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Que caminho seguir na Educação?

 


Um sinal de sentido obrigatório é desesperante. E há lá coisa mais irritante do que parar num semáforo vermelho ou num sinal de stop? Tanto faz que vamos a pé, de bicicleta ou de automóvel, é sempre uma maçada quando nos obrigam a parar ou a seguir num certo sentido. Fica-se até com a sensação de que estão a restringir a nossa liberdade.

Bem sabemos que os sinais de trânsito são úteis e necessários e que os devemos respeitar para que não haja acidentes, no entanto, lá por sabermos tudo isso, tal não significa que não nos sintamos irritados quando nos obrigam a parar ou a ir obrigatoriamente por ali.

 

Caso algum leitor esteja a pensar que os parágrafos antecedentes não são reveladores de uma grande coerência da nossa parte, nós chamamos em nossa defesa uma citação do maior de todos os poetas norte-americanos, Walt Whitman (1819-1892): “Contradigo-me? Pois bem, então contradigo-me. Sou extenso, contenho em mim multidões”.

 

A coerência não é portanto uma das nossas virtudes. Gostamos de uma coisa e do seu contrário, é conforme, não somos rígidos. Gostamos de nos movimentarmos e de passear por aqui e por ali, de andar a pisar a calçada pelas ruas e avenidas da cidade e de ir estrada fora sem destino traçado. Não gostamos de parar nem de seguir por sentidos obrigatórios. Não gostamos de respostas certas. Como Walt Whitman, não seguimos um programa fixo, gostamos de ser flexíveis, de viver e pensar com plasticidade e liberdade.



Fazendo uso da nossa liberdade para nos movimentarmos por onde muito bem nos aprouver, seguimos agora por um outro caminho. Não é obrigatório que os nossos leitores nos sigam, claro está, mas gostávamos que nos acompanhassem. 

Viajamos até ao Oriente, pois este domingo, dia 22 de janeiro, comemora-se o ano novo chinês. É o ano do Coelho.


O Coelho de Jade é a mais conhecida das antigas lendas chinesas. Segundo a lenda, há um coelho que acompanha a deusa lunar Chang’e, tendo por esta sido encarregue de produzir o elixir da eternidade. 

Em noites de lua cheia, o coelho é visível da Terra, mas não por aqueles que já nada de diferente desejam e que, cansados e desencantados, se limitam a repetidamente seguir o caminho traçado, tal e qual como foi fixado no “programa”, incluindo todos os sentidos obrigatórios e respetivas paragens.

Esses, os resignados, olham e não veem.

Como se diz na lenda, o coelho só é vislumbrado pelos apaixonados e entusiasmados pela vida.


Caros leitores, movimentamo-nos novamente noutra direção, mas desta vez a viagem não é grande, fazemos apenas um desvio, pois a comemoração do ano novo chinês, parece-nos uma boa ocasião para escrevermos sobre como vão as coisas na China, no que à educação diz respeito.

As notícias mais recentes, dão-nos a saber que a última grande decisão no campo da educação do governo chinês, foi proibir as explicações, os centros de estudo e afins. Esta decisão governamental foi tomada contra a vontade da larga maioria dos encarregados de educação, que, ao longo dos últimos anos, têm investindo cada vez mais dinheiro para que os seus educandos tenham um futuro académico esplendoroso.

Esta linha política começou a ser implementada em 2022 e foi levada às últimas consequências já em 2023. Foi uma decisão que fez furor na imprensa mundial, mas que passou completamente despercebida em Portugal.

Em Portugal, só se fala de educação quando há esturro. Fora isso, zero.

Nós gostaríamos de vos fornecer um link de um site português com esta notícia, mas não encontrámos nenhum. Encontrámos sites ingleses, franceses, alemães, brasileiros, espanhóis e de muitos outros países, nenhum de Portugal. Paciência.

Contudo, quem assim o desejar, pode ler uma notícia sobre uma das consequências dessa decisão num artigo publicado ainda em 2022, no site da CNN Brasil:

https://www.cnnbrasil.com.br/business/maior-empresa-de-educacao-chinesa-demite-60-mil-pessoas-apos-reformas-no-setor/

 

Quem leu a notícia acima, ficou a saber que, como consequência desta decisão política do governo chinês, a maior empresa privada chinesa da área da educação, a New Oriental Education & Technology, foi obrigada a despedir 60 000 funcionários!

O serviço que esta enorme empresa, com lucros de biliões, prestava aos seus clientes, era o de apoio escolar através de explicações particulares, centros de estudo e aulas de reforço presenciais ou on-line.

A China, cuja ambição explícita e anunciada, é a de em breve se tornar a primeira potência mundial, considerou que as explicações, centros de estudo e aulas de reforço, assim como os trabalhos de casa, só atrapalham a consecução desse objetivo. Tudo isso sobrecarrega as crianças, impedindo o seu desenvolvimento global e exacerbando simultaneamente a desigualdade social.

 


Segundo o governo chinês, para chegar a ser a primeira potência mundial, a China não necessita de tanta rigidez no estudo, necessita sim de gente com mais plasticidade mental e maior flexibilidade. Também não necessita que se crie uma “elite” de meninos crescidos cujos pais lhes puderam pagar imensas horas de explicação. Necessita sim que as classes sociais se movimentem entre si.

Sabemos bem que o sistema político chinês é bem diferente do ocidental, contudo, alguns países andam de há uns tempos a esta parte, a matutar sobre esta decisão vinda de oriente. Não é de todo em todo improvável, que mesmo sem se chegar ao extremo de proibir, haja um ou outro país ocidental que siga os passos da China e desaconselhe explicações, centros de estudo e afins. Logo a começar pela nossa vizinha Espanha, onde esse debate já anda no ar.

 

Nós por aqui, não vamos propriamente ficar radiantes se um dia a China vier a ser a primeira potência mundial. Nada temos contra a China em si, deve ser um país muito interessante, lindíssimo e com gente muito simpática, ainda assim, preferimos claramente os regimes políticos ocidentais. Por muitos defeitos que tenha, a podermos escolher, queremos que a América continue a ser a primeira potência mundial e que o ocidente, incluindo Portugal, a acompanhe.

Entre muitas e muitas outras coisas, o que nos faz preferir a América, é fundamentalmente o facto de na sua essência, a América ser uma terra de gente livre e criativa. The American Dream pressupõe que nada está programado, que numa só vida se pode ser o que se quiser, tudo e o seu contrário.

Nós desde sempre que amámos a liberdade, pois que só com liberdade há paixão e entusiasmo pela vida e, por consequência, criatividade. Em síntese, só a liberdade nos permite vislumbrar coelhos em noites de lua cheia e até noutras ocasiões.

 


(Capa de um livro dedicado a quatro décadas de arte norte-americana. 

À esquerda uma pintura de Jaspers Johns, à direita uma escultura de Jeff Koons)

 

Leitores, mudemos uma vez mais o nosso caminho. Vamos agora por um atalho que nos conduz a uma viagem ao passado. Há muito tempo atrás, quando éramos jovens, frequentávamos a escola como alunos e conhecíamos colegas nossos que tinham explicações. Que tristes eram.

Enquanto nas tardes livres, após as aulas, nós íamos passear pelos parques e jardins, calcorrear ruas e avenidas, ao cinema ou fazer o que nos desse na real gana, os coitados eram obrigados a ter explicações. Via-se-lhes no rosto o desgosto. Caminhavam encurvados, arrastando os pés como pobres condenados que eram. Que será feito deles? Isso não sabemos.

 

Mais uma reviravolta e toca a andar novamente para a China e também para os “Good Old USA”. Podemos movimentarmo-nos para dois lados ao mesmo tempo, garantimos aos nossos leitores que temos plasticidade suficiente para isso.

Deixamo-vos uma canção que nos fala de uma lenta viagem “A slow boat to China”. O tema é aqui interpretado por Dean Martin. Para além da interpretação em si mesma, o que nos salta imediatamente à vista nesta aparição televisiva de Dean Martin, é que era um homem livre. Sabemos que nunca seguia as indicações cénicas que lhe davam. Sabemos que desistiram de lhe dar indicações. Sabemos que nunca se deixou parar e jamais se regeu por sentidos obrigatórios.

Vê-se bem que nunca precisou de explicações para ter paixão e entusiasmo pela vida:

 



Queremos que os nossos alunos sintam paixão e entusiasmo pela vida. Queremos que não vejam só sinais de sentido obrigatório ou sinais de stop. Queremos que abracem a plasticidade da vida...

Guião de aprendizagem "Plasticidade = Flexibilidade + Movimento"

https://drive.google.com/file/d/16HJeUIdS0lfTvI15wf6cwG54ac2GjwiI/view?usp=sharing

Ficha de Exploração "Plasticidade = Flexibilidade + Movimento"

https://drive.google.com/file/d/1d06sHj7dCTXVOyu4LtQdqIaosRkrK3cn/view?usp=sharing


  


 



 








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