Quando vemos, ouvimos e lemos notícias, os assuntos são os mais variados, num momento fala-se de um conflito bélico, no instante seguinte de um debate no parlamento e logo depois dos resultados dos jogos da bola. Num mero quarto de hora ou lado a lado nas páginas de um jornal, noticia-se de enfiada o número de mortos de um dia de guerra, a acesa troca de palavras entre os deputados e os golos marcados pela equipa X ao clube Y e vice-versa. Nós neste blog não somos nada assim, tão fúteis e superficiais e sempre a saltar de assunto para assunto, quando nos debruçamos sobre um tema, escrevemos abundantemente sobre ele, tentamos pois ser intensos, exaustivos e profundos. Em boa verdade, não somos assim tão intensos, exaustivos e profundos. Chegámos a esta conclusão ao lembrarmo-nos de George Perec, romancista francês que escreveu o livro “Tentativa de Esgotamento de um Local Parisiense”. No Outono de 1974, o grande escritor Georges Perec instalou-se por três dias num café na Praça Saint-Su...
Nos nossos dois textos anteriores escrevemos sobre o medo, sendo que, neste de hoje continuaremos a escrever acerca desse mesmo tema, mas com melodias pop dos “sixties” e “seventies” a acompanhar. O medo rodeia-nos: guerras, cheias, catástrofes, pandemias, crimes e violentos conflitos políticos, são o prato exclusivo que diariamente nos servem nas TV’s, jornais, redes sociais e até em conversas de café. Depois, para além desse habitual menu, há ainda o medo que nos vem de dentro, esse que se manifesta em estados depressivos ou de ansiedade, em angústias, inquietações e numa estranha sensação de desequilíbrio e desassossego interior, que tudo cobre e pinta em tons mortiços e sombrios. “I read the news today oh boy…” , inicia-se assim uma das canções menos alegres dos Beatles, “A Day in the Life”, um tema de 1967. Só por sabermos que as notícias foram lidas, desconfiamos imediatamente que estas não terão sido boas, coisa que as frases seguintes da canção nos confirmam, “And though the ne...