Houve um tempo, que agora parece ser muito distante, em que se chamava ao Verão a “silly season”. Actualmente, a época quente, essa onde há uns anos só existiam notícias e acontecimentos fúteis e até anedóticos, é nos dias que correm marcada por uma contínua sequência de crises e de temas graves e pesados, tal e qual como sucede no restante ano.
No entanto, e mesmo sendo esse o contexto genérico, há ainda no Verão uns quantos acontecimentos fúteis e anedóticos, que nos fazem lembrar a “silly season” de outrora. É precisamente de uma dessas ocorrências, que hoje vos vamos falar, a saber, do primeiro encontro do movimento Mulheres Conservadoras Portugal, que se realizou neste estio, no Palácio Valenças, na romântica vila de Sintra.
Mais abaixo temos uma foto de grupo das principais personagens participantes no dito encontro, sendo que, o que nos chama imediatamente à atenção nessa imagem são as caras larocas e sorridentes das senhoras, bem como o seu peculiar modo de trajar.
Detenhamos-nos sobre este segundo ponto, ou seja, sobre as vestes. Pelos vistos, uma mulher conservadora, não se veste de uma forma qualquer, ai isso não. Há com efeito preceitos e um “dress code” a cumprir.
Fomos investigar e descobrimos quais são esses preceitos e no que consiste o “dress code”. As saias e os vestidos têm de ter um comprimento abaixo dos joelhos ou longo, deverão ser evitados os decotes profundos, roupas muito justas, além de costas ou ombros descobertos. É de preferir os tons pastéis com cores lisas e discretas, como o azul-marinho, o bege, o branco, o cinza e o preto e, por fim, desaconselham-se estampas muito vivas ou vibrantes que chamem demasiado à atenção. Enfim, tudo muito “silly season”.
No retrato abaixo, verificamos que umas quantas das conservadoras damas, não cumprem totalmente os requisitos previstos do vestir, pois há quem se apresente de calções e também quem tenha os ombros claramente à vista. Mas pronto, foi o encontro inaugural do movimento Mulheres Conservadoras Portugal, é normal que nem tudo corra bem e saia perfeito logo à primeira. O que importa é que as senhoras se apresentam claramente sorridentes e parecem ter-se divertido bastante.
Curiosamente, ou talvez não, há uma outra fotografia muito divulgada na comunicação social e nas redes sociais, desse primeiro encontro do movimento Mulheres Conservadoras Portugal, trata-se de uma imagem que apresentamos um pouco mais abaixo, é irem lá ver.
Se já viram e observaram com atenção as indumentárias presentes nessa foto, terão reparado que há mulheres de calças, sendo que, uma das senhoras, as usa inclusivamente vermelhas.
Em boa verdade, a nós, essa senhora que de vermelho se mostra, não nos parece ser lá muito conservadora, mas se calhar é, podemos estar enganados. Todavia, a fina indumentária da madame aparenta ser assim mais a atirar para o “sexy”, para o chique e para o atrevido. Dir-se-ia que dá nas vistas, o que não é coisa lá muito conservadora.
De facto, o vermelho é uma cor muito quente e intensa, e quiçá até um tanto ou quanto excitante, sendo por isso um tom cromático bem capaz de provocar pensamentos lúbricos em um outro alguém, que não o legítimo esposo da senhora.
A nosso a ver, este tipo de situações seria de evitar em futuros encontros conservadores. Em resumo, as calças vermelhas é portanto um ponto a rever. No entanto, o mais intrigante na imagem abaixo, é que no canto direito, vemos alguém que não é claramente uma mulher conservadora.
A não ser que estejamos completamente equivocados, esse dito personagem parece-nos efectivamente ser alguém do sexo(?)…do género(?)…
Bom, digamos antes assim: é alguém pertencente à espécie masculina. Para simplificar de vez a terminologia, que é actualmente algo melindrosa e bastante complexa, afirmemos simplesmente, e de uma forma muito rústica, que se trata de um homem. É um homem e pronto, não se fala mais nisso.
Mas que raio faz um homem, metido no meio (não é para interpretar literalmente) das mulheres conservadoras? Mistério!
Fomos pesquisar e a resposta que obtivemos, é que o senhor retratado não participou realmente no primeiro encontro de Mulheres Conservadoras Portugal, nem sequer lá estava, em Sintra. O que se vê é uma figura retirada de um banco de imagens online, que foi posteriormente e digitalmente acrescentado à foto original.
A pergunta que inevitavelmente nos surge, é por qual razão quiseram as senhoras conservadoras acrescentar à imagem original, um senhor digital.
Como é evidente, podemos especular e inventar todo o tipo de respostas para essa questão, desde as mais moralistas e tradicionais, até às mais liberais e imorais, contudo, deixemos à imaginação de quem nos lê, fantasiar acerca do que poderão aquelas oito senhoras conservadoras fazer com o tal senhor digital na bucólica e romântica vila de Sintra.
Mudámos de ideias, afinal não queremos que quem nos lê se ponha a imaginar coisas e se perca em fantasias, pois tememos que essas possam ser demasiado aventurosas e ousadas, e muito pouco apropriadas para ilustrar um evento conservador.
Assim sendo, vamos escalpelizar mais detalhadamente o senhor digital, de modo a que ninguém se desencaminhe por desvarios imaginativos, nem por narrativas libertinas. Antes de continuarmos, atentemos novamente no senhor.
A primeira coisa que salta à vista, é que o senhor é um homem maduro, isso diz-nos logo que será certamente alguém ponderado, responsável e respeitador. Mas mais, a avaliar pela postura e indumentária, trata-se de uma pessoa que muito possivelmente trabalhará numa companhia de seguros, numa instituição bancária ou no escritório de uma qualquer repartição pública.
As senhoras fizeram muito bem em escolher uma imagem de um senhor com um emprego sério, estável e tranquilo, um desses empregos em que as maiores arrelias são quando um qualquer computador bloqueia, e em que se porventura desaparece uma esferográfica, estamos perante uma enorme peripécia, que vai ser tema conversa para uma semana inteira ou mais.
Imaginemos que as senhoras conservadoras, tinham ido ao banco de imagens digitais, e ao invés de terem escolhido um sossegado empregado de escritório, tinham antes selecionado um canalizador, um padeiro ou um mecânico de automóveis.
Canalizador, padeiro e mecânico de automóveis, são profissões associadas a um certo imaginário feminino libertino, lascivo e libidinoso, e por consequência de tudo isso, nada ou muito pouco conservador.
Com efeito, basta fazermos uma breve pesquisa na internet sobre por exemplo canalizadores, para imediatamente nos depararmos com uma imensidão de devassas imagens, com profissionais de encanamentos e tubagens nas mais escabrosas e inconvenientes práticas e posturas.
É de crer que o plácido senhor digital selecionado pelas senhoras conservadoras, para as acompanhar na foto tirada na romântica vila de Sintra, jamais seria apanhado em poses indecorosas, como esta que se observa na imagem abaixo, onde um profissional de encanamentos e tubagens põe a cliente com alguma pia entupida e respectiva e cozinha em total desalinho, deixando tudo num autêntico caos.
Dito isto, e uma vez tendo sido dado o contexto, podemos agora dar asas à imaginação e respeitosamente especular sobre o que poderão as oito senhoras conservadoras da fotografia, fazer com o senhor digital posteriormente acrescentado à imagem.
Ponhamos que talvez possam ir tomar um chá acompanhado por uns scones e trocar umas ideias sobre as respectivas famílias, fazer umas considerações acerca da casa de campo e também reflectir a propósito dos desafios da maternidade, da importância da fé e das alegrias da correcta gestão do lar.
Ponhamos ainda por hipótese, que as senhoras conservadoras sendo um pouco mais afoitas e aventureiras, poderão até ir com o senhor digital acrescentado à imagem comer um gelado fresquinho ou, quiçá, arriscarem-se e beberem uma limonada, daquelas com palhinha e tudo para chupar e sorver o sumo. Enfim, uma vez dando-lhe asas (mas tendo sempre em atenção a devida e respeitosa contextualização), a imaginação não tem limites.
Aqui chegados, ainda não dissemos tudo o que temos para dizer. É surpreendente que o local escolhido para o primeiro encontro de Mulheres Conservadoras Portugal, tenha sido o Palácio Valenças em Sintra.
Não é por nada, mas o Palácio Valenças tem há muito a fama de estar assombrado. A história está relacionada com o fantasma de Palmira, uma antiga criada do Conde de Valenças que se suicidou por causa do amor impossível que tinha pelo seu patrão, e que desde então deambula e suspira pelo corredores, quartos e salas do palácio.
Vamos lá ver uma coisa, de todos os sítios possíveis para se fazer o primeiro encontro Mulheres Conservadoras Portugal, logo foram escolher um local assombrado?
Mas mais, o Palácio de Valenças foi erguido no exacto local, onde até ao ano de 1850 funcionou o matadouro municipal de Sintra. Digamos que o conde poderia ter escolhido um melhor sítio para habitar, e digamos também que o mesmo se aplica às senhoras conservadoras.
Em 1939, o palácio e o terreno circundante foi adquirido pelo estado e o edifico foi transformado numa biblioteca. O parque adjacente ao palácio foi aberto ao público com a denominação de Parque Doutor Oliveira Salazar.
A questão que se nos levanta, é se o local escolhido pelas senhoras conservadoras não foi um mero acaso, mas sim uma escolha deliberada que tinha como objectivo transmitir alguma mensagem subliminar.
Tendo nós gado abatido, o fantasma de uma mulher enjeitada e Salazar, perguntámos à Inteligência Artificial que relação poderia existir entre estes três assuntos. Já vamos ver qual foi a resposta completa, mas antes disso, uma fotografia de senhoras conservadoras ao tempo do Estado Novo. É curioso notar, que nessa época o “dress code” era muito distinto do actual.
Vamos então à resposta que nos foi dada pela Inteligência Artificial, relativamente à conjugação dos termos gado abatido, o fantasma de uma mulher enjeitada e Salazar:
A relação entre os termos que apresenta traça um paralelo metafórico e histórico sobre a condição da mulher no regime do Estado Novo em Portugal. Durante a ditadura liderada por António de Oliveira Salazar, o papel feminino foi profundamente moldado por uma ideologia ultraconservadora que, ao tentar glorificar a "mulher da casa", acabou por despojá-la de direitos e de autonomia individual.
Abaixo encontra-se a explicação de como estes conceitos se ligam à realidade das mulheres conservadoras no contexto do salazarismo:
1. O "Gado Abatido" e a Coisificação da Mulher
No discurso e na estrutura do Estado Novo, a mulher era frequentemente vista através de uma lente utilitária, ligada à reprodução e ao trabalho doméstico.
Perda de Individualidade: A metáfora do "gado" evoca a ideia de um coletivo submisso, sem voz própria, cuja função principal era servir o interesse do Estado e da família patriarcal.
Subordinação Jurídica: Até às reformas tardias do regime, as mulheres casadas necessitavam da autorização do marido para trabalhar fora de casa, viajar para o estrangeiro ou abrir contas bancárias. O seu valor individual era "abatido" em prol da coesão do lar nacional.
2. O "Fantasma de uma Mulher Enjeitada"
A expressão ilustra a marginalização daquelas que não se encaixavam no perfil idealizado pelo regime.
O Ideal da "Fada do Lar": Salazar promoveu ativamente a imagem da mulher devota, discreta, submissa e focada na maternidade.
A Rejeição Social: As mulheres que procuravam a emancipação, que trabalhavam por necessidade económica (o que Salazar criticava publicamente por "desagregar o lar"), as mães solteiras ou as divorciadas tornavam-se "enjeitadas" pela sociedade puritana. Assumiam a existência de um "fantasma": estavam presentes na força de trabalho e na sociedade, mas eram invisibilizadas, destituídas de plenos direitos civis e moralmente condenadas.
3. Salazar e as Mulheres Conservadoras
A base de sustentação ideológica do regime dependia, em grande parte, da doutrinação e da aceitação destes papéis por parte das próprias mulheres.
"Deus, Pátria e Família": A famosa Tríade do regime colocava a família como a célula fundamental do Estado. A mulher conservadora era o pilar dessa estrutura, educando os filhos sob os valores da obediência e da resignação.
A Organização das Mulheres: Estruturas como a Obra das Mães para a Educação Nacional (OMEN) e o braço feminino da Mocidade Portuguesa serviam exatamente para moldar as novas gerações de mulheres dentro destes moldes tradicionais, celebrando o sacrifício e a domesticidade como virtudes máximas.
Em suma, enquanto a propaganda salazarista tentava vender a imagem da mulher protegida e honrada no recôndito do seu lar, a realidade económica e jurídica transformava muitas portuguesas em figuras submissas e silenciadas (o "gado") ou em seres marginalizados por não cumprirem o mito da perfeição doméstica (o "fantasma enjeitado").
Tendo nós obtido esta extensa resposta da Inteligência Artificial, ficámos mesmo em crer, que a escolha do Palácio de Valenças em Sintra para o primeiro encontro do movimento Mulheres Conservadoras Portugal não foi nenhum acaso, mas sim uma escolha que tinha como objectivo transmitir alguma mensagem de forma subliminar.
Dito isto, a conclusão a que chegamos, foi a de que iniciámos este nosso texto em estilo “silly season”, e vai na volta o tema é sério, grave e pesado. Mas não, na verdade não o é. Bom, terminamos por hoje, mas talvez amanhã voltemos a assunto, decorrente deste mesmo tema, a saber, o que é uma educação conservadora.







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