Continuamos com a nossa série estival, dedicada a Verões desastrosos. Hoje, para este oitavo texto, o assunto é o livro “Sinais de Fogo” de Jorge de Sena. Estamos no Verão de 1936, o sítio é a Figueira da Foz, local à época surpreendido pela chegada de inúmeros refugiados fugidos da Guerra Civil de Espanha, que vieram agitar a apatia dessa tranquila cidade e confrontar as gentes com a realidade política da ditadura salazarista. “Quando cheguei à Figueira, a estação era um tumulto de espanhóis aos gritos, com sacos e malas, crianças chorando, senhoras chamando uma pelas outras, homens que brandiam jornais, e uma grande massa de gente comprimindo-se nas bilheteiras." A história acompanha o jovem Jorge, um estudante lisboeta de boas famílias, que depois desse vertiginoso Verão nunca mais foi o mesmo. O que era para ser apenas um plácido período de férias, transformou-se numa tormentosa e agitada transição da juventude para a vida adulta, marcada por descobertas íntimas e por tensões ...
Continuamos com a nossa série estival, dedicada a Verões desastrosos. Hoje, para o sétimo texto, o assunto é “O Mensageiro”, obra célebre pela sua marcante frase inicial, cujo tom e musicalidade é provavelmente intraduzível para português: “The past is a foreign country: they do things differently there.” “O Mensageiro” foi escrito por L. P. Hartley em 1953, em 1973 foi adaptado para o cinema por Joseph Losey, tendo o filme recebido imenso prémios e inclusivamente a Palma de Ouro no Festival de Cannes desse ano. A narrativa começa décadas depois de tudo se ter passado, quando o protagonista, Leo Colston, um homem agora já nos seus sessenta e muitos, encontra um seu antigo diário, onde relata o que lhe aconteceu no quente Verão de 1900. Leo tinha então 12 anos e estava de visita a Brandham Hall, em Norfolk, a propriedade da família de Marcus, um seu colega de colégio, pertencente à mais alta aristocracia britânica, que o convidou a passar o Verão consigo na sua casa de família. Leo vê-s...