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Mensagens

De sábio e taralhouco, todos temos um pouco! Uns mais do que outros.

  Soube-se recentemente que o espólio do Hospital Miguel Bombarda pode vir a ser classificado como sendo de Interesse Público. O dito hospital era uma instituição psiquiátrica em Lisboa, que funcionou desde o início do século XIX até ao começo do XXI. O espólio que aguarda classificação engloba cerca de cinco centenas de desenhos e pinturas, que foram realizados por alguns dos milhares de pacientes que no hospital longos tempos permaneceram internados.   Os clínicos que exerceram funções no Hospital Miguel Bombarda, incentivaram os doentes a desenhar e a pintar, usando a expressão artística como um método terapêutico. Existem igualmente fotografias, esculturas, poemas, versos, cartas e escritos diversos.   O arquivo do hospital está cheio de histórias para contar, como por exemplo, as de um doente chamado Jaime, que desenhava obsessivamente, ou as de Valentim, que era bailarino, ou ainda as de um espanhol que montava instalações surrealistas.   Desse es...
Mensagens recentes

Nunca é demais, falar de Camané

Não raras vezes referimo-nos a Camané em textos deste blog, contudo, nunca lhe dedicámos um texto inteiro, coisa que ele inquestionavelmente merece.  Não que o fadista se importe com o que nós escrevemos ou deixemos por escrever, na verdade, não saberá sequer quem somos ou o que fazemos. A nós sim, é que nos importa falar dele e dos seus fados. Haverá muitos fadistas cheios de talento, todavia nenhum terá tanto na própria voz a alma de Lisboa e até de Portugal, como Camané a tem. É difícil dizer em que consiste isso em concreto, no entanto, há algo no tom de Camané, que é simultaneamente triste, malandro, atrevido, antigo, noturno, bairrista e que de algum modo soa a cais de partidas e chegadas. Enfim, há nele uma mistura de ternura, de nostalgia e de conversas de tascas rascas, que é certamente única. É como se na sua voz ouvíssemos um rapaz que cresceu e brincou por entre becos, vielas e casas ancestrais, e ao mesmo tempo a maturidade de quem experimentou e sentiu as grandes vent...

Todo o cais é uma saudade de pedra

Existe um lugar ali para os lados do Cais de Sodré, que se chama British Bar. No seu interior há um relógio em que o tempo anda ao contrário.  O estabelecimento foi inaugurado em 17 de Fevereiro de 1919, Carlos Botelho, o pintor de Lisboa, frequentou-o, bem como Fernando Pessoa. Em 1997, José Cardoso Pires lançou um livro intitulado “Lisboa, livro de bordo” e nele descreve esse bar dizendo que “Tem um sabor a cais sem água à vista”. Em “Lisboa, livro de bordo”, José Cardoso Pires fala-nos em determinado momento daquilo a que chamamos “fazer horas”, ou seja, dessas ocasiões em que aguardamos por algo ou alguém, ou simplesmente nada temos que fazer. Nesses contextos, ou caminhamos pelas ruas sem destino algum e deixamos que o tempo passe, ou então procuramos um lugar para atracar. O British Bar é o local onde frequentemente aportam marinheiros sem rumo, que navegam pelos passeios e calçadas da cidade sem ir a sítio algum, e que se limitam a distraidamente deixar que os minutos se su...