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Pagar a conta da luz com cimento em redor, é agora um momento poético e quiçá uma maravilha de Portugal

O título deste texto é enigmático, todavia, o mistério que dele se desprende, só se desvendará mesmo no final. Até lá chegarmos, passaremos por Roma, Buenos Aires, Osaka, Leça da Palmeira e Lisboa, sendo esta última a cidade onde tudo se deslindará. Quando ouvimos dizer de uma qualquer cidade, que ela é como uma floresta de cimento, isso nunca é dito em tom de elogio, antes pelo contrário, o timbre usado é sempre o de desdém. Sim, há quem imagine as cidades ideais como uma espécie de espaço ajardinado, com bonitas casinhas lá pelo meio, dessas construídas com materiais tradicionais e que possuem beirais, quintais e lindas telhas da ancestral cerâmica. Há quem gostasse que as cidades fossem todas feitas de casas portuguesas, com certeza com pão e vinho sobre a mesa, quatro paredes caiadas e um São José de azulejos. Dito isto, nós por aqui preferimos cimento. Comummente usam-se os termos cimento e concreto como se fossem sinónimos, contudo, são coisas um pouco diferentes. O cimento é um ...
Mensagens recentes

Nós é que somos wabi-sabi!

Uma das coisas de que mais gostamos é de pegar em premissas estabelecidas, em frases feitas, em ideias pré-concebidas, em dogmas e certezas e depois dar-lhes a volta, ou seja, transtorná-las, abaná-las, desgastá-las e sujá-las. O mesmo é dizer que não apreciamos verdades indubitáveis, dessas escritas na dura pedra, preferimos antes verdades irregulares, tais quais como essas pedras incertas que atravessam o tempo no jardim do templo de Ryoanji em Quioto, no Japão. Há muito quem adore ter rectas crenças, limpas, puras e duras, seja lá qual for o assunto em questão, mas gostando nós de achavascar, fazer oscilar e tremer certezas, hoje em dia deparamo-nos não raras vezes com a quase impossibilidade de o conseguirmos efectuar. O problema resume-se do seguinte modo: quem é dado a infalíveis certezas, mesmo que as veja sujas, abaladas e abanadas, ainda assim, refugia-se em certos clichés contemporâneos, que lhe permitem não sair do mesmo exacto sítio. Ponhamos um exemplo, quando alguém após ...

O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais importante que isso...(2ª parte)

A imagem acima é do pintor chinês Du Jin que esteve activo entre 1465 e 1509. É uma pintura da Dinastia Ming e nela vemos um grupo de mulheres a jogar à bola, actividade que era muito popular entre as cortesãs. É uma imagem que nos demonstra que a bola não é tão-somente um assunto de homens, isto ainda que ao longo deste texto falemos do futebol como um terreno propício ao desenvolvimento da identidade masculina. Continuamos portanto hoje a dedicarmo-nos ao futebol, o mesmo é dizer, a grandes emoções e a vastas reflexões artísticas e literárias. Para quem não nos leu ontem e perdeu a 1ª parte deste desafio, aqui fica o link: https://ifperfilxxi.blogspot.com/2026/06/o-futebol-nao-e-uma-questao-de-vida-ou.html Ontem, a propósito de futebol, citámos autores como o multifacetado Pier Paolo Pasolini, o poeta italiano Stefano Benni ou o grande romancista espanhol Javier Marías, hoje começaremos pelo prestigiado escritor inglês Julian Barnes. Julian Barnes é um escritor imenso, que já foi dis...

O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais importante que isso... (1ª parte)

Hoje prometemos-vos grandes emoções e vastas reflexões artísticas e literárias, como já terão adivinhado, vamos falar de futebol. A imagem que ilustra este texto é de Pablo Picasso e intitula-se “Futebolistas”. O autor da frase “O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais importante que isso” foi Bill Shankly, o lendário treinador do Liverpool, durante as décadas de 60 e 70. Disse-a numa entrevista televisiva e desde aí as suas palavras têm sido imensamente citadas, o que se percebe, pois que o dito tem a sua graça. Como outros antes, também hoje nós citamos Bill Shankly, uma vez que se aproxima a passos largos o início do Mundial de Futebol e queremos neste blog dar aos nossos leitores amplas, profundas e complexas perspectivas sobre o pontapé no esférico. Nós não queremos ser daqueles que só repetem banalidades e lugares comuns sobre arbitragens, tácticas, onzes iniciais, chutes falhados, remates ao lado, frangos e outros dislates, nós queremos falar de futebol com...