O 25 de Abril é também uma questão de estilo. Chega a ser cómico, e simultaneamente algo enternecedor, ver como os cantadores dos tempos de Abril eram sérios e levavam a peito os seus ideais revolucionários e, mais do que isso, observar igualmente o estilo e o modo intenso como os cantavam. Quase custa a crer, ao dia de hoje, que noutros tempos alguém entoasse com toda a seriedade e entusiasticamente versos como os seguintes: “A cantiga é uma arma/ De pontaria/ A cantiga é uma arma/ Contra a burguesia / Tudo depende da bala / E da pontaria / Tudo depende da raiva / E da alegria /A cantiga é uma arma/ Contra a burguesia.” A esse propósito, veja-se por exemplo, as imagens do vídeo mais abaixo, uma festa de São Martinho na Golegã em Abril de 1974, na qual o colectivo musical Vozes na Luta interpreta precisamente esse tema, “A Cantiga é uma Arma”. Vendo o vídeo, verifica-se que para além do entusiasmo e seriedade, os cantadores possuíam também gadelhas levemente despenteadas e apresentavam...
Como na canção de Ella Fitzgerald, nos Guiões de Aprendizagem que por aqui vamos publicando, queremos ser multidisciplinares, interdisciplinares e transdisciplinares. Mas também falamos de pássaros, de abelhas e até de pulgas. Viajamos desde a vizinha Espanha à longínqua Lituânia. Desde a gélida Finlândia até à ardente Argentina. Let's do it!