreveu: “Let us go, through certain half-deserted streets”. E sim, talvez nesse dia o poeta Elliot passeasse por aqueles idos lados de Londres, aos quais chamam o East End, e isso precisamente ao mesmo tempo, em que nós juntos passeávamos por antigos bairros de Lisboa. É certo que T.S. Elliot morreu em 1965, quando nós não éramos sequer nascidos, mas em termos poéticos, o que na realidade nos interessam essas meras datas? Nada, pois o tempo é relativo, como todos muito bem o sabemos. Sabemos também, que há quem fale desses lugares com desdém, se...
Mensagens recentes

É proibida a leitura deste texto a quem não andar espantado de existir

Espantem-se todos, pois nós sabemos, que no seu mutismo de pedra (ou de um outro qualquer material), muitas são as esculturas que se movimentam e falam. Fazem-no quando os humanos estão ausentes, à noite, no escuro ou em dias em que não há ninguém por perto. Ao anoitecer, no Museu do Louvre, as esculturas ganham vida quando as portas se encerram e os últimos visitantes saem. Uma delas, cansada de ser uma mera estátua ornamental, fugiu do museu para ir conhecer a vida nas ruas de Paris. O passeio por Paris não lhe correu bem, pois a escultura foi apanhada numa manifestação política, onde ocorreram violentos desacatos. A polícia interveio, e ela acabou por se partir. Ainda assim, conseguiu com muito esforço regressar ao museu, mas já lá dentro desequilibrou-se e caiu, quebrando-se em mil pedaços. Vejamos o momento em que a escultura ganhou vida, ou seja, o antes de todas estas desventuras lhe sucederem: Este espantoso acontecimento é-nos narrado na curta-metragem de Gabriel Abrantes, “Le...

E neste entretanto, lá longe, na China, ensina-se amor

É certo que de quando em vez, em Portugal, se discutem os currículos escolares. É ainda mais certo, que não raras vezes, tais discussões acabam por cair na praça pública sem proveito para ninguém. Com efeito, em tais ocasiões todos opinam, independentemente de pouco ou nada saberem do assunto, e o mais que se acaba por dizer é que actualmente existe um grande facilitismo no ensino, que agora nada se sabe, que dantes é que era bom e outras inanidades do mesmo género. Ao contrário do que sucedia dantes, neste entretanto a China tornou-se nos últimos anos numa enorme potência económica. Hoje em dia, a China compete com qualquer país do mundo em termos científicos e tecnológicos, mas também culturalmente. Por exemplo, em 2012 foi um escritor chinês Mo Yan, o galardoado com o Prémio Nobel da Literatura.    O maior e mais prestigiado galardão internacional de arquitectura, o Prémio Pritzker, em 2025 também foi atribuído a um criador oriundo da China, no caso ao arquitect...

É Dia da Mulher, morreu Lobo Antunes, e a pergunta é, de que têm os homens medo

Há dias faleceu um grande escritor português, António Lobo Antunes, hoje é Dia da Mulher. Parecendo que não, estes são dois assuntos que se cruzam. Com efeito, são muitos os estudos académicos e os livros, que se dedicaram a analisar as personagens femininas na obra literária do autor, como por exemplo, o ensaio de Ana Paula Arnaut, “As Mulheres na Ficção de António Lobo Antunes: (In)variantes do Feminino”.. Nós não possuímos competências académicas para análises literárias, no entanto, temos alguma curiosidade sobre o modo como o escritor via as mulheres, e portanto é acerca disso mesmo que neste dia vamos falar. Os livros de António Lobo Antunes não são autobiográficos num sentido literal, todavia, são profundamente marcados por acontecimentos da sua vida, e o autor usou frequentemente na sua escrita memórias pessoais.  Sendo esse o contexto, as personagens femininas que criou, são evidentemente inspiradas por mulheres que o escritor conheceu na vida real e pelo modo como ele com...

“Sou um animal de sala de aula. Adoro tanto dar aulas que estou com medo de ter de me reformar aos 70”

  A afirmação que dá título ao nosso texto de hoje, foi proferida pelo Professor António de Castro Caeiro numa recente entrevista ao semanário Expresso.   Nós, os deste blog, em tempos já distantes, conhecemos bem o então jovem Professor António de Castro Caeiro. Tivemos inclusivamente o privilégio de assistir à sua primeiríssima aula, ali pelo início dos idos anos 90 do século passado.   O senhor a quem hoje chamam professor, por essa época era baterista da mítica banda Mata-Ratos, grupo musical que se celebrizou com o tema “A minha sogra é um boi” e que teve um relativo sucesso com títulos como “Expulsos do Bar”, “Paralisia Cerebral” e “Tira, enrola e come” .   Depois dessas aventuras de juventude, importa dizer sobre António de Castro Caeiro, que é professor na Universidade Nova de Lisboa, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, onde há muito lecciona Filosofia Antiga, Grego, Latim e Alemão.   “Há em mim espanto e fascínio relativament...