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Posso dizer a frase?

  Que discos levaríamos para uma ilha deserta? Esta é uma questão que lateralmente atravessará todo este texto. Todavia, não lhe vamos dedicar nem mais uma palavra, quanto mais uma frase. Vamos sim falar de música.   Surgiu por inícios da década de 60 do século XX e durou até meados dos anos 80, um programa na rádio que se chamava “Quando o telefone toca”. O conceito era simples, os ouvintes telefonavam, diziam o seu nome, pediam um disco e por vezes dedicavam-no a alguém. O disco pedido tocava, vinha um outro telefonema, outro disco pedido tocava, e assim sucessivamente.   Quem telefonava eram gentes das mais diversas idades, terras e classes sociais, e assim sendo, tanto podia tocar o último sucesso em voga como um fado muito antigo. Não havia qualquer critério ou seleção musical, excepto o que era consequência das escolhas dos ouvintes. O programa era patrocinado por uma marca ou estabelecimento comercial, e havia uma frase publicitária simples a decorar e ...

O bom, o mau é o vilão.

Quem escreveu num muro “NUNCA DESI” e desistiu antes do fim, provavelmente quereria escrever “NUNCA DESISTAS”. Ou se calhar não, talvez quem o tenha escrito, o fizesse intencionalmente e quisesse desse modo demonstrar a quem o lesse, que ser incoerente tem a sua graça..   Um dos mais surpreendentes temas surgidos nesta atual campanha eleitoral, no que à educação concerne, foi o facto de se ter começado publicamente a debater, onde é que certos políticos têm os seus filhos a estudar, se na escola pública ou na privada.  Nesse contexto, nos últimos tempos, houve determinados políticos que foram acusados de serem incoerentes, por defenderem com unhas e dentes o ensino público e, simultaneamente, terem os seus próprios filhos a estudar em escolas privadas.   Ao que se diz, se um político defende a escola pública, para ser coerente com essa sua posição, não poderá ter os seus filhos a frequentar o ensino privado, pois caso os tenha, mais não será que um mero hipócrita....

Quem está no convento é que sabe o que lá vai dentro.

Decameron é um livro de contos escrito por Boccaccio em 1353. A obra é considerada um marco literário, pois assinala a ruptura com a moral medieval, na qual se valorizava o amor espiritual, e o início do realismo, quando se passou a dar mais valor às coisas terrenas. Há um episódio muito ilustrativo disso mesmo, que nos conta a história de Masetto da Lamporecchio, um jovem que se finge mudo, para poder trabalhar como jardineiro num convento de freiras. As religiosas, que são nove, aproveitando-se do facto de ele não falar, usam-no para satisfazer as suas necessidades. Por fim Masetto fala. A Madre Superior também queria ser satisfeita, só que o jovem estava estafado e queixou-se à madre da insaciabilidade das freiras. A Madre Superior declara então o facto de Masetto falar, um milagre, de modo a o manter no convento. Em 1971 Pier Paolo Pasolini realizou uma adaptação cinematográfica de alguns dos contos de Decameron, o filme venceu o Grande Prémio do Júri no Festival de Berlim desse an...

O que as pontes nos ensinam.

A imagem acima é de uma ponte no Vietname e faz-nos pensar, que nunca como agora, o mundo pareceu precisar tanto de pontes. Há países em guerra, gente que se insulta continuamente na internet, políticos que não conseguem estabelecer os mais leves consensos e vizinhos que nem sequer se olham de frente.   Até em Portugal isso se sente. As discussões parecem subir de tom e a vontade de ser racional e encontrar pontos que a todos nos unam, parece estar esgotada. Os sintomas que algo vai mal estão por todo o lado e, assim sendo, a única solução é reaprendermos o que nos ensina a linguagem das pontes.   Apesar deste panorama, não há porque se ser pessimista, pois enquanto pontes houver, para as quais possamos olhar, tarde ou cedo havemos de perceber o que nos dizem.   Há quem vá ver o mar para se encontrar, há quem contemple uma montanha para se perceber, há também quem se vislumbre numa obra de arte ou num outro alguém, mas seja qual for o caso, o certo é que há se...