Fora dos circuitos dados à cultura e mais especificamente à dança, o nome de Anne Teresa de Keersmaeker não é lá muito conhecido. Não tem por cá, pela nossa amada pátria, a celebridade de que desfrutam figuras como o Toy, o Quim Barreiros ou a Ruth Marlene. No entanto, Anne Teresa de Keersmaeker é uma autêntica lenda viva da dança moderna e, hoje em dia, já com uma certa idade, continua a ser notícia de jornal e a fazer capas de revistas tanto em Nova Iorque, como em Paris ou em Bruxelas. Aqui a vemos na imagem abaixo na capital belga, acompanhada por um rapaz, que não por acaso, tal como ela, também é coreógrafo e dançarino. É pena que, fora dos circuitos habituais culturais, Anne Teresa de Keersmaeker não seja mais conhecida e apreciada por cá, pois que a coreógrafa-bailarina tem uma profunda relação com Portugal, e com Lisboa em particular. Vejamos a esse propósito, o que ela disse numa entrevista que deu há uns quantos anos: “É difícil não cair nos lugares comuns quando se fa...
Oferecer-te-ei pérolas de chuva, vindas de um país onde nunca chove (Do sublime ao típico, do desespero ao amor e de Paris à Flandres em quatro canções)
Imaginemos um hino de amor e de desespero, em que alguém implora a outrem que não o abandone, oferecendo-lhe para tal, mundos, riquezas e até a submissão total, “Deixa-me ser sombra da tua sombra. A sombra da tua mão. A sombra do teu cão. Mas não me deixes (Laisse-moi devenir L'ombre de ton ombre. L'ombre de ta main L'ombre de ton chien. Mais Ne me quitte pas)”. Esse hino de amor e de desespero é a canção de Jacques Brel “Ne me quitte pas”. Ao longo da cantiga todos os mais fortes argumentos vão sendo invocados, por exemplo, se por um lado é certo que não raras vezes o amor arrefece com o passar do tempo, e que provavelmente foi isso o que terá sucedido neste caso, por outro lado, Brel contra-argumenta que não é impossível “O fogo irromper de novo de um velho vulcão que há muito se julgava extinto (On a vu souvent rejaillir le feu de l'ancien volcan qu’on croyait trop vieux)”. Mas a contra-argumentação da canção em desfavor do abandono vai ainda mais longe, pois o aband...