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A mulher ideal portuguesa, uma perspectiva histórica-cultural

Nós gostámos muito de saber, que na nossa amada pátria, nasceu neste Verão, o movimento Mulheres Conservadoras Portugal. Gostámos tanto, que ontem dedicámos um texto a esse assunto, e vamos dedicar-lhe um outro. No entanto, hoje vamos analisar o tema de um ponto de vista histórico-cultural. Um entretenimento bastante fascinante é ir verificar o que se queria das mulheres em tempos idos, nuns mais conservadores do que os actuais. Por exemplo, entre 1966 e 1973 houve um concurso intitulado “A Mulher Ideal Portuguesa”, que nos serve muito bem para esse efeito. O dito concurso não se focava na beleza ou na aparência física das mulheres, não havia cá desfiles em fato de banho e coisas desse género. A iniciativa avaliava sim as competências domésticas, a elegância e as capacidades intelectuais das concorrentes. Neste certame tanto podiam participar senhoras solteiras como casadas, isto desde que fossem portuguesas. Vendo as quais provas do concurso, percebemos imediatamente as quais caracter...
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Será a invasão das mulheres conservadoras, ou é só a “silly season”?

Houve um tempo, que agora parece ser muito distante, em que se chamava ao Verão a “silly season”. Actualmente, a época quente, essa onde há uns anos só existiam notícias e acontecimentos fúteis e até anedóticos, é nos dias que correm marcada por uma contínua sequência de crises e de temas graves e pesados, tal e qual como sucede no restante ano. No entanto, e mesmo sendo esse o contexto genérico, há ainda no Verão uns quantos acontecimentos fúteis e anedóticos, que nos fazem lembrar a “silly season” de outrora. É precisamente de uma dessas ocorrências, que hoje vos vamos falar, a saber, do primeiro encontro do movimento Mulheres Conservadoras Portugal, que se realizou neste estio, no Palácio Valenças, na romântica vila de Sintra. Mais abaixo temos uma foto de grupo das principais personagens participantes no dito encontro, sendo que, o que nos chama imediatamente à atenção nessa imagem são as caras larocas e sorridentes das senhoras, bem como o seu peculiar modo de trajar. Detenhamos-n...

As mais desastrosas histórias de Verão (O Inverno em Lisboa)

  Terminamos hoje esta nossa série de Agosto dedicada a Verões desastrosos. É certo que a larga maioria das pessoas gosta de passar pelo menos uns quinze dias de férias, numa qualquer estância balnear, a banhos de sol e mar. Porém, por vezes, uma mera quinzena é mais do que o suficiente para dar cabo da vida de uma pessoa e a transformar num autêntico desastre. Foi isso o que sucedeu com Santiago Biralbo, que para que tal lhe acontecesse, nem sequer precisou de sair da sua terra natal, a sofisticada San Sebastían, uma das mais elegantes cidades balneares de Espanha inteira e até da Europa. Já lá iremos a esse assunto. Neste décimo terceiro texto e último texto, centramos-nos no romance “O Inverno em Lisboa (1987) do excelente escritor espanhol, Antonio Muñoz Molina. Sendo esta nossa série dedicada ao Verão, nada melhor que findarmos de forma coerente, com uma história cujo Inverno consta logo no título. Mais do que isso, o título refere também Lisboa, que é um sítio donde os locais...

As mais desastrosas histórias de Verão (O Estrangeiro)

  Há na época estival quem perca a cabeça e gaste mais de que o que devia em viagens, restaurantes e hotéis. Há também quem perca a cabeça com um amor de Verão, daqueles que estão destinados a acabar mal. Depois há ainda quem perca a cabeça no estio e aproveite para fazer largas noitadas e beber até cair. Todas essas são actividades potencialmente desastrosas, no entanto, o que é realmente desastroso é perder-se literalmente, e não só metaforicamente, a cabeça. Continuamos hoje com esta nossa série estival dedicada a Verões desastrosos. Neste décimo segundo texto e penúltimo, centramos-nos no romance “O Estrangeiro, obra de 1942, do escritor Albert Camus (1913-1960). Camus amava os prazeres terrenos, o sol do Mediterrâneo, o futebol e o teatro, equilibrava a sua filosofia existencialista com uma imensa alegria de viver. Era conhecido pela sua personalidade magnética, pela requintada elegância e pela sua intensa, variada e extensa vida amorosa. Era uma figura muito querida e admirad...

As mais desastrosas histórias de Verão (Villa Triste)

Continuamos hoje com esta nossa série estival dedicada a Verões desastrosos. Neste décimo primeiro texto, centramos-nos no romance “Villa Triste”, obra de 1975, do escritor francês e Prémio Nobel da Literatura em 2014, Patrick Modiano. Há muito quem se ponha a recordar antigas férias de Verão. Há muito quem queira reviver outros tempos estivais e deles se lembre com carinho e saudade. Há também quem no presente, pretenda descobrir um sentido e significado nalgum Verão distante, no entanto, todas essas tarefas são em essência inúteis, pois o passado não pode ser decifrado ou recuperado e dele restam-nos apenas vagas impressões, meras ilusões e incertos reflexos. Em síntese, a nossa memória, por afinada que seja, é sempre um desastre. Num poema de Ruy Belo, diz-se a determinado momento o seguinte: “É triste no outono concluir que era o verão a única estação” . Este verso poderia muito bem sintetizar o livro “Villa Triste”, pois nesse romance, o período estival é vivido como se fosse um t...