Como na canção de Ella Fitzgerald, nos Guiões de Aprendizagem que por aqui vamos publicando, queremos ser multidisciplinares, interdisciplinares e transdisciplinares.
Mas também falamos de pássaros, de abelhas e até de pulgas. Viajamos desde a vizinha Espanha à longínqua Lituânia. Desde a gélida Finlândia até à ardente Argentina.
Let's do it!
Pesquisar neste blogue
Neste verão, querem lá ver que há fitas! (Homens ao Domingo)
E há um século Berlim existia e ainda não tinha sido dividida por um muro, nem tinha em cima de si tristes e terríveis acontecimentos históricos. Há cem anos, Berlim era apenas a mais divertida, inventiva e livre cidade da velha Europa.
Causa perplexidade ver, como é que uma cidade cujos costumes eram altamente liberais até para os dias de hoje, se tornou uns anos depois na capital do Terceiro Reich.
Causa impressão perceber, como é que uma cidade que vibrava com novidades artísticas e culturais, se transformou num instante na reacionária e castradora urbe da época nazi.
Causa estupefação constatar, como é que gente amável e alegre, se transfigurou tão subitamente e se deixou envenenar completamente pelo ódio e pela crueldade.
Abaixo um grupo de berlinenses em 1929, que conjuntamente com muitos outros que habitualmente faziam o mesmo, passam um domingo de Verão no lago de Wannsee, que fica mesmo pertinho de Berlim, para se banharem nas suas praias e passearem pelos parques circundantes.
A imagem acima pertence à película “Menschen am Sonntag”, o título português é “Homens ao Domingo”. A fita tem como subtítulo "um filme sem actores" e foi filmada durante o verão de 1929.
Como se depreende pelo sub-título, os actores eram amadores e representavam-se a si próprios. Ao longo da semana vêmo-los nos seus afazeres e empregos, aqueles que efectivamente tinham na vida real. Ao domingo vêmo-los a aproveitarem o tempo para fazerem o que muito bem lhes aprouver.
O filme foi escrito, realizado e produzido por cinco jovens que nesse tempo deambulavam alegremente por Berlim: Robert Siodmak, Edgar G. Ulmer, Billy Wilder , Curt Siodmak e Fred Zinnemann.
Passados uns anos, todos, sem excepção, fugiram para a América. Depois, todos, sem excepção, ficaram na história de Hollywood, sítio onde cada um por si realizou grandes clássicos da sétima arte. Tiveram largos anos de sucesso, receberam óscares e homenagens, no entanto, para todos, sem excepção, “Menschen am Sonntag” foi o primeiro grande momento das suas carreiras.
O filme, para além de não ter actores profissionais, também não tem argumento, segue apenas uma vaga narrativa, acompanhando instantes da vida de cinco personagens.
Wolfgang um jovem bem parecido, vê uma bela mulher, Christl, que parece estar na rua à espera de alguém que não chega. Ele leva-a para comer um gelado e de caminho convida-a para um piquenique no dia seguinte, domingo. Convite que, como é evidente, ela imediatamente aceita.
Abaixo, Christl, sozinha nas ruas de Berlim, talvez à espera...
Erwin trabalha como taxista. Enquanto conserta o carro na sua oficina, recebe um telefonema da sua namorada, Annie, que quer saber se eles vão ou não ao cinema naquela noite. Erwin claramente não está muito interessado em ir.
Wolfgang chega no meio da discussão e o cinema fica definitivamente posto de parte. Erwin e Wolfgang vão beber umas cervejas e planeiam o passeio de domingo, para o qual Christl já estava convidada.
Na manhã seguinte, os dois homens vão para o lago Wannsee acompanhados por Christl e pela sua amiga Brigitte. Annie ficou em casa e dormiu o dia inteiro.
Wolfgang flirta com Brigitte, o que muito irrita Christl. Mais tarde, ele passeia-se com Brigitte pelos meandros da floresta, encontram um lugar isolado e fazem amor. Depois, os quatro amigos vão num passeio de barco, durante o qual Erwin e Wolfgang namoriscam com outras duas raparigas, que estão num barco a remo.
No fim do dia, no regresso, Brigitte sugere a Wolfgang que se encontrem novamente no domingo seguinte. Ele concorda, mas Erwin lembra-o depois que já tinham combinado ir à bola.
Erwin entra em casa e encontra Annie ainda deitada na cama, acorda lentamente e de repente percebe que aquele era o dia do passeio. Erwin, furioso, mostra-lhe que horas são.
A cena final do filme retorna às ruas de Berlim. Os interlúdios anunciam: "E então na segunda-feira... é hora de voltar ao trabalho... de volta ao quotidiano…de volta à rotina diária... Quatro... milhões... esperam... pelo… próximo domingo.”
“Menschen am Sonntag” foi o último grande filme mudo do cinema germânico. Foi também o último a retratar a felicidade efémera das coisas simples de todos os dias, a breve alegria de uma tarde de Verão num dia de domingo. Depois disso, veio a catástrofe.
Vejamos uns minutos desses derradeiros dias de festa em Berlim:
Os alemães têm um ditado antigo em que se diz assim, “Stadtluft macht frei”, ou seja, o ar da cidade liberta. Assim foi durante longos anos em Berlim, até que alguém chegou para pôr tudo na ordem…
E pronto, foi mais uma fita de Verão, em breve mais virão.
Aproxima-se a Fim de Ano e o subsequente Ano Novo. A esse propósito, lembrámo-nos que serão pouquíssimos, os que, como os professores, gozam do privilégio de festejarem mais do que uma vez num mesmo ano civil, o Fim de Ano e o subsequente Ano Novo. Com efeito, a larguíssima maioria da população, comemora o Fim de Ano exclusivamente a 31 de dezembro e o Ano Novo unicamente a 1 de janeiro. Contudo, a classe docente, goza também de um fim de ano algures no final do mês de julho, e de um Ano Novo para aí nos princípios de setembro. Para os nossos leitores cuja agilidade mental eventualmente esteja toldada pelos tantos comes e bebes ingeridos na época natalícia, explicitamos que o fim do ano letivo é em julho e o início em setembro. É disso que aqui falamos, esclarecemos nós, para o caso dessa subtil alusão ter escapado a alguém. Para além da classe docente, são poucos os que têm esta oportunidade, ou seja, a de ter múltiplas passagens de ano num só e mesmo ano...
Quem sendo professor já não ouviu a frase “Os professores estão sempre de férias”. É uma expressão recorrente e todos a dizem, seja o marido, o filho, a vizinha, o merceeiro ou a modista. Um professor inexperiente e em início de carreira, dar-se-á ao trabalho de explicar pacientemente aos seus interlocutores a diferença conceptual entre “férias” e “interrupção letiva”. Explicará que nas interrupções letivas há todo um outro trabalho, para além de dar aulas, que tem de ser feito: exames para vigiar e corrigir, elaborar relatórios, planear o ano seguinte, reuniões, avaliações e por aí afora. Se o professor for mais experiente, já sabe que toda e qualquer argumentação sobre este tema é inútil, pois que inevitavelmente o seu interlocutor tirará a seguinte conclusão : “Interrupção letiva?! Chamem-lhe o quiserem, são férias”. Não nos vamos agora dedicar a essa infrutífera polémica, o que queremos afirmar é o seguinte: os professores não necessitam de mais tempo desocupado, necessitam s...
Que imagem é esta? O que nos diz? Num mundo em que incessantemente nos deparamos com milhares de imagens desnecessárias e irrelevantes, sejam as selfies da vizinha do segundo direito, sejam as da promoção do Black Friday de um espetacular berbequim, sejam as do Ronaldo a tirar uma pastilha elástica dos calções, o que podem ainda imagens como esta dizer-nos de relevante? Segundo a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, no pré-escolar a idade média dos docentes é de 54 anos, no 1.º ciclo de 49 anos, no 2.º ciclo de 52 anos e no 3.º ciclo e secundário situa-se nos 51 anos. Feitas as contas, é quase tudo gente da mesma criação, vinda ao mundo ali entre os finais da década de 60 e os princípios da de 70. Por assim ser, é tudo gente que viveu a juventude entre os anos 80 e os 90 e assistiu a uma revolução no mundo da música. Foi precisamente nessa época que surgiu a MTV, acrónimo de Music Television. Com o aparecimento da MTV, a música deixou de ser apenas ouvida e pa...
Continuamos hoje esta nossa série de textos dedicados à alma portuguesa, sendo que nos dias que correm, só há uma certeza, a de que chove, e muito. A lusitana nação pode ser tudo ou não ser nada, mas o que é certo, é o que nos últimos tempos está constantemente toda encharcada. Não é comum vivermos desta forma, nesta espécie de contínuo dilúvio, mas ainda assim, é possível entrevermos a alma portuguesa, mesmo com tanta e tão intensa chuva. Para tal, nada melhor do que falarmos da poesia nacional. Vejamos para começarmos, este breve poema de Nuno Júdice (1949-2024): Chove como sempre. E, sempre que chove, as pessoas abrigam-se (as que não estavam à espera que chovesse); ou abrem, simplesmente, o chapéu-de-chuva - de preferência com fecho automático. Porque, quando chove, todos temos de fazer alguma coisa: até nós, que estamos dentro de casa. Vão, uns, até à janela, comentando: "Que Inverno!" sentam-se, outros, com um papel à frente: e escrevem um poema, como este. Diga-se de p...
Para terminarmos esta nossa série de textos dedicados à alma de Portugal, vamos ser simultaneamente peixeiros, poéticos e populares. Todavia, não o seremos necessariamente por esta ordem, ou seja, iremos efabular acerca desta tríade de assuntos, peixes, poemas e uma música popular, mas sem estabelecermos qualquer hierarquia entre esses três temas. Poder-se-ia bem dizer que temos um triângulo de temáticas, ou seja, uma figura geométrica com três lados iguais e os respectivos vértices onde cada uma das linhas se encontra com as restantes. Significa isto, entre outras coisas, que hoje nos vamos concentrar na poesia nacional, no peixe fresco e numa canção popular, uma trindade que a nosso ver, reflecte plenamente a alma portuguesa. Comecemos por um dos vértices do dito triângulo temático, a saber, o que une peixe e poesia. Bem sabemos que nesta nossa amada pátria, há quem seja muito intelectual e que, por consequência disso, não goste de misturar poesia com peixe. Para a fina intelec...
Há muito quem por cá, e também pelo resto da Europa, sofra de um complexo de superioridade relativamente aos Estados Unidos da América. É certo que nos últimos tempos se têm verificado na grande nação norte-americana, alguns acontecimentos mais inusitados, contudo, e ainda assim, há poucas razões para alguém no chamado velho continente, se sentir superior às gentes dos bons USA. São muitos os exemplos que se poderiam apresentar, de como os EUA´s são superiores à Europa em quase tudo o que fazem, todavia, nós escolhemos ao dia de hoje, centrar a nossa atenção em apenas um desses aspectos, a saber, na estreita e íntima relação existente entre universidades e arte. Só para iniciarmos a conversa, veja-se a imagem abaixo do Weisman Art Museum, pertencente à Universidade do Minnesota. O edifício do museu da Universidade do Minnesota foi...
Há já algum tempo que os professores são uma das classes profissionais que mais recorre aos serviços de psicólogos e psiquiatras. Parece que agora, os adolescentes lhes fazem companhia. Aparentemente, uns por umas razões, outros por outras completamente diferentes, tanto os professores como os adolescentes, são atualmente dos melhores e mais assíduos clientes de psicólogos e psiquiatras. Se quiserem saber o que pensam os técnicos e especialistas sobre o que se passa com os adolescentes, abaixo deixamos-vos dois links, um do jornal Público e outro do Expresso. Ambos nos parecem ser um bom ponto de partida para aprofundar o conhecimento sobre esse tema. Quem porventura quiser antes saber o que pensamos nós, que não somos técnicos nem especialistas, nem nada que vagamente se assemelhe, pode ignorar os links e continuar a ler-nos. Não irão certamente aprender nada que se aproveite, mas pronto, a escolha é vossa. https://www.publico.pt/2022/09/29/p3/noticia/est...
Os ABBA eram suecos e hoje vamos falar-vos da Suécia. Apetecia-nos tanto falar de “rankings” e de como e para quê a comunicação social os inventou há uma boa dúzia de anos. Apetecia-nos tanto comentar comentadores cujos títulos dos seus comentários são “Ranking das escolas reflete o fracasso total no ensino público”. Apetecia-nos tanto, mas mesmo tanto, dizer o quão tendenciosos são e a quem servem tais comentários e o tão equivocados que estão quem os faz. Apetecia-nos tanto, tanto, mas no entanto, não. Os “rankings” são um jogo a que não queremos jogar. É um jogo cujo resultado já está decidido à partida, muito antes sequer da primeira jogada. Os dados estão viciados e sabemos bem o quanto não vale a pena dizer nada sobre esse assunto, uma vez que desde há muito, que está tudo dito: “Les jeux sont faits”. Na época em que a Inglaterra era repetidamente derrotada pela Alemanha, numa entrevista, pediram ao antigo jogador inglês Gary Lineker que desse uma definição de futebol...
Independentemente de todas as outras razões, estamos em crer que muito do mal-estar que presentemente assola a classe docente tem origem numa falácia. Uma falácia é como se designa um conjunto de argumentos e raciocínios que parecem válidos, mas que não o são. De há uns anos para cá, instalou-se neste país uma falácia que tarda em desfazer-se. Esse nefasto equivoco nasceu quando alguém falaciosamente quis que se confundisse a escola pública com um elevador, mais concretamente, com um “elevador social”. Aos professores da escola pública exige-se-lhes que sejam ascensoristas, quando não é essa a sua vocação, nem a sua missão. Eventualmente, os docentes podem até conseguir que alguns alunos levantem voo e se elevem até às altas esferas do conhecimento, mas fazê-los voar é uma coisa, fazê-los subir de elevador é outra. É muito natural, que sinta um grande mal-estar, quem foi chamado a ensinar a voar e constate agora que se lhe pede outra coisa, ou seja, que faça...
Aqui vos deixamos algumas atividades desenvolvidas com alunos de 2° ano no sentido de promover uma educação cinematográfica. Queremos que aprendam a ver imagens e não tão-somente as consumam. https://padlet.com/asofiacvieira/q8unvcd74lsmbaag
Comentários
Enviar um comentário