Andamos obcecados por sítios extraordinários. Viajamos para ver monumentos, subimos a altas montanhas, percorremos lindas cidades e queremos contemplar os mais vastos desertos, todavia, há uma beleza silenciosa mesmo à nossa volta, em lugares que não têm absolutamente nada de especial. O que torna estes lugares belos é, paradoxalmente, o facto de não quererem ser especiais. São sítios que não pedem a nossa atenção. Estão apenas ali para a vida do dia a dia acontecer. Uma passagem pedonal subterrânea é, por definição, um lugar de transição, sem nada de especial. Ninguém vai para lá, apenas se passa por lá. Abaixo temos uma foto de uma dessas passagens, esta fica em Belém em Lisboa, e permite que se passe por debaixo da linha férrea, que separa o espaço junto ao Tejo, da praça ajardinada que está do outro lado. Há uma estranha quietude neste tipo de túneis pedonais, em que a claridade do dia desce as escadas e entra por eles adentro, no entanto, a penumbra também lá tem o seu lugar. Este...
Acima vemos uma gigantesca escultura do artista australiano Ron Mueck, a peça tem cerca de cinco metros de altura e retrata um rapaz agachado. Apesar do seu colossal tamanho, a figura masculina transmite uma profunda sensação de vulnerabilidade, medo e recolhimento. Aqui há uns poucos meses, o semanário Expresso publicou uma notícia cujo primeiro parágrafo era o seguinte: “O ministro da Educação não quer, para já, pronunciar-se sobre o alarme lançado este fim de semana por diretores de escolas, professores e associações de pais. Em causa está o aumento do discurso de ódio dentro dos estabelecimentos de ensino, em particular contra as raparigas.” Ao dia de ontem, o jornal Público publicou uma notícia com este título: “A manosfera deve ser tratada como um problema de saúde pública, dizem investigadores”. Ainda bem, recentemente, nós, os que aqui escrevemos, não fazíamos a mais leve ideia de que coisa fosse a manosfera, por acreditarmos que haja muito boa gente que também desconheça tal t...