Quem porventura creia que a cultura da ostentação, da desgraça e do exagero começou com as chamados redes sociais, fica a saber que já no século XVII nada excitava tanto as gentes como um bom, aparatoso e grandioso drama. Nesse tempo, quem não estivesse a chorar copiosamente ou a desmaiar de descomedida emoção, não ardesse de angústia ou não ostentasse uma imensa desesperança existencial, estava pura e simplesmente condenado a que ninguém lhe ligasse nenhuma, a que o olhassem com distância, frieza e indiferença. O século XVII foi pois o auge do grandioso estilo barroco, esse movimento artístico, político e religioso configurado pelo exagero, pela ostentação, por bruscos e dramáticos contrastes e pela busca incessante por chocar, emocionar e impressionar o público. Na verdade, o estilo Barroco nasceu como um dispositivo comunicacional, ou seja, como uma ferramenta artística da igreja católica para impressionar e reconquistar os fiéis perdidos para o protestantismo, através da sumptuosid...
Como na canção de Ella Fitzgerald, nos Guiões de Aprendizagem que por aqui vamos publicando, queremos ser multidisciplinares, interdisciplinares e transdisciplinares. Mas também falamos de pássaros, de abelhas e até de pulgas. Viajamos desde a vizinha Espanha à longínqua Lituânia. Desde a gélida Finlândia até à ardente Argentina. Let's do it!