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Tentaste, falhaste miseravelmente, a lição a retirar é nunca mais voltes a tentar (Homer Simpson)



De quando em vez, deparamo-nos com uma passagem supostamente de cariz motivacional, em que se reza assim: “Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor”. 

O autor deste excerto é o dramaturgo Samuel Beckett (1906-1989) e, ou muito nos enganamos, ou há um enorme equívoco no atual e recorrente uso que muitos fazem dessas suas palavras.

 

Com efeito, basta que façamos uma breve pesquisa na internet, para percebermos que essas palavras de Beckett, “Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor”, têm sido usadas em todo o tipo de formações profissionais, sessões grupais e terapias psico-emocionais, como se fossem uma espécie de incentivo ou de encorajamento.

 

Seja o ambicioso gestor que tem tentado subir na vida sem grande sucesso mas que não desiste, a criança com dificuldades de aprendizagem, o rapaz com problemas de auto-estima pois as meninas não lhe ligam, a jovem que possuiu talento para artista mas tarda em ser reconhecida, a senhora de meia-idade que anda entediada, o homem maduro com dificuldades de ereção ou os casais com regulares dilemas conjugais, o certo é que a todos esses e a muitos mais, são-lhes agora repetidas as palavras de Samuel Beckett, como se estas fossem um mantra: “Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor”.

 

Pelos vistos, esta passagem de Beckett é abundantemente usada como sendo motivacional, ou seja, presumivelmente servirá para encorajar aqueles que por alguma razão falharam a tentarem novamente, a acreditarem que da próxima vão falhar melhor, e que, persistindo, com coragem, ânimo e determinação, tarde ou cedo, vão conseguir atingir os seus intentos. Nós não queremos ser desmancha-prazeres nem desmoralizar ninguém, mas a nosso ver, “Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor” não quer dizer nada disso. Abaixo um retrato de Samuel Beckett.

 


É provável que daqui a uns quantos séculos, quando se falar da literatura da nossa época, um dos poucos nomes que ainda alguém recorde seja o de Samuel Beckett. É tal e qual como agora, pois fora os estudiosos, os eruditos e as pessoas particularmente cultas, nós, os atuais e simples mortais, dos múltiplos séculos de literatura grega clássica, recordamos tão-somente dois ou três nomes, como por exemplo, Homero, Platão e uns pouco mais.

 

De entre a Idade Média e a Renascença ficou o nome de Dante, e de lá mais para a frente no tempo, sabemos quem foram Camões, Shakespeare e Cervantes. De todos os restantes que escreveram, deixaram obra e foram famosos na sua era, poucos mais conhecemos. Todos esses esquecidos escritores outrora conhecidos e ilustres, são hoje em dia um assunto quase exclusivo de especialistas em história ou em literatura, sendo que alguns nem isso.

 

Em síntese, em nosso entender, daqui a uma meia dúzia de séculos, ou se calhar nem tanto, um dos poucos nomes que as pessoas comuns de então conhecerão de toda a literatura do nosso tempo, será o de Samuel Beckett.

 

Significa isto, que Samuel Beckett conseguiu captar na sua escrita, como quase ninguém mais, o espírito da sua época. Foi um dos fundadores do chamado teatro do absurdo, contudo, para lá das definições, das classificações e dos clichés prontos a servir em que o possamos encaixar, o seu verdadeiro génio foi o de ter sabido dizer através da sua escrita, qual é a essência do nosso atual modo de viver.

 

A sua mais conhecida obra é uma peça, essa que há de ser representada pelos séculos vindouros, a saber, “À espera de Godot”.

 


Numa estrada perdida, junto a uma árvore, duas personagens sem eira nem beira, Estragão e Vladmir, entretêm-se a falar sobre tudo e mais um par de botas. As suas conversas ora são sérias e profundas, ora são ridículas e banais.

Ambos esperam ansiosamente e carregados de esperança por alguém, um desconhecido, que parece estar sempre prestes a chegar, mas que na realidade acaba por nunca aparecer, o seu nome é Godot.

 

Para quem quiser ter uma ideia mais concreta desta peça, aqui fica uma Ted Lesson, que tudo explica nuns breves cinco minutos:

 



Vladimir e Estragão esperam que Godot venha e lhes traga um sentido e um propósito para as suas vidas, ou seja, aguardam que chegue o dia em que não mais precisem de esperar. 

Vladimir e Estragão tentam e voltam repetidamente a tentar encontrar um rumo e um significado para as suas existências, falham continuamente e a única coisa que lhes resta é somente a espera.

 

Estar continuamente à espera, é na verdade a essência deste nosso tempo, esse que vai de meados do século XX à atualidade.

 

Basta que saiamos de manhã para a rua para o percebermos, há imensa gente à espera do autocarro, do metro ou do comboio, há quem esteja à espera nas filas de trânsito, chega-se ao emprego e espera-se que o dia acabe depressa para se voltar a esperar nas filas de trânsito, do autocarro, do metro ou do comboio. Depois espera-se pelo jantar e logo após pela hora de ir dormir, para no dia seguinte tudo se repetir.

 

Nesse entretanto, espera-se também pelo fim-de-semana ou pelas férias que hão de vir, isto até chegar o momento de se começar a esperar pela reforma, para uma vez lá chegados, se esperar por uma consulta geriátrica ou por uma vaga num lar da terceira idade.

 

Desde pequeno que se espera, mais que não seja por um lugar na creche e, mais tarde, quando se cresce, espera-se então entrar para a universidade. Depois disso, espera-se por um emprego para que posteriormente se possa esperar pelo autocarro, pelo metro, pelo comboio ou nas filas de trânsito. Isto a fim de que, no final de cada jornada, se possa voltar a esperar para regressar a casa, esperar pelo jantar e pela hora de ir dormir e, no dia seguinte, tudo se repetir.

 

Enfim, tal como Estragão e Vladimir, também nós estamos ininterruptamente à espera de um Godot que nos traga um sentido e um propósito, todavia, dia a dia constamos que ele nunca chega, e o mais que fazemos é continuar à espera.



É claro que esperamos literalmente em filas e em listas de espera, mas também andamos continuamente à espera do melhor que há de vir. Trabalhamos, tentamos e esperamos obter uma promoção. Jogamos, tentamos e esperamos que nos saia a sorte grande ou o primeiro prémio na lotaria. Procuramos, tentamos e esperamos pelo tal ou pela tal que corresponderá ao nosso ideal, e igualmente pelo dia perfeito e pelo tempo em que possamos finalmente dizer “sou feliz”.

 

No fundo, desde a fila de trânsito que não avança até à eterna busca pela felicidade, tudo nas nossas vidas é espera. O mesmo é dizer, vivemos permanentemente na expectativa de que Godot um dia apareça, e que por fim, a nossa existência tenha um sentido e um propósito, e que não mais precisemos de continuar à espera.

 

Por tudo o que já foi dito acerca da peça “À espera de Godot”, temos a certeza que quem nos lê, já estará desconfiado que a passagem de Samuel Beckett que inicialmente citámos, “Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor”, não é propriamente otimista nem de cariz motivacional, contrariamente ao que muitos parecem julgar.

 

Com efeito, tal excerto faz parte de um texto de 1983 que se intitula “Worstward Ho”, sendo que, uma tradução possível para esse título seria “De mal a pior”. Por aqui se adivinha, que caso Samuel Beckett ainda fosse vivo e pudesse verificar que a sua passagem “Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor” é atualmente utilizada em formações profissionais, em sessões grupais e em terapias como uma mensagem motivacional e de encorajamento, imediatamente riria às gargalhadas, pois constataria que a compreenderam mal, para não dizer que a entenderam exatamente ao contrário.

 


Para explicitar melhor o nosso ponto, vejamos uma outra famosa peça de Samuel Beckett, “A última gravação de Krapp”. A história é simples, tudo se passa no dia do sexagésimo nono aniversário de Krapp e Krapp está na cabeça de Krapp que está na cabeça de Krapp e assim sucessivamente para trás e para a frente.

 

Dito de outra maneira, o que acontece é que Krapp recorre a um gravador para, em cada um dos seus aniversários, gravar as suas reflexões sobre a vida e fazer o resumo do seu ano. Nesses momentos, Krapp não só faz uma nova gravação, como também escuta as gravações que fez em anos anteriores, algumas delas de há um longo tempo.

 

Liga, desliga e volta a ligar, rebobina e/ou avança a fita, demorando-se em algumas passagens e elidindo outras. Ao longo da peça as memórias são descontínuas e a voz gravada no passado confunde-se com a atual. O que já lá vai mistura-se com o presente, e ficamos com a sensação que a vida de Krapp afinal mais não é do que a escuta que a voz faz de si mesma.

 

Bem vos tínhamos dito que a história era simples, mas para a eventualidade de alguém a não ter percebido, aqui fica o resumo;

 



O que Krapp descobre é que a sua vida foi uma longa sucessão de tentativas e fracassos e que, de cada vez que voltava a tentar, voltava também a falhar. Pior ainda, falhava melhor, ou seja, a sensação de fracasso intensificava-se e agudizava-se cada vez mais.

 



Krapp começou por ser um jovem idealista cheio de sonhos, mas depois tudo isso se foi desvanecendo, e agora, em velho, parecem-lhe ridículas todas essas antigas ilusões da sua juventude.

Olhando para Krapp, sabemos que a passagem de Samuel Beckett “Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor”, não é de modo algum otimista e motivacional, mas sim a constatação de que, e em última análise, todos acabamos sempre por falhar.

 

Por mais bem sucedidos que possamos ser na vida, nunca conseguiremos ser tudo o que desejávamos ser, e jamais se cumprirão toda a imensidão de sonhos, ambições e ilusões que tínhamos em jovens, por mais tentativas que façamos para os concretizar.

 

No fundo, é essa a essência da nossa época, podemos esperar por tudo e por nada, sabendo de antemão que o mais certo é fracassarmos. 

Dito isto, parece-nos que fica claro que "Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor”, não é uma mensagem motivacional e de encorajamento, mas sim uma constatação.

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