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Tentaste, falhaste miseravelmente, a lição a retirar é nunca mais voltes a tentar (Homer Simpson)

De quando em vez, deparamo-nos com uma passagem supostamente de cariz motivacional, em que se reza assim: “ Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor ”.  O autor deste excerto é o dramaturgo Samuel Beckett (1906-1989) e, ou muito nos enganamos, ou há um enorme equívoco no atual e recorrente uso que muitos fazem dessas suas palavras.   Com efeito, basta que façamos uma breve pesquisa na internet, para percebermos que essas palavras de Beckett, “Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor”, têm sido usadas em todo o tipo de formações profissionais, sessões grupais e terapias psico-emocionais, como se fossem uma espécie de incentivo ou de encorajamento.   Seja o ambicioso gestor que tem tentado subir na vida sem grande sucesso mas que não desiste, a criança com dificuldades de aprendizagem, o rapaz com problemas de auto-estima pois as meninas não lhe ligam, a jovem que possuiu talento para artista mas tarda em ser reconhecida, a senhora de meia-idade que and...

Que grande artista me saíste!

  A História da Arte fala-nos das coisas do passado. Daquelas coisas que se podem ver ao desfolhar uma enciclopédia ou ao visitar um museu. Contudo, a arte propriamente dita, não a sua história, renasce de cada vez que alguém se detém a olhar para as coisas presentes no mundo e as regista. Pode registá-las desenhando-as com um lápis ou pintando-as com tintas e pincéis numa tela. Pode igualmente fazê-lo, simplesmente fotografando-as. A arte revive e renasce de cada vez que alguém assim o faz, ou seja, que alguém desenha, pinta ou fotografa. Quando assim é, é como se subitamente nascesse um novo olhar sobre as velhas coisas do mundo e estas rejuvenescessem. A arte nasce desse olhar renovado que pára e se detém sobre as coisas de sempre . Quando não nos limitamos a passar pelas coisas sem vagar nem atenção, quando verdadeiramente detemos o nosso olhar e vemos, parece que afinal são as coisas de sempre , as que mais nos importam.   Coisas tão de sempre , como os frut...

A vida é um jogo. Os dados estão lançados...

Aqui há uns dias, assistimos a um episódio que se inicia com uma mãe e a sua filha a entrarem numa papelaria. A mãe andaria pelos trinta, a filha teria sete ou oito anos. A filha vê no escaparate um livro do capuchinho vermelho e pede à mãe para o comprar. A mãe acede prontamente ao pedido da filha. A verba a despender é mínima e, a avaliar pelo aspeto, nem mãe nem filha aparentam pertencer a uma família com a menor dificuldade financeira. Subitamente, já com o dinheiro na mão, a mãe hesita. Durante uns segundos parece meditar e acaba por recuar na sua decisão. Recusa-se a comprar o livro. No rosto da filha há desilusão. Entre os clientes da papelaria, há quem abane a cabeça em sinal de desaprovação. A mãe justifica-se perante os presentes e diz: " Lembrei-me da história, é demasiado violenta."   Lemos alguma imprensa internacional e percebemos que há um profundo mal-estar emocional em muitas escolas de vários países europeus. Os sintomas desse mal-estar emocional, já e...

Memórias de uma menina mal comportada

  Falamos-vos hoje de alguém que já nasceu destinada a estar sob o olhar dos outros, no entanto, soube libertar-se e aprender a ser ela a olhar. Falamos-vos da filha de um grande magnata britânico da indústria têxtil. Uma menina que nasceu em 1917 e frequentou os mais prestigiados colégios católicos ingleses de onde foi repetidamente expulsa. Na verdade, as religiosas dos colégios foram as primeiras a terem-na debaixo de um atento olhar, apesar disso, ela acabava sempre por se escapulir para o “seu mundo”. Durante as aulas, abstraía-se, desenhava e escrevia o que lhe passava pela imaginação. As religiosas não a compreendiam e consideravam-na demasiado criativa, consequentemente, expulsavam-na.   Como todos sabemos, a criatividade nunca foi, e ainda hoje não é, uma coisa muito bem vista nos setores educacionais de cariz mais conservador. À semelhança do que sucedeu a tantos outros, seria a inadaptação às exigências da escola e ao castrador olhar das religiosas, o que...

Tristes breves nossas vidas, diz-se numa canção

  Nos últimos anos, as escolas portuguesas não conseguiram resistir à invasão cultural e comercial vinda da América do Norte e, como a restante população, sucumbiram a tradições festivas que, para nós, pouco ou nada significam. Há uns poucos meses comemorou-se o Halloween por quase todas as escolas deste país e, no passado dia 14 de fevereiro, foi a vez do Valentine's Day. Já só nos falta começarmos a comemorar o dia nacional norte-americano, o 4 de julho. Mais cedo que tarde, havemos de lá chegar.   Tudo isto num país onde cerca de 50% dos portugueses desconhece a razão pela qual o dia 1 de dezembro é feriado nacional. A reportagem emitida pela SIC Notícias em 1 de dezembro de 2022, é muito ilustrativa acerca desse ponto, ou seja, acerca de não sabermos quem somos:   https://sicnoticias.pt/pais/2022-12-01-Sabe-o-que-se-comemora-no-1-de-Dezembro--4bafe250   Festejar o que nos é estrangeiro e só pela rama conhecemos o seu significado, é festejar um vazio...