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A mostrar mensagens com a etiqueta Tejo

Uma balada desde a velha à nova Lisboa

Lá para a zona leste de Lisboa, logo ali a seguir a Santa Apolónia, há lugares antigos da cidade que poucos conhecem ou sabem sequer que existem. Entre esses, destaca-se o edifício da Estação Elevatória dos Barbadinhos, hoje em dia Museu da Água.   A primeira coisa que certamente causará uma certa estranheza, é o facto da estação elevatória se chamar “dos Barbadinhos”, nome idêntico ao de uma íngreme calçada ali próxima, que desce lá do alto da Graça até praticamente à beira Tejo.   O nome barbadinhos tem a ver com uns frades italianos que por ali assentaram arraiais no século XVIII e com o convento que por esses lugares existia, no qual estiveram recolhidos esses monges de longas barbas, que o povo lisboeta de então apelidou de barbadinhos.   Por consequência de tudo isso, tal designação apegou-se a esses sítios até aos dias de hoje. A Estação Elevatória dos Barbadinhos foi durante o século XIX e o início do XX, o local onde se efectuava a distribuiçã...

A poesia já não é o que era

Falávamos ontem neste blog sobre o que cantam os poetas de agora, os atuais. É certo que os poetas de outros tempos, como por exemplo Camões, cantavam as grandes gestas heróicas dos navegantes lusitanos, ou então vagas tristezas como fazia Cesário Verde, que um dia escreveu os seguintes versos:   Nas nossas ruas, ao anoitecer, Há tal soturnidade, há tal melancolia, Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.   Todavia, os poetas de hoje cantam o mundo em que vivemos, no qual já não há mares nunca dantes navegados nem feitos maiores do que prometia a força humana, como se dizia na primeira estrofe do Lusíadas.   Na poesia atual até mesmo a melancolia e a tristeza já não são o que eram. Intensos lamentos, colossais alegrias, profundas exaltações e pungentes sofrimentos são coisas de antigamente. Na poesia de hoje em dia é tudo muito mais prosaico, tal e qual é o nosso mundo atual.   O facto é que as mus...

Vistas curtas e vistas largas

Há quem goste de ser radical e só veja um lado das coisas. No nosso entender, as posições extremadas revelam sempre as vistas curtas de quem as defende. Há quem tente ver as coisas de diferentes perspectivas, o que também no nosso entender, demonstra as vistas largas de quem assim o faz.   Vem isto a propósito de uma exposição dedicada ao plástico que está atualmente patente no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) em Lisboa. Relativamente ao plástico, há quem o diabolize, mas também há quem o adore e o use por tudo e por nada. Ambas as posições revelam vistas curtas. O plástico permite-nos realizar coisas magníficas, mas o abuso do seu uso é causa de grandes catástrofes ambientais. Não deveria ser difícil conciliar estes dois pontos de vista, mas pelos vistos é. Há indústrias ávidas de lucro que se radicalizam na defesa do plástico e há ambientalistas mais radicais que exigem a sua completa abolição. Ninguém ouve ninguém, ignoram-se uns com outros e daí não passam...

Só nós e alguns vadios te queremos, ó Tejo

  Há por esse país afora uma corrente pedagógica, segundo a qual as aprendizagens seriam tão mais significativas, quanto o currículo de cada escola estivesse adaptado à realidade económica do local onde se situa. Neste sentido, ao dia de hoje, no Algarve  haveria   um currículo em cujo turismo fosse o tema central, na Serra da Estrela  seria   a pastorícia e na região do Douro era   o vinho o que mais importava. Não discordamos totalmente da ideia. Em boa verdade, gostamos de ir a banhos ao Algarve, de saborear um bom queijo da serra e consideramos que uma pinga de vinho nunca fez mal a ninguém. Consequentemente, se a escola puder contribuir para que as atividades locais prosperem e sejam fonte de riqueza e desenvolvimento das populações, por nós, tudo a favor. Dito isto, ainda bem que somos de Lisboa.  E ainda bem porquê? Não por termos um qualquer complexo de superioridade relativamente à província, não é disso que se trata, as nossas razões são poé...