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Muito barulho para nada

 


A fotografia acima foi tirada em Paris durante as históricas manifestações do Maio de 68. Terão sido belos e excitantes esses dias de Primavera, plenos de desejos de revolução. No meio da contestação e da barulheira geral, nasceram alguns slogans imortais, como por exemplo, “Sê realista, pede o impossível”, “É proibido proibir”, ou ainda, “A imaginação ao poder”.

É certo que a revolução nunca chegou a acontecer, mas ainda assim, foram tempos inesquecíveis, os dessa primavera em Paris. Nessa época, nós ainda não tínhamos vindo ao mundo, mas sabemos que a seguir às manifestações se ia ao Boulevard de Saint-Michel ou a Saint-Germain des Prés conversar e beber um copo e estava o dia feito. Mesmo em anacronia, foram momentos bem passados, os dessas tardes primaveris de Paris.

Como um dia escreveu Ernest Hemingway, “Se tivemos a sorte de enquanto jovens viver em Paris, então essa recordação acompanhar-nos-á pelo resto da nossa vida onde quer que estejamos, porque Paris é uma festa”.


“Muito barulho para nada” é o título de uma célebre comédia teatral de Shakespeare estreada em Londres no ano de 1598. Foi também a partir de Londres, que soubemos esta semana, que o antigo vocalista dos Sex Pistols, Johnny Rotten, hoje já com 66 anos de idade, vai concorrer ao Festival Eurovisão da Canção com uma balada romântica!

Não temos a certeza se os nossos leitores se recordam ou, no caso dos mais novos, se sequer sabem, quem foram os Sex Pistols. Em qualquer dos casos, nós informamos. Os Sex Pistols foram uma importante banda, formada em meados dos anos 70, cuja música inspirou o nascimento do movimento Punk no Reino Unido.

Um dos seus maiores sucessos intitulava-se “Anarchy in UK”. Um outro sucesso, que abaixo vos deixamos, foi composto com um intuito provocativo por altura de um dos primeiros, dos muitos que se seguiriam, jubileus da rainha britânica.

Intitulava-se “God Save the Queen” e começava assim: "God save the queen, The fascist regime. They made you a moron. A potential H bomb. God save the queen. She's not a human being…"

 



Como hão de ter tido oportunidade de escutar, as melodias dos Sex Pistols eram tudo menos melódicas. Em termos técnicos, é possível afirmar que eram mais barulho do que propriamente música. Mas pronto, nos anos 70, a malta andava revoltada e gostava de saltar e bailar ao som produzido pela distorção de altos decibéis.

 

Até à presente semana, já décadas após a dissolução dos Sex Pistols e do movimento Punk se ter esvaído, havia ainda bravos resistentes que convictamente afirmavam “Punks not dead”.

Se por acaso pesquisarem na internet, verificarão que podem adquirir T-Shirts, posters, ímanes e crachás com esse mesmo dizer. O que na imagem abaixo vos mostramos, encontra-se de momento esgotado. É pena.


Mas dito isto, com a recente notícia que Johnny Rotten vai concorrer ao Festival Eurovisão da Canção, estamos em crer que o assunto está encerrado. Agora não há hipótese, com esta, a rebeldia Punk está definitivamente morta e enterrada.

O que também é pena, pois nós há muito que gostamos de ir de weekend a Londres apanhar ar, e de caminho ir dar uma volta por Camden Town para ver os punks. É uma coisa gira de se ver e que vale a viagem.


Dados os factos, não é de todo em todo descabido, concluir que o resultado final do movimento Punk, se pode resumir parafraseando o título da peça teatral de Shakespeare: foi muito barulho para nada.

 

Atualmente, continua a haver quem insista em fazer muito barulho para nada. Tomemos, por exemplo, os ativistas ambientais. Ele é manifestações, reuniões, sensibilizações e o mais que houver. Quanto a resultados propriamente ditos, zero, ou pouco mais que isso.

Ocupar uma escola ou atirar umas quantas sopas de tomate a uma obra de Van Gogh, pode causar muito “barulho” mediático, mas tirando isso, não cremos que tenha qualquer outro efeito.

 


Não nos interpretem mal, nós não somos negacionistas das alterações climáticas nem nada disso, muito pelo contrário. Nós queremos um planeta menos poluído e mais saudável. Nós separamos o lixo, andamos a pé ou de transporte público e não somos viciados no consumo. Contudo, verificamos que as “barulhentas” ações dos ativistas ambientais, a ninguém convencem e nada resolvem.

 

Podem contrapor-nos, que o objetivo das ações dos ativistas, não é tanto resolver os problemas, mas sim pressionar os políticos e quem efetivamente detém o poder, para que o faça. No entanto, nem isso conseguem, pois a maior parte dos políticos e poderosos deste mundo, está-se completamente nas tintas para os ativistas ambientais. Em conclusão, o resultado prático do ativismo ambiental, mais não é que uma desilusão, ou seja, muito barulho para nada.

 

Há quem se dedique a atirar sopa de tomate a obras de arte e a ocupar escolas, mas há também quem se dedique a ler, a ver, a escutar e a estudar para posteriormente propor soluções. E, mais tarde ainda, lutar e trabalhar para as implementar. Deixamo-vos um artigo jornalístico com as dez cidades mais sustentáveis do mundo e o que podemos aprender com elas:

 

https://wikihaus.com.br/blog/o-que-podemos-aprender-com-as-10-cidades-mais-sustentaveis-do-mundo/

 

Nós nunca simpatizámos com a Greta Thunberg. Não pela pessoa em si, que não conhecemos de lado nenhum, mas sim pela aura de santidade em que a envolveram.



Recentemente, descobrimos que a moça afinal não era tão santa quanto a julgávamos. Andrew Tate, um muito famoso “kickboxer” norte-americano, quis dizer a Greta Thunberg quantos carros tinha. Identificou-a numa publicação no Twitter e escreveu assim: "Olá, Greta Thunberg. Tenho 33 carros. O meu Bugatti tem um motor w6 8.0L quad turbo. Os meus dois Ferraris 812 Competizione têm 6.5L v12s. Isto é apenas o começo. Diz-me o teu e-mail para que eu te possa enviar uma lista completa da minha coleção de carros e as suas respectivas enormes emissões de CO2”.

 

A Greta reagiu e respondeu da seguinte forma: “Sim, por favor, diz-me. Envia-me um e-mail para smalldickenergy@getalife.com. O que Greta insinua com esta resposta, é que há uma relação direta entre ser proprietário de veículos motores de grande potência e ser um “smalldicker”.

A insinuação de Greta é certeira, pois há muito que as pesquisas científicas concluíram, que o volume de decibéis produzido pelo barulho de um motor ou de um escape de um veículo, é inversamente proporcional à virilidade do homem que é seu proprietário e, também, ao tamanho do seu pénis. Ou seja, quem muito acelera faz muito barulho para nada.

 

A evidência científica desta relação, é de tal maneira forte, que no Reino Unido, houve uma imensa campanha institucional da segurança rodoviária local, unicamente baseada nesse pressuposto:

 


Regressemos ao Punk. Muitos anos antes de em Londres os Sex Pistols terem começado a fazer barulho, já em Nova Iorque outros tinham inventado tudo o que havia para inventar acerca do Punk Rock, só não faziam era tanto barulho.

 Entre esses, estavam The Ramones.

Uma das canções dos Ramones de que mais gostamos é “Baby, I Love You”, de 1980. O cineasta português Miguel Gomes usou-a numa cena do seu maravilhoso filme de 2012, “Tabu”.

O filme conta-nos a história de uma mulher atormentada por um estranho episódio de amor aquando da sua estadia nos anos 60 numa colónia portuguesa em África. Toda a história nos é contada por um narrador, que em voz off nos lê um texto poético e algo filosófico. É um filme sem barulho, quase silencioso.

 

Abaixo, deixamos-vos essa cena passada em África algures na década de 60, mas cuja banda sonora é um tema dos anos 80. Aqui não há anacronias, ao contrário do que sucede com o barulho, a grande música atravessa as fronteiras do tempo.

 



 

 


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