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Como todos os bons influencers, antes do Verão, aconselhamos dietas. A de ovos e fotos é a melhor.


Com o aproximar do Verão há muito quem se dedique a fazer dieta, na verdade, há muito quem queira comer menos e emagrecer em qualquer altura do ano, só que, com o avizinhar-se do tempo quente e de praia, fala-se bastante mais nisso.

Compreende-se que assim seja, uma vez que durante o resto do ano as gorduras e adiposidades andam tapadas, porém, com a chegada da época balnear pneus e banhas saltam cá para fora, ficando então totalmente expostas e à vista de todos.

Em consequência disso, há quem não queira à beira-mar mostrar a toda a gente uma barriga crescida e carnes bem nutridas, e vai daí, comece então a comer pouco a ver se desincha e fica com um ar menos anafado ao passear-se pelos areais.

A nós, os aqui escrevemos, tais problemas não nos afligem. Primeiro porque gostamos de comer todo o ano o que nos dá na real gana, segundo porque estarmos gordos ou magros tanto nos faz, e terceiro porque pouco ligamos a praia.

Dito isto, estamos solidários com todos os que sofrem com este tipo de adversidades e embaraços estivais e por isso vamos hoje dedicar-nos a falar sobre comida e também a dar algumas muito úteis sugestões, a quem quer desengordar e assim ficar mais jeitoso aos olhos de todos e igualmente nas fotografias e selfies tiradas à beira-mar.


Temos portanto algumas excelentes sugestões para quem pretende emagrecer, sendo a primeira das quais que adquira a pulseira Swarovski Elements, que diz o fabricante ser feita de aço inoxidável, polido e brilhante e de pequenos cristais que fazem acupressão em pontos do corpo relacionados com o estômago, tudo em consonância com a reflexologia e a medicina tradicional chinesa.

A pulseira promete deixar esbelta qualquer mulher que a usar de três a cinco horas por dia. Relativamente aos homens, o fabricante nada diz, mas presumimos nós que funcionará de igual modo e fará equivalente efeito.

Uma segunda sugestão é a de comprar anéis magnéticos de silicone e colocá-los nas falanges dos dedões dos pés. Os ímans dos anéis devem ser voltados para baixo e estimulam pontos de acupuntura que eliminam a ansiedade e o apetite.

Lendo a publicidade aos anéis, ficamos também a saber que estes melhoram as funções intestinais, coisa que só podemos aplaudir e enaltecer.

É certo que lendo testemunhos sobres estes anéis, fica-se com a sensação de que a larga maioria dos utilizadores não perdeu peso absolutamente nenhum. Muitos queixam-se de desconforto físico, de feridas nos dedos causadas pela fricção do silicone ao caminhar e da fragilidade do material, que pelos vistos se rasga facilmente, ainda assim, nós mantemos a nossa sugestão, pois acreditamos plenamente que quem usar os anéis magnéticos no pé com coragem e fé, irá certamente desengrossar e adelgaçar.


Temos uma terceira sugestão, para quem eventualmente não tenha apreciado as duas primeiras, a saber, adesivos para colocar ao redor do umbigo. O aspecto dos ditos adesivos quando aplicados na barriga é um tanto ou quanto inquietante.

Com efeito, quem os usa aparenta ter levado uma facada no estômago, ter sido sujeito a uma intervenção cirúrgica ou coisa do género, todavia, isso é um preço menor a pagar pela perda de peso, pois o certo é que ninguém adelgaça sem um mínimo de sacrifício.

Os vendedores dos adesivos para os umbigos, recomendam usá-los de quatro a seis horas por dia, dependendo do tipo de pele. Sem dar outras especificações, advertem que não devem ser usados por mais de oito horas, afirmando simultaneamente que os adesivos não têm quaisquer efeitos secundários ou colaterais.

Mas se os adesivos não têm quaisquer efeitos secundários ou colaterais, porque não se recomenda aos seus utilizadores que andem com eles no corpo o tempo que lhes der na telha? Na verdade, não há resposta para esta dúvida, estamos assim diante de um enigma.

Não menos enigmático, é quais são efectivamente os anunciados ingredientes naturais, graças aos quais os adesivos provocam um efeito de adelgaçamento. Há quem diga sem mais que são extractos de plantas e minerais, há quem aposte que é hortelã e menta, e há quem afiance que são sementes aromáticas.

Seja como for, o certo é que não há uma certeza sobre a real composição dos adesivos, coisa que também não importa muito, pois o importante é que eles prometem desbastar as espessas banhas dos badochas.

Abaixo uma foto recente do chinês Xiaoling Li, que descreve esta sua imagem do seguinte modo: “As velhotas estão em posição Portal do Dragão. É essa a expressão usada na China para quando vizinhas se reúnem para conversar, mexericar e partilhar histórias. Elas comem o famoso petisco de Sichuan, os rolinhos primavera. A comida faz essas pessoas felizes; elas desfrutam de uma vida bela e alegre.”


Continuemos em frente, pois temos uma quarta sugestão para quem quer estar fino e elegante no Verão: essência de gambá. O gambá é um animal que pode ser encontrado por todo o continente americano, desde os Estados Unidos até a América do Sul. É um mamífero, sendo que, as suas fezes possuem um odor característico, fétido e intenso, em síntese, o gambá faz fezes que fedem.

Uma empreendedora britânica teve uma ideia genial, a saber, criar uma essência à base de fezes de gambá para temperar os alimentos. Parece que o efeito é garantido, a comida fica com um cheiro tão repelente, que ninguém a leva à boca, acabando-se por fazer uma dieta à força.

A empresa da senhora chama-se Stinkyourelfslim, e aqui vos deixamos um vídeo publicitário bastante explícito sobre o modo como tudo funciona. Vale mesmo a pena ver.


A essência de gambá parece ser eficaz, pois só encontrámos uma única reclamação, a de um utilizador que diz ter ganho peso enquanto usava este produto, porque adora o fedor do bicho.

Mas prossigamos com uma quinta sugestão, que também é bem boa. Imaginemos que podemos comer tudo o que quisermos e na quantidade que desejarmos, e ainda não assim não engordarmos.

Por muito que não acreditem, sim, isso é possível. Na verdade, há um fotógrafo holandês, de seu nome Remko Kraaijeveld, que se dedica a compor imagens em que retrata momentos de puro excesso culinário, de autêntica luxúria gustativa, onde todos comem e bebem abundantemente, mas mantêm-se sempre na linha, esguios e bem proporcionados.


Porém, não é só em composições fotográficas que há gente que come o que quer e lhe apetece e não engorda. Na realidade qualquer um de nós pode fazer o mesmo. Está ao alcance de todos poder dedicar-se às maiores lascívias comestíveis e a voluptuosidades alimentares, sem ter depois de se preocupar com adiposidades e obesidades, a solução é o Aspire Assist.

O Aspire Assist é um dispositivo endoscópio que através de um sistema de aspiração, permite ao utilizador remover cerca de 30% dos alimentos do estômago após uma refeição, antes que as calorias sejam absorvidas pelo organismo.

Um tubo liga o interior do estômago a uma pequena válvula discreta à superfície da pele do abdómen, conhecida como Skin-Port ou botão, cerca de 20 a 30 minutos após comer, o utilizador liga um conector externo e um tubo à válvula.

Os alimentos são assim escoados para o exterior do estômago pela força da gravidade. Idealmente, o utilizador deve dirigir-se à sanita mais próxima, pois uma vez que a comida não está digerida, terá um aspecto semelhante ao de um vómito e, por consequência disso, é um procedimento que não será bonito de se ver à mesa.


Após estes cinco tão bons e belos conselhos sobre formas rápidas e práticas de eliminar pneus e outras abundâncias de carnes, vamos agora a um apontamento filológico e até histórico-cultural e filosófico.

O sentido original do termo “dieta”, que vem do grego diaita (δίαιτα), difere grandemente do significado actual. Dieta, para os gregos antigos, não significava apenas hábitos e restrições alimentares, mas sim todo um estilo de vida. Para os filósofos da antiguidade, “dieta” não era perder peso, mas sim assumir um estilo de vida que tivesse como objectivo o equilíbrio e a harmonia entre o corpo, a mente e o mundo.

O vocábulo grego “diaita” encontra o seu ancestral sentido em Esopo, e mais concretamente na fábula do corvo e do cisne. Desejando alcançar um esplendor semelhante ao da plumagem do cisne, o corvo passa a viver e a banhar-se nas mesmas águas que aquele, deixando assim de habitar o topo das árvores. O corvo não tinha tão-somente a esperança de embelezar o seu exterior, mas igualmente o anseio de modificar o seu estilo de vida, o mesmo é dizer, que queria mudar de dieta.

Para finalizarmos, informamos-vos que todas as fotografias que ilustram este texto foram distinguidas pela “World Food Photography Awards”. Foi há pouco revelada a fotografia vencedora deste ano, nessa imagem podemos ver uma mulher a comer num refeitório hoteleiro construído ainda na era soviética.

Khoja Obi Garm é um hotel situado no Tadjiquistão, no meio das montanhas, é enorme, e a sua arquitectura é em estilo brutalista. Durante a época soviética, os bons trabalhadores comunistas recebiam duas semanas de férias pagas anuais neste local. Actualmente, o seu baixo preço, de cerca de 20€ por dia incluindo pensão completa, atrai os tadjiques comuns. As instalações incluem piscinas termais e salas de vapor, envolvimentos com cera e bronzeamento artificial, isto para além, claro está, de lautas e fartas refeições.


Já agora, antes de efectivamente findarmos, fiquem a saber que a World Food Photography Awards” também distinguiu um português, André Boto, que é um homem que trabalha fundamentalmente com ovos, mas não faz omeletes e sim fotos.

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