Avançar para o conteúdo principal

Agora é que é: 2024 vai ser a loucura total.


Há quem já esteja a desesperar, aproxima-se a passos largos 2024 e ainda nada. Tinham-nos prometido uma grande farra e até agora a coisa tem sido um tanto ou quanto chocha.
Se bem se recordam, aqui há uns anos, prometeram-nos que a década de 20 do século XXI iria ser igual à década de 20 do século XX, aquela que para sempre ficou conhecida como “Os loucos anos 20”.
Dadas as promessas, esperávamos por pândegas, pagodes e patuscadas sem fim, porém, o mais que houve até ao momento foi uma pandemia, coisa que, começando como as restantes pela letra “p”, não é bem o mesmo que a estroinice, a galderice e o deboche por que ansiosamente aguardávamos.
Indo nós já quase a meio da década de 20, há que dizer com coragem e frontalidade, que de louco, estes últimos tempos têm tido pouco. Têm sido até mais a atirar para o tristonho. Sente-se no ar um certo desapontamento, uma desilusão à espreita.
Quem quiser confirmar as promessas, é só ir pesquisar na internet, o que não falta são abundantes títulos de jornais e revistas de 2020 e 2021, cujo tema era o regresso no presente aos loucos anos 20 de há um século atrás.
Inclusivamente, a muito séria e circunspecta Faculdade de Medicina de Lisboa, publicou na sua revista oficial, em maio de 2021, um artigo dedicado a esse assunto. Como se vê, até os médicos andavam a esfregar as mãos de contentamento e nem se lembravam cá das carreiras e das horas extraordinárias. Vinham aí dias de folguedo e folia e isso era o que lhes interessava, o resto logo se veria.
Já agora, o título do artigo era “Será que no século XXI irão regressar os loucos anos 20?”. Quem quiser ler o que então diziam os doutores, é fazer favor:
Nós não somos Sua Santidade, mas também vos trazemos hoje uma mensagem de esperança. Para todos os que continuam à espera do regresso dos loucos anos 20, nós só temos uma coisa a dizer: não desesperai.
A desesperança não vos conduzirá a lugar algum, mais a mais, que felizmente para todos vós, os que esperais, existe este blogue, um farol cuja luz vos iluminará o caminho. Segui a luz que vedes e não temais, somos nós que em verdade vos diz, que os loucos anos 20 vão voltar.
Abaixo a imagem de uma pintura de Otto Dix de 1928, “Metropolis”, um retrato fiel dos loucos anos 20.

Estudámos o assunto com uma profundidade que foi muito para além da mera leitura dos títulos das revistas e dos jornais e, por consequência, estamos em perfeitas condições de vos esclarecer cabalmente sobre o que efetivamente se passa, para assim podermos restituir-vos a esperança.
O que descobrimos nessa nossa análise bastante detalhada e aprofundada da situação, foi que os loucos anos 20 do século XXI, afinal só começam em 2024. Em boa verdade, o referido artigo da revista da Faculdade de Medicina de Lisboa de maio de 2021, já o dizia claramente, a loucura inicia-se em 2024.
O problema é que a parte do artigo em que isso se disse, está só lá mais para o final do texto e provavelmente ninguém a leu. A mania de se ler as coisas pela rama e na diagonal, é no que dá. Mas pronto, o que lá vai, lá vai. Ainda assim, daqui tira-se uma preciosa lição, ou seja, a de que para se compreender bem um texto, se o deve ler com atenção até ao fim. Se alguma vez fizerem um exame ou uma prova de aferição, tenham esta lição em consideração.
Citemos então agora a parte final do artigo da revista da Faculdade de Medicina de Lisboa, que antes, no início da década, em maio de 2021, provavelmente ninguém leu com a devida atenção: “…só em 2024 é que se iniciarão os loucos anos 20 deste século, onde as pessoas por terem estado confinadas durante muito tempo vão procurar incansavelmente interações sociais em clubes noturnos, restaurantes, bares, eventos desportivos, desfiles políticos, concertos..., podemos esperar alguma libertinagem sexual e gastar dinheiro”.
Se aprenderam a lição e leram a passagem citada até ao fim, algo já terão percebido, a razão por que a classe médica andava tão satisfeita nesses anos recentes e anda agora tão mais cabisbaixa.
Com efeito, no início desta década havia promessas de “interações sociais em clubes noturnos”, mas o que veio depois, foram noites seguidas de plantão nas urgências, o que não é bem a mesma coisa.
O artigo dizia igualmente que se ia gastar dinheiro, todavia, o que sucedeu aos médicos foi terem perdido rendimento, o que mais uma vez, não é bem a mesma coisa.
Quanto à libertinagem sexual, nem é bom falar. Lá que aos médicos lhes batem grávidas à porta todos os dias vindas sabe-se lá donde, disso não há dúvidas. O problema é que as grávidas que subitamente lhes batem à porta, não são resultado das libertinagens sexuais dos doutores, mas sim de muitos blocos de parto estarem encerrados.
Em síntese, se uma qualquer outra pessoa, que não um médico, passasse noites e noites fora, gastasse tudo o que tinha e lhe batessem continuamente grávidas à porta, dir-se-ia que já vivia em pleno nos “loucos anos 20”, só que sendo doutor, afinal não.
Abaixo a imagem de uma pintura de Otto Dix de 1922, um retrato do Dr° Heinrich Stadelmann, um conhecido clínico alemão que viveu à grande os loucos anos 20.


Em 2021, mais concretamente no dia 19 de abril, lia-se o seguinte título no jornal Público: “Em 2024 começam os loucos anos 20 do século XXI”. Ora bem, vamos lá ver uma coisa, se relativamente ao artigo da Faculdade de Medicina de Lisboa, a referência a 2024 só vinha lá para o fim do texto, sendo portanto compreensível que ninguém a tivesse lido, já no artigo do Público, a referência a 2024 estava logo no título, sendo portanto incompreensível como é que ninguém a viu. O caso é que toda a gente viu, mas ninguém lhe ligou nenhuma.
Feitas as contas, só podemos concluir que no início desta década, em 2021, estávamos todos tão ansiosos por andarmos loucos na gandaia e na esbórnia, que ninguém sequer reparou que a coisa só se iria iniciar lá para 2024.
Dito isto, cremos que cumprimos a nossa missão, devolvemos a esperança a todos os que já iam descrendo que o século XXI tivesse os seus loucos anos 20. Estando a loucura prestes a iniciar-se, o que nós neste blogue vamos fazer nos próximos dias é rever a matéria dada.
Iremos verificar como foram “os loucos anos 20” do século XX, para sabermos o que nos espera no século XXI. Uma coisa podemos já dizer-vos, há um século tudo se reinventou: a música, a literatura, a arte, o sexo, a educação, a moda, a arquitetura, o desporto e tudo o mais. Foi nesse momento que apareceram o Jazz, o cinema sonoro, a psicanálise, a arte de vanguarda, a rádio, o gramofone, as danceterias, os maillots de banho, os vestidos “demasiado” curtos e um abundante trânsito automobilístico.
Despedimo-nos por hoje, sendo que pelos próximos dias continuaremos com os loucos anos 20 do século XX, mas só até ao primeiro dia do ano de 2024, pois a partir daí, começam finalmente os loucos anos 20 do século XXI e, se tudo correr bem, vamos ter mais com que nos entretermos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Os professores vão fazer greve em 2023? Mas porquê? Pois se levam uma vida de bilionários e gozam à grande

  Aproxima-se a Fim de Ano e o subsequente Ano Novo. A esse propósito, lembrámo-nos que serão pouquíssimos, os que, como os professores, gozam do privilégio de festejarem mais do que uma vez num mesmo ano civil, o Fim de Ano e o subsequente Ano Novo. Com efeito, a larguíssima maioria da população, comemora o Fim de Ano exclusivamente a 31 de dezembro e o Ano Novo unicamente a 1 de janeiro. Contudo, a classe docente, goza também de um fim de ano algures no final do mês de julho, e de um Ano Novo para aí nos princípios de setembro.   Para os nossos leitores cuja agilidade mental eventualmente esteja toldada pelos tantos comes e bebes ingeridos na época natalícia, explicitamos que o fim do ano letivo é em julho e o início em setembro. É disso que aqui falamos, esclarecemos nós, para o caso dessa subtil alusão ter escapado a alguém.   Para além da classe docente, são poucos os que têm esta oportunidade, ou seja, a de ter múltiplas passagens de ano num só e mesmo ano...

Que bela vida a de professor

  Quem sendo professor já não ouviu a frase “Os professores estão sempre de férias”. É uma expressão recorrente e todos a dizem, seja o marido, o filho, a vizinha, o merceeiro ou a modista. Um professor inexperiente e em início de carreira, dar-se-á ao trabalho de explicar pacientemente aos seus interlocutores a diferença conceptual entre “férias” e “interrupção letiva”. Explicará que nas interrupções letivas há todo um outro trabalho, para além de dar aulas, que tem de ser feito: exames para vigiar e corrigir, elaborar relatórios, planear o ano seguinte, reuniões, avaliações e por aí afora. Se o professor for mais experiente, já sabe que toda e qualquer argumentação sobre este tema é inútil, pois que inevitavelmente o seu interlocutor tirará a seguinte conclusão : “Interrupção letiva?! Chamem-lhe o quiserem, são férias”. Não nos vamos agora dedicar a essa infrutífera polémica, o que queremos afirmar é o seguinte: os professores não necessitam de mais tempo desocupado, necessitam s...

Se a escola não mostrar imagens reais aos alunos, quem lhas mostrará?

  Que imagem é esta? O que nos diz? Num mundo em que incessantemente nos deparamos com milhares de imagens desnecessárias e irrelevantes, sejam as selfies da vizinha do segundo direito, sejam as da promoção do Black Friday de um espetacular berbequim, sejam as do Ronaldo a tirar uma pastilha elástica dos calções, o que podem ainda imagens como esta dizer-nos de relevante? Segundo a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, no pré-escolar a idade média dos docentes é de 54 anos, no 1.º ciclo de 49 anos, no 2.º ciclo de 52 anos e no 3.º ciclo e secundário situa-se nos 51 anos. Feitas as contas, é quase tudo gente da mesma criação, vinda ao mundo ali entre os finais da década de 60 e os princípios da de 70. Por assim ser, é tudo gente que viveu a juventude entre os anos 80 e os 90 e assistiu a uma revolução no mundo da música. Foi precisamente nessa época que surgiu a MTV, acrónimo de Music Television. Com o aparecimento da MTV, a música deixou de ser apenas ouvida e pa...

Chove na alma de Portugal - Capítulo III

Continuamos hoje esta nossa série de textos dedicados à alma portuguesa, sendo que nos dias que correm, só há uma certeza, a de que chove, e muito. A lusitana nação pode ser tudo ou não ser nada, mas o que é certo, é o que nos últimos tempos está constantemente toda encharcada. Não é comum vivermos desta forma, nesta espécie de contínuo dilúvio, mas ainda assim, é possível entrevermos a alma portuguesa, mesmo com tanta e tão intensa chuva. Para tal, nada melhor do que falarmos da poesia nacional. Vejamos para começarmos, este breve poema de Nuno Júdice (1949-2024): Chove como sempre. E, sempre que chove, as pessoas abrigam-se (as que não estavam à espera que chovesse); ou abrem, simplesmente, o chapéu-de-chuva - de preferência com fecho automático. Porque, quando chove, todos temos de fazer alguma coisa: até nós, que estamos dentro de casa. Vão, uns, até à janela, comentando: "Que Inverno!" sentam-se, outros, com um papel à frente: e escrevem um poema, como este. Diga-se de p...

A alma de Portugal cheira a peixe - Capítulo IV e final

  Para terminarmos esta nossa série de textos dedicados à alma de Portugal, vamos ser simultaneamente peixeiros, poéticos e populares. Todavia, não o seremos necessariamente por esta ordem, ou seja, iremos efabular acerca desta tríade de assuntos, peixes, poemas e uma música popular, mas sem estabelecermos qualquer hierarquia entre esses três temas. Poder-se-ia bem dizer que temos um triângulo de temáticas, ou seja, uma figura geométrica com três lados iguais e os respectivos vértices onde cada uma das linhas se encontra com as restantes. Significa isto, entre outras coisas, que hoje nos vamos concentrar na poesia nacional, no peixe fresco e numa canção popular, uma trindade que a nosso ver, reflecte plenamente a alma portuguesa. Comecemos por um dos vértices do dito triângulo temático, a saber, o que une peixe e poesia. Bem sabemos que nesta nossa amada pátria, há quem seja muito intelectual e que, por consequência disso, não goste de misturar poesia com peixe. Para a fina intelec...

American Friends

  Há muito quem por cá, e também pelo resto da Europa, sofra de um complexo de superioridade relativamente aos Estados Unidos da América. É certo que nos últimos tempos se têm verificado na grande nação norte-americana, alguns acontecimentos mais inusitados, contudo, e ainda assim, há poucas razões para alguém no chamado velho continente, se sentir superior às gentes dos bons USA.   São muitos os exemplos que se poderiam apresentar, de como os EUA´s são superiores à Europa em quase tudo o que fazem, todavia, nós escolhemos ao dia de hoje, centrar a nossa atenção em apenas um desses aspectos, a saber, na estreita e íntima relação existente entre universidades e arte.   Só para iniciarmos a conversa, veja-se a imagem abaixo do   Weisman Art Museum, pertencente à Universidade do Minnesota.                     O edifício do museu da Universidade do Minnesota foi...

A propósito de “rankings”, lembram-se dos ABBA? Estavam sempre no Top One.

Os ABBA eram suecos e hoje vamos falar-vos da Suécia. Apetecia-nos tanto falar de “rankings” e de como e para quê a comunicação social os inventou há uma boa dúzia de anos. Apetecia-nos tanto comentar comentadores cujos títulos dos seus comentários são “Ranking das escolas reflete o fracasso total no ensino público”. Apetecia-nos tanto, mas mesmo tanto, dizer o quão tendenciosos são e a quem servem tais comentários e o tão equivocados que estão quem os faz. Apetecia-nos tanto, tanto, mas no entanto, não. Os “rankings” são um jogo a que não queremos jogar. É um jogo cujo resultado já está decidido à partida, muito antes sequer da primeira jogada. Os dados estão viciados e sabemos bem o quanto não vale a pena dizer nada sobre esse assunto, uma vez que desde há muito, que está tudo dito: “Les jeux sont faits”.   Na época em que a Inglaterra era repetidamente derrotada pela Alemanha, numa entrevista, pediram ao antigo jogador inglês Gary Lineker que desse uma definição de futebol...

Avaliação de Desempenho Docente: serão os professores uns eternos adolescentes?

  Há já algum tempo que os professores são uma das classes profissionais que mais recorre aos serviços de psicólogos e psiquiatras. Parece que agora, os adolescentes lhes fazem companhia. Aparentemente, uns por umas razões, outros por outras completamente diferentes, tanto os professores como os adolescentes, são atualmente dos melhores e mais assíduos clientes de psicólogos e psiquiatras.   Se quiserem saber o que pensam os técnicos e especialistas sobre o que se passa com os adolescentes, abaixo deixamos-vos dois links, um do jornal Público e outro do Expresso. Ambos nos parecem ser um bom ponto de partida para aprofundar o conhecimento sobre esse tema.   Quem porventura quiser antes saber o que pensamos nós, que não somos técnicos nem especialistas, nem nada que vagamente se assemelhe, pode ignorar os links e continuar a ler-nos. Não irão certamente aprender nada que se aproveite, mas pronto, a escolha é vossa. https://www.publico.pt/2022/09/29/p3/noticia/est...

Aos professores, exige-se o impossível: que tomem conta do elevador

Independentemente de todas as outras razões, estamos em crer que muito do mal-estar que presentemente assola a classe docente tem origem numa falácia. Uma falácia é como se designa um conjunto de argumentos e raciocínios que parecem válidos, mas que não o são.   De há uns anos para cá, instalou-se neste país uma falácia que tarda em desfazer-se. Esse nefasto equivoco nasceu quando alguém falaciosamente quis que se confundisse a escola pública com um elevador, mais concretamente, com um “elevador social”.   Aos professores da escola pública exige-se-lhes que sejam ascensoristas, quando não é essa a sua vocação, nem a sua missão. Eventualmente, os docentes podem até conseguir que alguns alunos levantem voo e se elevem até às altas esferas do conhecimento, mas fazê-los voar é uma coisa, fazê-los subir de elevador é outra.   É muito natural, que sinta um grande mal-estar, quem foi chamado a ensinar a voar e constate agora que se lhe pede outra coisa, ou seja, que faça...

Luzes, câmara, ação!

  Aqui vos deixamos algumas atividades desenvolvidas com alunos de 2° ano no sentido de promover uma educação cinematográfica. Queremos que aprendam a ver imagens e não tão-somente as consumam. https://padlet.com/asofiacvieira/q8unvcd74lsmbaag