A imagem acima é da autoria de Lourdes Castro, que um dia disse o seguinte: “A sombra pertence ao mundo real, não é uma fantasia; existe, nós é que a não vemos ou não lhe damos importância e por isso somos mais pobres”. E depois de uns dias de sol, que quase eram de Verão, eis que regressa um tempo mais pardacento, uma luz novamente acinzentada e as nuvens escuras feitas de longas sombras. Por nós está muito bem assim, que nesse contexto somos como o escritor japonês Jun'ichirō Tanizaki, que um dia escreveu “O elogio da sombra” . Tanizaki defende que a beleza japonesa não reside nos objectos em si, mas no jogo de sombras e na subtileza da luz. Enquanto o Ocidente procura iluminar tudo e eliminar a escuridão, o Japão tradicional encontra elegância no que está na sombra. O autor critica a luz eléctrica forte e os materiais brilhantes, preferindo a textura da madeira, do papel washi e o brilho baço da laca e do ouro na penumbra. Valoriza também o "brilho da sujidade...
Nós por aqui não gostamos muito de certezas absolutas e assertividades, gostamos antes de ver as coisas por diversos ângulos e de nos debruçarmos sobre nuances. Sendo hoje Páscoa, vamos falar disto e de Cristo, pois claro. Há quem tenha uma fé cega e acredite piamente na literalidade da mensagem de Cristo, não é esse o nosso caso, pois cremos que o sentido da mensagem divina depende de quem a diz, escreve, musica ou pinta. Assim sendo, em nosso entender, o significado da vida de Cristo e até a sua própria figura, são diferentes conforme o contexto. Para provarmos este nosso ponto, vamos fazer uma viagem pela História da Arte. Pensemos por exemplo no pintor francês Paul Gauguin (1848-1903). Durante uns anos, o homem andou pelas regiões rurais da Bretanha e em 1886 teve a visão de um Cristo amarelo. Uns três anos mais tarde após ter pintado o Cristo amarelo, mais concretamente em 1889, e enquanto continuava a deambular pelas mesmas terras bretãs, Gauguin teve uma nova visão de C...