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A mostrar mensagens de janeiro, 2026

Quem quer ter passaporte português? Talvez o D. Quixote

  Em Lisboa “todos sus moradores son agradables, son corteses, son liberales y son enamorados, porque son discretos. La ciudad es la mayor de Europa y la de mayores tratos; en ella se descargan las riquezas del Oriente, y desde ella se reparten por el universo…” Quem assim escreveu acerca da capital de Portugal foi Miguel de Cervantes, o famoso autor de “D. Quixote de la Mancha”, que nessa cidade passou dois misteriosos e felizes anos. Por lugares à beira Tejo, Cervantes conheceu amores e desamores. Entre a primavera de 1581 e a de 1583, com excepção de uma ou outra escapada a sítios próximos e nomeadamente a Tomar, a sua residência habitual foi em Lisboa. Diz-se que viveu ali para os lados do Campo das Cebolas, bem perto da Casa dos Bicos. A Cervantes é também atribuído o dito, “Para galas Milán, para amores Lusitânia"  (Para festas Milão, para amores Lusitânia). Cinco séculos após o mais célebre e importante de todos os escritores espanhóis ter andado por Lisboa, nasce nessa...

Gino, comunistas românticos, Mina, tiros no coração e um sabor a sal

“Il cielo in una stanza” é uma canção que foi composta pelo outrora jovem Gino Paoli em 1955, que obteve um imenso sucesso na voz de Mina. Nesse tempo ainda não havia videoclipes, todavia, o grande realizador italiano Valerio Zurlini dirigiu a cantora num programa de variedades para a Rai Uno, no qual ela interpreta precisamente esse tema. “Quando sei qui con me, questa stanza non ha più pareti, ma alberi, alberi infiniti…” (Quando aqui estás comigo, esta sala não tem paredes, mas árvores, árvores infinitas…), é assim que começa “Il cielo in una stanza” No programa da Rai Uno, reuniram-se três enormes talentos, a saber, o compositor musical Gino Paoli, a cantora Mina e o realizador cinematográfico Valerio Zurlini. Sendo tanto o talento, para nada seria necessário espampanantes cenários ou espectaculares jogos de luzes e efeitos especiais, bastava que à vista ficassem esses incontáveis “alberi, alberi infiniti…” Aos dias de hoje, não há videoclipe que não tenha sensacionais ade...

Um trágico bolo de aniversário, uma epopeia de ovos, farinha, açúcar e fermento

Lá longe, em terras próximas da lendária e mítica cidade de Bagdade, existem uns pântanos, sendo que por entre eles circulam rios e cursos de água navegáveis. As gentes simples dessas terras vão de margem em margem em pequenas embarcações movidas a remos, e é assim que por esses sítios fazem as suas vidas. O que hoje é o Iraque, foi em tempos longínquos o país das mil e uma noites, de sultões, de califas e haréns. Foi aí que existiu a fabulosa Babilónia, que na sua época era a mais importante cidade do mundo. Bagdade, a actual capital do Iraque, foi em tempos distantes cenário de muitos dos contos de “As Mil e uma Noites”. Pelas suas ruas, bazares e mercados deambularam personagens como Aladino ou Ali Babá e os 40 ladrões. Bagdade era então a capital de um império que se estendia desde a Índia até à Península Ibérica. Daí se conclui, que o território que agora é Portugal, já teve como capital a lendária cidade de Bagdade. Diz-se também que era nessa zona do médio-oriente que se situava...

Quem se quer coçar?

  “Quando um homem está cansado de Londres, está cansado da vida" é uma famosa frase do escritor inglês Samuel Johnson (1709-1784).  A frase expressa a ideia de que Londres é o centro do mundo, um lugar onde tudo se pode encontrar, desde a alta cultura até às experiências mais mundanas. Assim sendo, se alguém se sente cansado de Londres, desde já fica a saber que o problema não é da cidade, mas sim da sua própria falta de interesse pela vida. Com efeito, Londres tem tudo, até o Culex pipiens molestus. Perguntará quem nos lê, o que será o Culex pipiens molestus. Na verdade é um mosquito, só que não um qualquer, mas sim um específico, ou seja, é o mosquito do metro de Londres. Trata-se de uma subespécie de mosquitos geneticamente distinta das demais, que foi descoberta pela primeira vez durante o Blitz (os bombardeamentos de Londres) da Segunda Guerra Mundial, quando pela noite, os túneis do metro eram usados pelos londrinos como abrigos antiaéreos. Ao longo da guerra, no decor...

Outra vez o Irão, ou melhor, a Pérsia

E novamente o Irão, que outra vez se revolta e agita, e com razão. O Irão, esse sítio em que ainda há pouco, e durante milénios, foi a bela, sensual e poética Pérsia. Terra na qual, o mais clássico dos seus poetas, Hafiz (1310-1390), celebrava na sua escrita a natureza, o amor, as mulheres e o vinho. Hafiz de Xiraz, poeta persa do século XIV que viveu na cidade de Xiraz, no sudoeste do actual Irão, é uma voz lírica e mística que ouvimos ainda. Mais de sete séculos se passaram, mas a sua poesia continua a fazer sentido. “Vem, oh vem" , diz o poeta à mulher amada, "neste momento eu procuro no vinho a minha ruína” , e logo em seguida acrescenta, “Quem sabe se nessa ruína não se encontrará um tesouro divino?" “Que o vinho te reconforte o coração, pois o mundo é um deserto, e, no fim de tudo, o teu pó misturar-se-á com a argila do oleiro." Para o poeta o vinho é um bálsamo para as dores de alma de velhos e novos, "Se o arrulho da rola emudece, que importa? Escuta a...