Ontem escrevemos acerca de geografias com geometrias literárias-sentimentais, hoje vamos escrever acerca de uma poeta que vivia a mais de três mil quilómetros de distância de nós, mas que desafiando todas as leis da geografia e da geometria, como que vivia aqui mesmo ao lado. Nunca aqui antes falámos de Wislawa Szymborsk, que foi uma das mais amadas poetas polacas. Viveu quase toda a sua vida na bela cidade de Cracóvia e em 1996 foi muito justamente distinguida com o Prémio Nobel da Literatura. Era conhecida como a “Mozart da poesia", sendo que a sua obra se caracteriza por uma fina precisão irónica, e por falar de assuntos filosóficos e existenciais mas através de simples factos do dia a dia. Sim, nós gostamos de Wislawa Szymborsk muito embora não saibamos sequer uma única palavra de polaco, todavia, o facto é que a sua poesia se lê muito bem em português. É espantoso pensarmos em Wislawa Szymborsk a passear pelas ruas da ancestral, gótica e nostálgica Cracóvia, cidade que fica l...
Geografias com geometrias literárias-sentimentais é uma nova disciplina transdisciplinar que acabámos de inventar. Que tal disciplina possa alguma vez ou não existir na realidade, é coisa que tanto nos faz. O que na verdade nos importa é a ficção. As geografias com geometrias literárias-sentimentais dedicam-se a lugares que existindo, não existem. Mas dito isto, esses lugares geográficos existem, mas só na medida em que os seus perímetros e áreas não se calculam geometricamente através de metros, de centímetros ou de quilómetros, as suas linhas não são rectas, paralelas ou perpendiculares, e nem tão-pouco o serão curvas ou diagonais. Nesta disciplina que inventámos, tudo é medido por palavras, frases e sentimentos e, mais do que isso, o que interessa não é o raciocínio lógico-abstracto, mas sim a imaginação. São portanto lugares geográficos próprios para improváveis acontecimentos. Há muitas formas de passearmos pela geografia de uma cidade. De carro, não tem grande graça, a pé, se...