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Mensagens

Há quem ande completamente aos pardais

Quem não se lembra dos tempos de criança na escola primária, em que havia certos e errados marcados a esferográfica vermelha no nosso manual escolar ou no caderno diário? Que tempos esses, em que fazíamos um qualquer exercício, as tabuadas ou uma redação e uma vez terminada a tarefa, a professora, pois que normalmente era uma professora, nos marcava um imenso certo ou um lastimável errado.   O certo era um grande e exuberante “c” minúsculo desenhado a letra manuscrita. A extremidade superior do “c” era sofisticada, elegante e encaracolada. No certo, a extremidade inferior do “c”, ao invés de terminar onde era suposto terminar, ascendia velozmente, a uma velocidade quase supersónica, e prolongava-se por ali afora, parecendo ir direita ao cosmos infinito.   Não raras vezes, o prolongamento da extremidade inferior do “c”, esticava-se mesmo até à ponta do caderno ou do manual, assinalando dessa forma, o orgulho e a esfuziante satisfação da professora primária por o seu alu...

Tudo depende do ponto de vista. Nada é a preto e branco

Os tempos são de extremos, ou preto ou branco, ou oito ou oitenta. Para onde quer que olhemos, seja para as redes sociais, para a política ou para as ruas, parecem ter desaparecido os moderados, os conciliadores e os que criam pontes.   Ainda há pouco eram muitos os que se esforçavam para que pontos de vista diferentes, e até opostos, encontrassem um ponto comum entre ambos. Subitamente, olhamos em nosso redor, e todos estão exaltados, intransigentes e irredutíveis. Obsessivamente convictos que o seu ponto de vista é o certo e não admitindo alternativas. Quase já ninguém quer saber do ponto de vista do outro, se este porventura não for idêntico ao seu. O que sucedeu para aqui chegarmos?   Se nos pusermos a adivinhar, diríamos que parecemos estar a perder a capacidade de ter uma visão profunda do mundo, das coisas e dos outros. Diríamos que cada vez mais nos limitamos a ter apenas um ponto de vista: o nosso. Ter um só ponto de vista, é ver de forma obsessiva e superficial. Só s...

A solidão dos professores (Capítulo II)

  Como os nossos leitores hão de imaginar, ao longo dos já muitos anos da nossa vida, convivemos com centenas de professores. Conhecemos quem desesperasse numa sala de aula, quem se entusiasmasse e quem cumprisse metodicamente a função sem estados de alma. Conhecemos inclusivamente quem fosse intercalando anos sem estados de alma com anos de desespero ou de entusiasmo e o seu exato contrário. A carreira docente é longa, dá para tudo.   A carreira docente dá para tanto, que hoje decidimos escrever um texto de autoajuda para professores. Sim, claro, nós bem sabemos que a autoajuda é uma grande tanga. Mas também sabemos que o mercado da autoajuda está avaliado em 3,8 biliões de euros só nos EUA. Portanto, há muito quem goste. Nós aqui fornecemos esse serviço de forma completamente gratuita. É de aproveitar, que amanhã termina a interrupção letiva da Páscoa e a luta continua.   Quem tiver a paciência de nos ler, de certeza absoluta que amanhã vai entrar...

A solidão dos professores (capítulo I)

Se pesquisarmos em inglês na internet algo sobre a solidão dos professores, encontraremos milhares de artigos e publicações dedicados a esse tema, provenientes quer do Reino Unido, quer dos EUA, quer doutros países de língua inglesa. Se a nossa pesquisa for em espanhol, sucede exatamente o mesmo. Há muito quem se dedique a estudar e a escrever sobre esse tópico, seja em Espanha, seja nos países da América Latina. Se formos pesquisar em francês, iremos verificar que este é igualmente um assunto bastante debatido, inclusivamente, há publicações de grande circulação, como o Le Monde, Le Parisien ou o Charlie Hebdo, que lhe dedicaram reportagens e artigos muito detalhados. Emmanuel Daviddenkoff, editor-chefe do Le Monde, foi professor durante uns anos e disse numa entrevista que  “ce qui m’a le plus frappé c’est la solitude des enseignants”.   https://www.cairn.info/revue-cliopsy-2016-2-page-41.htm   Já se a nossa pesquisa for em português, deparamo-nos com uma estranha situa...

Como restabelecer a autoridade dos professores e a ordem e disciplina nas salas de aula

Em 1967, num liceu de Palo Alto, no estado norte-americano da Califórnia, um professor deu uma lição de história aos alunos. Uma lição que ficou na história. O tema da aula era a Segunda Guerra Mundial. Nisto, houve uma aluna que questionou o professor sobre como tinha sido possível que os alemães tivessem apoiado o regime nazi, acrescentou que atualmente, em 1967, nos EUA, tal jamais sucederia. O professor quis-lhe provar que não tinha razão. Que regimes autoritários podem nascer e crescer em qualquer época e em qualquer lugar. O professor, de seu nome Ron Jones, propôs à turma uma experiência. Na próxima aula, ele encarnaria o papel de um ditador e os alunos seriam os partidários do movimento que o apoiaria e seguiria. Os alunos que mais fiéis fossem ao líder e melhor cumprissem as suas ordens, receberiam a nota máxima, os que mais problemas lhe causassem, receberiam más notas. Na aula seguinte, uma segunda-feira, Jones ordenou à turma que o passasse a tratar por "Mr. Jones...