Vamos hoje para o quarto texto desta nossa série estival, dedicada a estios catastróficos. Desta vez vamos até 1816, data que ficou para a história como o “Ano sem Verão”, pois os céus permaneceram cinzentos, o frio intenso e as chuvas fortes. O Ano sem Verão foi resultado de um colapso climático global que eliminou a estação quente no Hemisfério Norte. O fenómeno foi causado pela erupção do Monte Tambora na Indonésia, em abril de 1815. A erupção lançou toneladas de poeiras, cinzas e dióxido de enxofre para a atmosfera, o que reduziu a temperatura global e criou uma névoa que bloqueou a luz solar. Abaixo uma pintura de Caspar David Friedrich, que retrata esse desastroso Verão de 1816. O célebre poeta inglês Lord Byron (1788-1824) andou uns dias por Sintra e ficou profundamente deslumbrado pela sua beleza mística. Baptizou-a como o “Éden Glorioso” e considerou-a “a mais bela vila do mundo” . Esta breve passagem marcou o início do Romantismo na literatura inglesa e imortalizou a região n...
E aqui vamos nós para o terceiro texto desta nossa série dedicada a Verões desastrosos. Hoje o destino é uma ilha tropical deserta, situada algures no Oceano Pacífico. À partida local mais luxuriante e paradisíaco não poderia haver, todavia, por vezes é precisamente nos mais belos lugares, que tudo corre mesmo muito mal. É isso o que sucede no livro “O Deus das Moscas”, uma obra de 1954, do nobelizado escritor inglês William Golding (1911-1993). A história passa-se no Verão de 1954, quando um grupo de rapazes ingleses que iam de viagem para a Austrália, acaba isolado numa ilha deserta, após um acidente de avião. Sem adultos por perto, a rapaziada tenta organizar-se e criar regras, coisa que se estava mesmo à espera que fizessem, sendo eles civilizados súbitos da Real Coroa Britânica e rapazes que frequentaram os bons colégios da Velha Albion. Numa época já distante, havia em Portugal quem chamasse a Inglaterra não a Velha, mas sim a Pérfida Albion. Sempre houve por cá uma certa quantid...