Como na canção de Ella Fitzgerald, nos Guiões de Aprendizagem que por aqui vamos publicando, queremos ser multidisciplinares, interdisciplinares e transdisciplinares.
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A alma de Portugal cheira a peixe - Capítulo IV e final
Para terminarmos esta nossa série de textos dedicados à alma de Portugal, vamos ser simultaneamente peixeiros, poéticos e populares. Todavia, não o seremos necessariamente por esta ordem, ou seja, iremos efabular acerca desta tríade de assuntos, peixes, poemas e uma música popular, mas sem estabelecermos qualquer hierarquia entre esses três temas.
Poder-se-ia bem dizer que temos um triângulo de temáticas, ou seja, uma figura geométrica com três lados iguais e os respectivos vértices onde cada uma das linhas se encontra com as restantes.
Significa isto, entre outras coisas, que hoje nos vamos concentrar na poesia nacional, no peixe fresco e numa canção popular, uma trindade que a nosso ver, reflecte plenamente a alma portuguesa.
Comecemos por um dos vértices do dito triângulo temático, a saber, o que une peixe e poesia. Bem sabemos que nesta nossa amada pátria, há quem seja muito intelectual e que, por consequência disso, não goste de misturar poesia com peixe. Para a fina intelectualidade nacional, a poesia acompanha bem com arte ou filosofia, e não propriamente com chicharros, xaputas ou jaquinzinhos.
Todavia, nós não somos assim, e portanto tanto nos pomos a falar de estética, de metafísica ou de poesia, como igualmente nos pomos a dissertar acerca do pescado vindo da lota, da praça ou do mercado.
Em nosso entender, entre poesia, arte, estética e peixaria, não há assim diferenças tão significativas como alguns pretendem que haja.
Em boa verdade, estamos capazes de com audácia afirmar, que quem não tem sensibilidade para sardinhas, carapaus, besugos ou corvinas, também pouco a terá para Pessoa, Sophia, Amadeo, Cesariny ou Camões.
A bem dizer, os nossos tópicos favoritos na vida, são mesmo as questões estéticas-filosóficas e poéticas, e também as matérias próprias do fórum das antigas varinas, que são as mesmas do fórum das actuais peixeiras.
Em resumo, tanto gostamos de conversar acerca de Kierkegaard, Schopenhauer, Camões, Pessoa ou Sophia, como adoramos debater se o peixe é fresco, e se dá para uma boa caldeirada ou parrilhada, sendo este último um prato onde se combina espécies piscatórias como o robalo, a dourada, o salmão ou o peixe-espada, com mariscos como camarão, lagostins, ou lulas, sendo tudo grelhado em brasa e temperado com azeite, limão e sal grosso, e acompanhado com batatas a murro e legumes salteados.
Para nós, a sabedoria da D. Alzira, que tem banca posta no mercado do peixe, e aconselha a freguesia a que o pescado seja comido assado, cozido ou frito, é tão grandiosa, válida e fixe como a do Friedrich Nietzsche.
Em conclusão, para quem como nós queira inquirir o significado e sentir da alma portuguesa, peixe ou poesia, vai dar tudo ao mesmo.
Mas onde é que se encontra o peixe mais sublime, poético e fresco do país? A resposta é simples, ou bem que em Setúbal no lindo Mercado do Livramento, ou bem que nas praças e mercados do Algarve.
Abaixo uma foto do bonito mercado de Setúbal, todo ele ornamentado com belos azulejos em tons de azul. Azulejos tão azuis como esse mar azul por onde nadam os peixes, e que se espraia e estende de norte a sul da nação. Esse mar atlântico, que desde sempre é o mais nítido espelho e reflexo da alma de Portugal.
Sim, se o Atlântico sempre foi um espelho e reflexo da alma de Portugal, porque razão não o serão também os peixes que nele nadam e dele vêm para as lotas, praças e mercados desta nossa terra?
Sim, a alma de Portugal não se espelha só no mar, reflecte-se também e muito poeticamente nas lotas, praças e mercados de peixe. Para o provarmos, dediquemos agora um tempo à escrita de Sophia de Mello Breyner. Atentemos num texto em que ela nos descreve uma ida ao Mercado de Lagos, nesse quente e doce Algarve de outros tempos:
“Vais pela estrada que é de terra amarela e quase sem nenhuma sombra. As cigarras cantarão o silêncio de bronze. À tua direita irá primeiro um muro caiado que desenha a curva da estrada. Depois encontrarás as figueiras transparentes e enroladas; mas os seus ramos não dão nenhuma sombra. E assim irás sempre em frente com a pesada mão do Sol pousada nos teus ombros, mas conduzida por uma luz levíssima e fresca. Até chegares às muralhas antigas da cidade que estão em ruínas. Passa debaixo da porta e vai pelas pequenas ruas estreitas, direitas e brancas, até encontrares em frente do mar uma grande praça quadrada e clara que tem no centro uma estátua. Segue entre as casas e o mar até ao mercado que fica depois de uma alta parede amarela. Aí deves parar e olhar um instante para o largo pois ali o visível se vê até ao fim. E olha bem o branco, o puro branco, o branco da cal onde a luz cai a direito. Também ali entre a cidade e a água não encontrarás nenhuma sombra; abriga-te por isso no sopro corrido e fresco do mar. Entra no mercado e vira à tua direita e ao terceiro homem que encontrares em frente da terceira banca de pedra compra peixes. Os peixes são azuis e brilhantes e escuros com malhas pretas. E o homem há-de pedir-te que vejas como as suas guelras são encarnadas e que vejas bem como o seu azul é profundo e como eles cheiram realmente, realmente a mar. Depois verás peixes pretos e vermelhos e cor-de-rosa e cor de prata. E verás os polvos cor de pedra e as conchas, os búzios e as espadas do mar. E a luz se tornará líquida e o próprio ar salgado e um caranguejo irá correndo sobre uma mesa de pedra. À tua direita então verás uma escada: sobe depressa mas sem tocar no velho cego que desce devagar. E ao cimo da escada está uma mulher de meia idade com rugas finas e leves na cara. E tem ao pescoço uma medalha de ouro com o retrato do filho que morreu. Pede-lhe que te dê um ramo de louro, um ramo de orégãos, um ramo de salsa e um ramo de hortelã. Mais adiante compra figos pretos: mas os figos não são pretos mas azuis e dentro são cor-de-rosa e de todos eles corre uma lágrima de mel. Depois vai de vendedor em vendedor e enche os teus cestos de frutos, hortaliças, ervas, orvalhos e limões. Depois desce a escada, sai do mercado e caminha para o centro da cidade. Agora aí verás que ao longo das paredes nasceu uma serpente de sombra azul, estreita e comprida. Caminha rente às casas. Num dos teus ombros pousará a mão da sombra, no outro a mão do Sol. Caminha até encontrares uma igreja alta e quadrada. Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível.”
Aqui chegados, cremos que já não existirão dúvidas de que em Portugal a poesia e a peixaria são coisas afins, e que ambas são de igual modo um reflexo da alma nacional. Ainda assim, e se dúvidas restarem, é ler o poema abaixo de Adília Lopes:
Escrever um poema
é como apanhar um peixe
com as mãos
nunca pesquei assim um peixe
mas posso falar assim
sei que nem tudo o que vem às mãos
é peixe
o peixe debate-se
tenta escapar-se
escapa-se
eu persisto
luto corpo a corpo
com o peixe
ou morremos os dois
ou nos salvamos os dois
tenho de estar atenta
tenho medo de não chegar ao fim
é uma questão de vida ou de morte
quando chego ao fim
descubro que precisei de apanhar o peixe
para me livrar do peixe
livro-me do peixe com o alívio
que não sei dizer
Com toda a certeza, não haverá nenhum outro poeta ou poetisa por todos esses países que há no mundo, que tenha dito, que “escrever um poema é como apanhar um peixe”.
Com efeito, tal só poderia suceder em Portugal, o que nos leva à indiscutível conclusão, que a alma portuguesa é um misto de peixe e poesia, ou seja, uma espécie de caldeirada.
Sendo a alma portuguesa uma mistura de peixe e poesia, poder-se-á dizer que um poeta é um pescador e vice-versa. Na verdade, foi isso mesmo que Manuel Alegre disse nestes seus versos:
Eu pescador que pesco por um instinto antigo
e procuro não sei se o peixe se o desconhecido
e lanço e recolho a linha e tantas vezes digo
sem o saber o nome proibido.
Eu de cana em punho escrevo o inesperado e leio na corrente o poema de Heraclito ou talvez o segredo irrevelado que nunca em nenhum livro será escrito.
Eu pescador que tantas vezes faço a mim mesmo a pergunta de Elsenor e quais águas que passam sei que passo sem saber resposta. Eu pescador.
Ou pecador que junto ao mar me purifico lançando e recolhendo a linha e olhando alerta o infinito e o finito e tantas vezes fico como o último homem na praia deserta.
Eu pescador de cana e de caneta que busco o peixe o verso o número revelador e tantas vezes sou o último no planeta de pé a perguntar. Eu pescador.
Eu pecador que nunca me confesso senão pescando o que se vê e não se vê e mais que o peixe quero aquele verso que me responda ao quando ao quem ao quê.
Eu pescador que trago em mim as tábuas da lua e das marés e o último rumor de um nome que alguém escreve sobre as águas e nunca se repete. Eu pescador.
Espantosamente, há até um célebre poema português que nos fala de um mero cherne. Certamente que ninguém terá dúvidas, que só por cá algum poeta se lembraria de se pôr a escrever poesia para a dedicar a um tão banal peixe.
“Sigamos o cherne" é um poema de Alexandre O'Neill, que usa o dito peixe como metáfora para a autenticidade da vida e para a crueza da realidade. O poema apela a que se abrace a existência com "alegria" antes que esta se transforme num peixe "morto" e fique “a boiar ao lume de água".
Sigamos o cherne, minha amiga! Desçamos ao fundo do desejo Atrás de muito mais que a fantasia E aceitemos, até, do cherne um beijo, Senão já com amor, com alegria… Em cada um de nós circula o cherne, Quase sempre mentido e olvidado. Em água silenciosa de passado Circula o cherne: traído Peixe recalcado…
Sigamos, pois, o cherne, antes que venha, Já morto, boiar ao lume de água, Nos olhos rasos de água, Quando mentido o cherne a vida inteira, Não somos mais que solidão e mágoa…
Crendo que ficou evidente a íntima relação que existe na alma portuguesa entre poesia e peixe, vamos então terminar com uma música popular, o terceiro assunto que anunciámos no início deste texto.
As mulheres da Nazaré, aquelas que na praia, junto ao mar, aguardavam que os seus maridos, pais e filhos regressassem da pesca à terra, sempre foram um ícone da alma portuguesa. Muitos foram os grandes fotógrafos internacionais que as retrataram, como se nessas imagens se revelasse a alma portuguesa. Abaixo uma foto do checo Josef Koudelka.
É sabido que as mulheres da Nazaré usam sete saias, número que tem um alto significado poético, místico e espiritual, pois são sete as virtudes, os pecados mortais, os dias da semana e as cores do arco-íris.
Diz a lenda que a explicação tem a ver com as sete ondas. Segundo se conta, quando os barcos de pesca esperam raso o mar para encalhar, tal sucedia a cada sete ondas. Assim, as mulheres contavam-nas pelas próprias saias, que dobravam levemente até à derradeira onda.
As sete saias são portanto uma tradição de gente ligada ao mar e à pesca, que há umas décadas a banda Trovante cantou. Aqui fica essa canção popular, na qual escutamos palavras poéticas nada eruditas, mas sim próprias do povo comum. É com ela que findamos esta nossa série de textos dedicados à alma de Portugal:
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