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Não vamos à bola com o Nolan, mas vamos com o Homero

E lá temos novamente em 2026 um filme, que nos conta as aventuras e desventuras de Ulisses, o principal protagonista da Odisseia.  É uma experiência física e emocionalmente dolorosa, assistir ao trailer da fita. Com efeito, nada daquilo que nos é apresentado parece ter minimamente a ver com o livro escrito por Homero, tudo aparenta ser um mero espectáculo, cujo único objectivo é encher o olho a quem o vê. Christopher Nolan é conhecido por realizar películas de ficção científica e por ter dirigido várias fitas da série de Batman, sendo que desta vez se atirou à Odisseia, a épica história de Homero escrita já há uns quantos milénios. Foi pena, podia ter continuado pelo Batman, que para isso até tem jeitinho. É claro que nós não iremos ver esta nova versão cinematográfica da Odisseia, pois basta-nos olhar para o trailer, e imediatamente sabemos que o Ulisses de Christopher Nolan é uma espécie de super-herói, coisa que, o personagem original de Homero certamente não era. Na imagem mais...
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Anne Teresa de o quê…?

  Fora dos circuitos dados à cultura e mais especificamente à dança, o nome de Anne Teresa de Keersmaeker não é lá muito conhecido. Não tem por cá, pela nossa amada pátria, a celebridade de que desfrutam figuras como o Toy, o Quim Barreiros ou a Ruth Marlene. No entanto, Anne Teresa de Keersmaeker é uma autêntica lenda viva da dança moderna e, hoje em dia, já com uma certa idade, continua a ser notícia de jornal e a fazer capas de revistas tanto em Nova Iorque, como em Paris ou em Bruxelas. Aqui a vemos na imagem abaixo na capital belga, acompanhada por um rapaz, que não por acaso, tal como ela, também é coreógrafo e dançarino. É pena que, fora dos circuitos habituais culturais, Anne Teresa de Keersmaeker não seja mais conhecida e apreciada por cá, pois que a coreógrafa-bailarina tem uma profunda relação com Portugal, e com Lisboa em particular. Vejamos a esse propósito, o que ela disse numa entrevista que deu há uns quantos anos: “É difícil não cair nos lugares comuns quando se fa...

Oferecer-te-ei pérolas de chuva, vindas de um país onde nunca chove (Do sublime ao típico, do desespero ao amor e de Paris à Flandres em quatro canções)

Imaginemos um hino de amor e de desespero, em que alguém implora a outrem que não o abandone, oferecendo-lhe para tal, mundos, riquezas e até a submissão total, “Deixa-me ser sombra da tua sombra. A sombra da tua mão. A sombra do teu cão. Mas não me deixes (Laisse-moi devenir L'ombre de ton ombre. L'ombre de ta main L'ombre de ton chien. Mais Ne me quitte pas)”. Esse hino de amor e de desespero é a canção de Jacques Brel “Ne me quitte pas”. Ao longo da cantiga todos os mais fortes argumentos vão sendo invocados, por exemplo, se por um lado é certo que não raras vezes o amor arrefece com o passar do tempo, e que provavelmente foi isso o que terá sucedido neste caso, por outro lado, Brel contra-argumenta que não é impossível “O fogo irromper de novo de um velho vulcão que há muito se julgava extinto (On a vu souvent rejaillir le feu de l'ancien volcan qu’on croyait trop vieux)”. Mas a contra-argumentação da canção em desfavor do abandono vai ainda mais longe, pois o aband...

Os dias da rádio e outras histórias da América

Nós neste blog, temos muita pena de não sermos uma estação de rádio, ou pelo menos, mais que não fosse, um programa radiofónico, que se transmitisse pelas ondas hertzianas. A nós tanto nos fazia irmos por Onda Média ou por FM, o que verdadeiramente queríamos, era que as nossas palavras fossem etéreas e não tivessem sequer de ser lidas, ou seja, que entrassem pela mente de quem nos lê adentro intimamente, assim pura e simplesmente como que quase sussurradas a quem as ouvisse. A Onda Média funciona entre os 530 kHz e 1700 kHz, já a frequência modulada, o FM, opera entre os 88 MHz e os 108 MHz. Mas tudo isto, é coisa que nada nos interessa, pois que este blog move-se unicamente entre o silêncio das mudas palavras escritas e de uns quantos vídeos recolhidos no YouTube. Poderíamos ser um Podcast, mas isso é lá coisa que tenha alguma graça? Claro que não, falta-lhe a intensidade do directo, é uma mera gravação. Na verdade, é uma espécie de prato requentado, sempre pronto a ser aquecido, reaq...