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A mostrar mensagens com a etiqueta 25 de Abril

A contra revolução faz-se de queques e betos, e também de cuecas!

O 25 de Abril é também uma questão de estilo. Chega a ser cómico, e simultaneamente algo enternecedor, ver como os cantadores dos tempos de Abril eram sérios e levavam a peito os seus ideais revolucionários e, mais do que isso, observar igualmente o estilo e o modo intenso como os cantavam. Quase custa a crer, ao dia de hoje, que noutros tempos alguém entoasse com toda a seriedade e entusiasticamente versos como os seguintes: “A cantiga é uma arma/ De pontaria/ A cantiga é uma arma/ Contra a burguesia / Tudo depende da bala / E da pontaria / Tudo depende da raiva / E da alegria /A cantiga é uma arma/ Contra a burguesia.” A esse propósito, veja-se por exemplo, as imagens do vídeo mais abaixo, uma festa de São Martinho na Golegã em Abril de 1974, na qual o colectivo musical Vozes na Luta interpreta precisamente esse tema, “A Cantiga é uma Arma”. Vendo o vídeo, verifica-se que para além do entusiasmo e seriedade, os cantadores possuíam também gadelhas levemente despenteadas e apresentavam...

As crianças do presente e as do passado, retratos

As fotografias olham para nós desse lugar distante que é o passado. Por mais recente que seja o passado, ele fica infinitamente longe. Tanto assim é, que mesmo que quiséssemos tão-somente regressar ao dia de ontem, jamais o conseguiríamos. No entanto, há uma excepção a essa dura lei, a saber, a fotografia. Uma fotografia olha-nos desde o passado e restitui-nos o que já lá vai em nítidas imagens. Fá-lo de um modo absolutamente fulgurante e evidente, ou seja, de uma forma tal, que nem a mais clara e exacta das memórias alguma vez conseguiria. A fotografia é uma espécie de fantasmagoria, pois o que vemos são imagens do passado, ou seja, do que já não existe. O que observamos numa foto são instantes retirados ao tempo, momentos que, como por magia, ficaram em suspenso para sempre. Se pensarmos bem nisso, a fotografia não é uma coisa compreensível, dir-se-ia até que se assemelha à feitiçaria. Com efeito, como é possível que se consiga congelar para a eternidade um mero segundo? Como é críve...

Estamos num momento extremamente importante, assustador até, acho que chegámos ao clímax (primeira parte)

A frase que dá título a este texto, foi dita em direto por um repórter da RTP, no momento em que acompanhava os acontecimentos no Largo do Carmo, no dia 25 de abril de 1974. “Estamos num momento extremamente importante, assustador até, acho que chegámos ao clímax” , ouve-se logo no início de um filme recente, de 2022, que nos dá a ver imagens e nos põe a escutar sons da nossa história, da que vai desde 1965 até 2005. Foi em 2022 que estreou nos cinemas, um filme que não arrastou multidões para as salas, mas que no entanto urgia ser visto e ouvido pelo maior número de portugueses possível. Nele conta-se a história de quatro décadas de Portugal, através da história da sua maior companhia de dança, o Ballet Gulbenkian. É esta arrojada proposta que Marco Martins, o realizador, nos apresenta no seu documentário “Um corpo que dança”, onde acompanha o Ballet Gulbenkian (e o país) desde a sua fundação, em 1965, até à sua extinção, em 2005. À partida poderá parecer estranho que quatro décadas d...