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Eles olham para a direita, e PISA, PISA. Eles olham para a esquerda, e PISA, PISA.

Saíram esta semana os sempre muito aguardados resultados dos testes PISA e a grande conclusão a tirar, é que os professores são do que mais adorável há no nosso sistema educativo. Mas só no final deste texto daremos conta das razões porque fazemos tal afirmação, até lá vamos deambular.
Os testes PISA realizam-se de três em três anos e avaliam o sistema educativo dos 37 países da OCDE. Nesta sua mais recente edição, participaram ainda outros 44 países. Assim sendo, o total de países participantes foi de 81. Segundo o mapa da imagem acima, em termos de resultados globais, Portugal ocupa o 27° lugar, uma posição de TOP.

Durante grande parte do século XX, o sistema educativo português foi sempre um dos piores, quando não mesmo o pior, da OCDE. Já no século XXI começou a melhorar em todos os domínios e há uns pouco de anos, a avaliar pelos resultados do PISA e não só, chegou mesmo a ser considerado o 16° melhor sistema educativo do mundo.

Quem leu a imprensa, viu televisão e escutou a opinião pública nacional durante os últimos anos, jamais suspeitaria que Portugal ocupasse posições tão cimeiras nos rankings internacionais em matéria de educação. Raros ecos houve disso para cá da nossa fronteira. Mas do lado de lá, a começar logo pela vizinha Espanha, esse facto foi notado e houve inúmeros especialistas que até se questionaram nos jornais e na internet se “Es Portugal la nueva Finlandia en educación?”


Mesmo quando os resultados são bons e os progressos consideráveis, raros são os que em Portugal gostam do nosso sistema educativo. É uma espécie de ódio de estimação. Por assim ser, quando há qualquer notícia negativa é um fartar vilanagem, toca imediatamente de malhar a valer na educação nacional.

Como os recentes resultados do PISA revelaram uma acentuada queda, foi um ver se te avias. Não houve cão nem gato que não viesse logo dar umas boas bordoadas na escola portuguesa. Nas redes sociais e nos jornais foi uma corrida desenfreada a ver quem lhe dava com mais força. Vejamos um dos títulos da imprensa nacional, que é perfeitamente ilustrativo dessa situação.


O que mais nos chama a atenção neste título são as aspas na palavra sucesso. O que essas aspas subtilmente nos dizem, é que para o autor do título, o sucesso educativo português dos últimos anos não era bem um sucesso, era mais uma coisa a modos que em forma de assim entre aspas, ou seja, não era para levar a sério.
Nota-se também que o autor terá espumado de júbilo ao iniciar a frase com “Portugal ja não é…”. Como se finalmente sentisse uma brisa de liberdade e “já” pudesse dizer mal do nosso sistema educativo à vontade, liberto “já” de todos os dados e factos que contrariavam (e contrariam) a sua opinião.

Assim como há quem se desfaça em gargalhadas quando vê alguém cair no meio da rua, em muitos dos títulos dos diversos jornais, sente-se que há também essa mesma espécie de contentamento, usando-se e abusando-se de palavras como “trambolhão”, “queda”, “falhanço” e “desastre”.
Parece que os estamos a ver, aos autores dos títulos, quase como se fossem um grupo de adolescentes inconscientes a rirem-se à desbragada e a dizer “eh lá, ganda trambolhão que a velha deu”. Só que, em vez da velha diriam antes: “eh lá, ganda trambolhão que o sistema educativo deu”.


Todavia, bastaria estarem com um pouco de atenção para perceberem que o trambolhão, a queda, o falhanço e o desastre nos resultados do PISA, não foi do sistema educativo português, foi do mundo inteiro, tendo sido uma consequência direta dos anos de pandemia.

Em Portugal há quem escreva e diga que a pandemia não explica tudo, insinuando desse modo que a explicação é consequência e inerente ao nosso próprio sistema educativo. Constatam que houve uma queda generalizada a nível mundial, mas insinuam que em Portugal teria sido pior. Para esses e não só, comparemos a situação portuguesa com a espanhola e igualmente com as médias da OCDE e da União Europeia.

Pontos obtidos a matemática: Espanha (473) / Portugal (472) / Média da OCDE (472) / Média da União Europeia (474)

Pontos obtidos na leitura: Espanha (474) / Portugal (477) / Média da OCDE (476) / Média da União Europeia (475)

Pontos obtidos em ciências: Espanha (485) / Portugal (484) / Média da OCDE (485) / Média da União Europeia (484)

Feitas as contas, Portugal e Espanha obtiveram resultados praticamente idênticos e em linha com as médias da OCDE e da União Europeia. Se ao invés de lermos os jornais, as redes sociais e vermos as televisões formos consultar o que nos diz o relatório oficial do PISA, lá leremos o seguinte: “Os alunos portugueses obtiveram resultados na média da OCDE a matemática, leituras e ciências”.

Aqui fica para quem quiser ler o capítulo relativo a Portugal:


Mas vejamos como o maior e mais lido jornal espanhol, o El Pais, reagiu ao trambolhão (ou queda, ou falhanço ou desastre) nos resultados do PISA, que, recorde-se, foi praticamente idêntico ao português : “España obtiene su peor resultado, pero resiste el batacazo educativo global mejor que su entorno (Espanha obtém o seu pior resultado, mas resiste ao tombo educativo global melhor que o seu entorno)”.

A maior parte da comunicação social espanhola optou pelo mesmo diapasão, ou seja, constatou que houve um tombo, mas todos caíram e não apenas um. Para além disso, destacou-se que Espanha resistiu melhor a esse tombo de que muitos outros países.
Aqui chegados, é fácil de constatar que em Espanha e Portugal, resultados muito semelhantes tiveram coberturas mediáticas e reações na opinião pública muito diferentes.

Mas vejamos igualmente o que se terá passado no Brasil ao tomar-se conhecimento dos resultados do PISA. Para tal, olhemos para o que diz o maior jornal do outro lado do Atlântico, a Folha de São Paulo: “Pandemia derrubou qualidade da educação no mundo a nível sem precedentes, aponta Pisa. Brasil também teve recuo, mas em nível menor”.

Globalmente, o Brasil situa-se no 60° lugar, mas é impressão nossa, ou ainda assim, o seu mais importante jornal decidiu começar por destacar que o recuo brasileiro não foi tão grave como o de outros países, ou seja, decidiu destacar algo de positivo?

Manda a verdade que se diga, que os resultados do PISA do Brasil têm muito pouco de positivo, mas se abrirmos o site da CNN Brasil há um parágrafo que nos diz o seguinte: “Apesar dos resultados considerados abaixo da média, se comparados aos dados das últimas edições, o Brasil se manteve estável, levando em conta as dificuldades impostas pela Covid-19. O país conseguiu, inclusive, subir algumas posições no ranking.”

Ora bem, a comunicação social brasileira consegue ver alguns aspetos positivos nos resultados do Brasil no PISA, já a portuguesa só consegue ver uma catástrofe nos resultados de Portugal. Só por curiosidade, comparemos os números:

Pontos obtidos a matemática: Brasil (379) / Portugal (472)

Pontos obtidos na leitura: Brasil (410) / Portugal (477)

Pontos obtidos em ciências: Brasil (403) / Portugal (484)

Aqui fica a notícia da Folha de São Paulo:


Como antes já dissemos, há uma percepção na opinião pública que o desastre português é bastante maior que o de outros países. Claro que não é. Se para o provarmos antes fizemos comparações com o que se diz na comunicação social portuguesa e com o que se diz na espanhola e brasileira, vamos agora a meios de comunicação globais, verificando por exemplo o que se diz na Aljazeera.

Segundo noticia a Aljazeera: “Iceland, the Netherlands, Norway and Poland were among countries that saw notably lower achievements in maths, the report showed. Germany and France scored in the lower ranks among European countries, with German pupils performing worse than ever in reading, maths and science…”

Quer-nos cá parecer, que Portugal não está identificado nesta notícia como um daqueles em que a queda nos resultados do PISA foi mais acentuada. Mas em qualquer dos casos, quem tenha dúvidas, é ir ler:


Em França tudo isto também foi notícia. Os franceses não ficaram contentes, pois os seus resultados também não foram brilhantes. O jornal Le Figaro introduz a situação do seguinte modo: “Les résultats de cette enquête internationale de référence montrent une forte baisse dans de nombreux pays, dont la France, qui se maintient toutefois dans la moyenne de l’OCDE. (Os resultados deste inquérito internacional de referência mostram uma forte baixa em inúmeros países, incluindo a França, que ainda assim se mantém na média da OCDE)”.

Vamos lá ver uma coisa, em França consolam-se por se manterem na média da OCDE? Serão os franceses adeptos do facilitismo? Citemos mais uma passagem do mesmo artigo: “…résultats sont globalement comparables à ceux de l’Allemagne, de l’Espagne, du Portugal, de la Hongrie, de l’Italie, de la Norvège ou encore de la Lituanie. (…resultados globalmente comparáveis aos da Alemanha, de Espanha, de Portugal, da Hungria, da Itália, da Noruega e também da Lituânia)”.


Como se constata, com resultados semelhantes aos de Portugal, também não desataram a dizer cobras e lagartos do seu sistema educativo. Resulta daqui, que a única conclusão a que podemos chegar, é aquela a que já antes chegámos: a de que raros são, os que em Portugal gostam do nosso sistema educativo. Por assim ser, há nos jornais, televisões e redes sociais uma multidão sempre pronta a arrear-lhe sem dó nem piedade. Mas não deviam.

Segundo o recente relatório PISA, o sistema educativo português tem coisas melhores do que as de muitos outros países, por exemplo, só 5% dos alunos dizem não se sentirem seguros na escola, a média da OCDE é o dobro, 10%. São também 83% dos alunos portugueses, os que dizem que há bom clima para aprendizagem na escola, a média da OCDE é de apenas 77%.

Mas se há muito quem não goste do nosso sistema educativo, segundo o mesmo relatório PISA, ele tem uma coisa adorável: os professores, pelo menos para os alunos. Em Portugal, 75% dos alunos afirmaram que os professores demonstram interesse pelas suas aprendizagens, a média da OCDE é de tão-somente 63%. Foram também 79% dos alunos portugueses que afirmaram que os professores lhes oferecem ajuda extra quando dela precisam, a média da OCDE é claramente inferior, 70%.

E pronto, com esta conclusão concluímos.

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