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Tudo é vaidade neste nosso tempo neo-barroco

Quem porventura creia que a cultura da ostentação, da desgraça e do exagero começou com as chamados redes sociais, fica a saber que já no século XVII nada excitava tanto as gentes como um bom, aparatoso e grandioso drama. Nesse tempo, quem não estivesse a chorar copiosamente ou a desmaiar de descomedida emoção, não ardesse de angústia ou não ostentasse uma imensa desesperança existencial, estava pura e simplesmente condenado a que ninguém lhe ligasse nenhuma, a que o olhassem com distância, frieza e indiferença. O século XVII foi pois o auge do grandioso estilo barroco, esse movimento artístico, político e religioso configurado pelo exagero, pela ostentação, por bruscos e dramáticos contrastes e pela busca incessante por chocar, emocionar e impressionar o público. Na verdade, o estilo Barroco nasceu como um dispositivo comunicacional, ou seja, como uma ferramenta artística da igreja católica para impressionar e reconquistar os fiéis perdidos para o protestantismo, através da sumptuosid...

Saudades da nossa Saxónia

Bem sabemos que as actuais notícias são confusas, e bem mais o serão, para todos os que não possuem vastos conhecimentos acerca da geografia alemã.  No entanto, é precisamente para isso que este blog existe, ou seja, para deslindar as notícias e também para expandir a sapiência geográfica e não só, de quem atentamente nos lê. Nas últimas semanas, a Saxónia tem andado nas bocas do mundo, pois segundo se diz, houve um partido de extrema-direita com inclinações nazis, que venceu as eleições regionais nesse estado germânico. Só que não. Houve realmente um partido de extrema-direita que venceu as eleições, mas sim na Saxónia-Anhalt, que é um estado artificial, criado após a Segunda Guerra Mundial e recriado em 1990, aquando da unificação da Alemanha. Já a verdadeira Saxónia e o ancestral povo saxão existem desde a longínqua época romana. A Saxónia propriamente dita, tem praticamente o dobro da população da Saxónia-Anhalt, ou seja, para cima de quatro milhões de habitantes. Tem também um...

Eles olham para a direita, e PISA, PISA, eles olham para a esquerda, e PISA, PISA…

Ora bem, saíram na passada semana os resultados do PISA 2025 e foram maus, sendo que, os inteligentes cá do burgo vieram imediatamente a terreiro nas televisões e jornais, para nos explicar as causas do sucedido. Os ditos inteligentes da nossa amada pátria, apesar de debitarem sobre tudo e mais alguma coisa, raramente têm uma visão alargada sobre qualquer assunto. Por consequência disso, os inteligentes de serviço nos diversos órgãos de comunicação social não conseguem ver mais longe do que a sua própria paróquia, sendo sempre nela que procuram as razões para tudo o que acontece ou deixa de acontecer. Para quem eventualmente não saiba, o PISA é um estudo internacional desenvolvido pela OCDE, cujo objectivo é medir o conhecimento e as competências dos estudantes de 15 anos de idade para resolver desafios do mundo real, avaliando se estão preparados para a vida quotidiana e para uma participação plena na sociedade. Consoante os anos, e para além das competências na leitura, na matemática...

A mulher ideal portuguesa, uma perspectiva histórica-cultural

Nós gostámos muito de saber, que na nossa amada pátria, nasceu neste Verão, o movimento Mulheres Conservadoras Portugal. Gostámos tanto, que ontem dedicámos um texto a esse assunto, e vamos dedicar-lhe um outro. No entanto, hoje vamos analisar o tema de um ponto de vista histórico-cultural. Um entretenimento bastante fascinante é ir verificar o que se queria das mulheres em tempos idos, nuns mais conservadores do que os actuais. Por exemplo, entre 1966 e 1973 houve um concurso intitulado “A Mulher Ideal Portuguesa”, que nos serve muito bem para esse efeito. O dito concurso não se focava na beleza ou na aparência física das mulheres, não havia cá desfiles em fato de banho e coisas desse género. A iniciativa avaliava sim as competências domésticas, a elegância e as capacidades intelectuais das concorrentes. Neste certame tanto podiam participar senhoras solteiras como casadas, isto desde que fossem portuguesas. Vendo as quais provas do concurso, percebemos imediatamente as quais caracter...

Será a invasão das mulheres conservadoras, ou é só a “silly season”?

Houve um tempo, que agora parece ser muito distante, em que se chamava ao Verão a “silly season”. Actualmente, a época quente, essa onde há uns anos só existiam notícias e acontecimentos fúteis e até anedóticos, é nos dias que correm marcada por uma contínua sequência de crises e de temas graves e pesados, tal e qual como sucede no restante ano. No entanto, e mesmo sendo esse o contexto genérico, há ainda no Verão uns quantos acontecimentos fúteis e anedóticos, que nos fazem lembrar a “silly season” de outrora. É precisamente de uma dessas ocorrências, que hoje vos vamos falar, a saber, do primeiro encontro do movimento Mulheres Conservadoras Portugal, que se realizou neste estio, no Palácio Valenças, na romântica vila de Sintra. Mais abaixo temos uma foto de grupo das principais personagens participantes no dito encontro, sendo que, o que nos chama imediatamente à atenção nessa imagem são as caras larocas e sorridentes das senhoras, bem como o seu peculiar modo de trajar. Detenhamos-n...