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Mensagens

Contra a desidratação verbal, arte

Um recente estudo científico revelou que andamos a falar cada vez menos. Pelos vistos, já em 2019, antes ainda da pandemia, andávamos a falar menos quatro mil palavras por dia do que duas décadas antes. O dito estudo indica-nos que nesse período de tempo, passámos de dezasseis mil palavras diárias para cerca de doze mil, o que perfaz um total de menos cento e vinte mil palavras por ano. O autor do estudo é o psicólogo Mathias Mehl da Universidade do Arizona, em co-autoria com a psicóloga Valeria Pfeifer da Universidade do Missouri. Claro que todos ficamos contentes e felizes por certas e determinadas pessoas fecharem a matraca, contudo, o que ambos os investigadores nos asseguram, é que esta descoberta não é efectivamente uma boa notícia. A principal causa apontada para este estado de coisas é o avanço tecnológico que eliminou muitas conversas. Com efeito, basta estarmos num café, numa sala de espera, num jardim, num restaurante ou em qualquer outro lugar, para olharmos à nossa volta e...

Amar foi a minha perdição

Na mais famosa peça de Shakespeare, a dado momento, um fantasma ordena a Hamlet que vingue o assassinato do seu pai, matando o Rei Cláudio, o autor do dito crime. No entanto, o fantasma adverte explicitamente Hamlet para não ferir a sua mãe, a Rainha Gertrudes, comprovada cúmplice do referido Rei Cláudio. Ao invés de procurar vingar-se dela, Hamlet é instruído pelo fantasma a deixar a sua mãe em paz, e a aceitar que ela seja julgada por Deus ( "o céu" ), permitindo desse modo que esta ande eternamente atormentada pela sua própria culpa e consciência ( "esses espinhos que em seu peito se moram" ): “But, howsoever thou pursuest this act, Taint not thy mind, nor let thy soul contrive Against thy mother aught. Leave her to heaven , And to those thorns that in her bosom lodge To prick and sting her." Em 1945, John M. Stahl realizou um dos mais intensos melodramas de sempre, ao qual deu o título “Leave her to heaven”, filme que em português se chamou “Amar foi a minh...

Alma de borracha

A expressão “Alma de Borracha (Rubber Soul)” surgiu como uma ironia a propósito da forma como os músicos brancos britânicos tentavam tocar a música negra americana, especialmente a Soul Music. Um antigo músico negro dos Estados Unidos, disse um dia que os Rolling Stones eram bons, mas que o que faziam era apenas “Plastic Soul”, um termo pejorativo para criticar a falta de autenticidade ou a superficialidade dos músicos britânicos brancos, que cantavam um género, o Soul, há muito profundamente enraizado na cultura negra. Os Beatles acharam a expressão cómica e decidiram adoptá-la, no entanto, mudaram o plástico para borracha (rubber). Nasceu assim o título de um dos mais importantes álbuns dos Beatles, a saber, “Rubber Soul”. Há muito quem diga, que “Rubber Soul" foi o disco que transformou a música pop numa forma de arte, sendo que, esse icónico LP de 1965, regressa agora aos escaparates numa versão remisturada e remasterizada na próxima sexta-feira, dia 2 de outubro de 2026. A te...

Neste Outono não há só folhas a cair e roupas quentes a sair do armário, há também angústias existenciais, poéticas metafísicas e muito mais

Por todo o Portugal, dantes como agora, há nesta época crianças na escola a redigir textos acerca do Outono. Não é muito difícil saber o que escreverão, tal como outrora as redações não hão de ser muito diferentes disto: “O outono é a estação do ano que se segue ao verão e que prepara a natureza para a chegada do inverno. Em Portugal, esta estação começa no mês de setembro. É uma época bonita em que a paisagem muda completamente e ganha novas cores. Com a chegada do outono, os dias começam a ficar mais curtos e as noites mais longas. O calor desaparece e o vento começa a soprar. As árvores de folha caduca perdem o seu manto verde e cobrem-se de tons castanhos, amarelos e dourados. Quando o vento sopra, as folhas soltam-se dos ramos e caem no chão, formando um tapete fofinho e colorido que dá vontade de pisar.  O tempo torna-se mais fresco e a chuva miudinha volta a aparecer, o que nos obriga a tirar os casacos e os guarda-chuvas do armário. Além disso, o outono é a época de colher ...