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Se a escola não mostrar imagens reais aos alunos, quem lhas mostrará?

  Que imagem é esta? O que nos diz? Num mundo em que incessantemente nos deparamos com milhares de imagens desnecessárias e irrelevantes, sejam as selfies da vizinha do segundo direito, sejam as da promoção do Black Friday de um espetacular berbequim, sejam as do Ronaldo a tirar uma pastilha elástica dos calções, o que podem ainda imagens como esta dizer-nos de relevante? Segundo a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, no pré-escolar a idade média dos docentes é de 54 anos, no 1.º ciclo de 49 anos, no 2.º ciclo de 52 anos e no 3.º ciclo e secundário situa-se nos 51 anos. Feitas as contas, é quase tudo gente da mesma criação, vinda ao mundo ali entre os finais da década de 60 e os princípios da de 70. Por assim ser, é tudo gente que viveu a juventude entre os anos 80 e os 90 e assistiu a uma revolução no mundo da música. Foi precisamente nessa época que surgiu a MTV, acrónimo de Music Television. Com o aparecimento da MTV, a música deixou de ser apenas ouvida e passou
Mensagens recentes

O Japão é um lugar estranho

  “O Japão é um lugar estranho” é um livro de 2005 do muito premiado escritor australiano Peter Carey. O livro relata-nos a história de uma viagem do escritor e do seu filho, Charley, a Tóquio. “O amor é um lugar estranho” é o título português de um filme de 2003 com Bill Murray e Scarlett Johansson. O filme narra-nos a história de um subtil amor entre dois seres perdidos em Tóquio, numa cidade que lhes é desconhecida e onde ninguém os compreende, mas onde os dois se vão encontrar. O título original do filme é  Lost in Translation  e refere-se à impossibilidade de traduzir certas palavras ou expressões de uma língua para outra, sem que o sentido não seja perdido. Mais do que palavras ou expressões, o filme fala-nos fundamentalmente do quão intraduzível é o oriente. Let’s look at the trailer: Junichiro Tanizaki, um dos maiores autores clássicos da literatura japonesa, dedicou uma extensa passagem do seu mais influente ensaio “O elogio da sombra” às retretes tradicionais. Ou seja, àq

Um Oriente ao oriente do Oriente

  Desde longe que o racional ocidente se fascinou pelas delícias e mistérios do oriente. Lá, tudo é luxo, calma, beleza e langor, e ao cair do dia, aquando dos cintilantes poentes, junto a palácios em ouro tecidos, sentem-se odores das mais raras flores e no ar brilham cristais infinitos. A voluptuosidade oriental há muito que como um convite ecoa no coração pesado e cansado do ocidente, por isso muitos, sem bem saberem porquê, partiram por partir na ânsia de viverem como o vento e da alma lhes ser leve e em paz dormirem junto a um cais distante. Um dos primeiros a partir, terá sido o veneziano Marco Polo  (1254-1324), que uma vez regressado a Veneza, muitos anos após a partida, escreveu um livro no qual descreve os inacreditáveis esplendores das cidades da China de então e de outros países da Ásia. Nas suas aventuras por essas terras, foi inclusivamente presente diante do lendário imperador mongol Cublai Cã. Muitos outros houve que se aventuraram em viagens de ocidente a oriente p

Na minha escola, andam sempre a inventar!

  Apostamos que ninguém nunca teve a ideia de ir passar umas férias a Manchester, no noroeste de Inglaterra. Não há lá belas praias, nem altas montanhas, nem frondosos bosques. Também lá não há lindos monumentos, nem bonitas avenidas. O que antes lá havia, era fábricas e mais fábricas. Apesar desse seu carácter pouco atrativo, a cidade de Manchester teve quem a pintasse e a imortalizasse em obras de arte, a saber, Laurence Stephen Lowry.   L.S. Lowry pintou inúmeras cenas da Manchester industrial da primeira metade do século XX. A Manchester que L.S. Lowry retratou nas suas obras, é uma cidade pouco harmoniosa, buliçosa e escura. As chaminés das fábricas dominam a paisagem, e é ao ritmo constante dos fumos que estas expelem, que as suas gentes nascem, crescem e vivem. Foi nas regiões industriais de Inglaterra, que se inventaram as escolas que funcionam a um ritmo fabril. Tal e qual como nas fábricas, nessas escolas havia campainhas que marcavam as horas de entrada, de saída e d

Afinal o futuro não é lá essas coisas

  Hoje propomos-vos uma reflexão biográfica e, quiçá, geracional. Antigamente, quando éramos miúdos, dizia-se de uma senhora já chegada à plena maturidade, que era uma "balzaquiana" . Eram tempos mais literatos que os atuais, pois o termo provém do escritor francês Honoré de Balzac (1799-1850). Hoje usa-se a sigla MILF, o que em matéria de elegância e de bom gosto deixa muito a desejar. Um dia, Balzac referiu-se a uma senhora na sua plena maturidade, como sendo “une femme d'un certain âge” , a partir daí, o termo balzaquiana passou a ser de uso corrente, mesmo entre quem nunca tivesse lido, ou nem sequer soubesse quem foi, Balzac. Se Balzac vivesse nos dias de hoje e visitasse as escolas do nosso país, poderia perfeitamente referir-se à larguíssima maioria dos docentes como sendo “femmes (ou hommes) d’un certain âge”.   Tendo nós também já chegado a essa altura da vida em que estamos numa idade balzaquiana, é normal que olhemos para as crianças e jovens de agora,