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Neste Natal, que tal embirrarmos com Oeiras? Sim? Então vamos a isso!


Oeiras é a capital do Natal, pois é lá que está montado o maior parque temático de Natal de toda a Europa, com mais de 70 mil metros quadrados. Prevê-se inclusivamente que haja queda de neve! Pode-se também visitar a Vila dos Corações Abertos, o Piquenique dos Elfos Gulosos e dar uma volta no Expresso dos Cinco Sentidos.

Nós embirramos com Oeiras o ano inteiro e muito especialmente na época de Natal. Oeiras tem várias escolas no top 10 no ranking das melhores escolas públicas do distrito de Lisboa. Oeiras é o concelho do país com a mais alta percentagem de residentes que frequentaram e/ou concluíram o ensino superior. Oeiras é a localidade onde os habitantes maiores rendimentos têm em toda a nação. Oeiras está em primeiro lugar no índice de qualidade de vida do território nacional.

Para além de tudo isso, esta autarquia tem ganho nos últimos anos sucessivos prémios, nomeadamente, o de “Melhor Concelho para trabalhar", o de “Município de excelência", o “European Entreprise Awards" e o "ECOXXI”, que premeia a sustentabilidade de uma cidade. Em síntese, Oeiras é óptima, nós é que não gostamos dela, mais do que isso, embirramos com o sítio.

A glória de Oeiras não é de agora, já há cerca de uma década e meia ou duas, que o dito município ocupa posições cimeiras de rankings e inquéritos e ganha prémios. Mas dito isto, para que nos serve Oeiras a todos os que lá não habitamos, senão para irmos a banhos?


A questão pode parecer estranha a quem nos lê, mas a nós parece-nos legítima. Com efeito, apesar de Oeiras ser tão excelente, quem foram os grandes artistas, escritores, músicos, políticos, intelectuais ou cientistas que essa localidade deu à nação nas últimas décadas? Avisamos desde já, que o Isaltino Morais não conta para esta contabilidade.

Tanta prosperidade, tanta qualidade de vida, tanta sustentabilidade e depois nada? Era suposto nestes anos terem crescido em Oeiras grandes personalidades que iriam marcar o destino da pátria, mas na verdade, nem sequer um mero poeta dali veio.

E isto da poesia é significativo, não vem a despropósito, pois em Oeiras celebra-se com grande orgulho, o facto de aí existir o Parque dos Poetas. Que ninguém pense que pelo referido parque se passeiam poetas vivos de caneta em punho compondo odes e versos, nada disso. É apenas um parque com estátuas dos grandes poetas portugueses, contudo, nenhum deles é de Oeiras, todos eles foram nados e criados noutro lado.

O Parque dos Poetas até é um jardim bonito, engraçado e isso tudo, no entanto, já era tempo de aparecer um poeta nado e/ou criado em Oeiras, que se equiparasse a Gil Vicente, Camões, Pessoa, Sophia, Cesariny, Alexandre O’Neill ou perto disso, mas não, zero.

Feitas as contas, vive-se tão bem em Oeiras e nem um pouco de poesia produzem? Mas que raio vem a ser isto?

Em qualquer dos casos, aqui fica a brochura do Parque dos Poetas, que é sempre um sítio giro onde se ir:


Mas por qual razão, embirramos nós com Oeiras, ainda com mais intensidade no Natal, perguntará quem nos lê. A resposta é simples, a única coisa que Oeiras deu ao resto do país nas últimas décadas, foi uma canção natalícia, a saber, o tema “A todos um bom Natal”.

Tal tema foi lançado em 1980 pelo Coro de Santo Amaro de Oeiras e desde essa data, não há Natal em que não seja abundantemente tocado nas rádios e televisões. Para a improvável eventualidade de alguém não conhecer a natalícia canção, aqui fica ela:



Ora muito bem, será justo que em Oeiras se viva há bastantes anos melhor do que no resto no país, e que nesse entretanto as gentes dessa localidade apenas tenham legado à nação uma singela canção natalícia? A nosso ver, não!

Assim sendo, urge corrigir esta situação. O facto é que Oeiras está demasiado bem situada, fica mesmo junto à capital e beneficia grandemente disso e, como se tal não bastasse, também tem boas praias e lindas vistas de mar.

Acrescente-se a isso, que o município dispõe de bastante espaço livre, sendo um sítio óptimo para lá se instalarem no chamado Oeiras Valley grandes parques empresariais, como por exemplo, o Tagus Park ou o Lagoas Park, e também campus e polos universitários, como o Nova School of Business and Economics.

É ou não é uma maravilha, estudar ou trabalhar ali mesmo à beira-mar, beneficiar de belos sunsets, e ainda por cima estar afastado do excesso de trânsito existente em Lisboa e ter sempre um lugar à porta para se estacionar? Dá ou não dá vontade de embirrar com Oeiras? A resposta é sim, para ambas as questões.


Vamos lá ver uma coisa, Fernando Pessoa era empregado num escritório acanhado, mal iluminado e pouco arejado, situado em plena Baixa lisboeta e, ainda assim, legou à nação imensos poemas. Esta gente de Oeiras tem tudo do bom e do melhor, e o que nos deixa é tão-somente “Para todos um bom Natal”? Está mal.

Como dizíamos, urge corrigir tal situação. Oeiras está demasiado bem situada, a solução é mudá-la para o Alentejo, ali mais ou menos para o pé da Vidigueira. Com efeito, era uma forma de se fazer justiça e simultaneamente de se repararem as assimetrias nacionais entre o litoral e o interior.

Ao contrário de Oeiras, na região alentejana não há escolas públicas nos lugares de topo nos rankings, a percentagem de gente que frequentou e/ou concluiu o ensino superior é baixa, os rendimentos são dos menores de toda a nação, e são também ruins as posições ocupadas no índice de qualidade de vida pelas localidades do Alentejo.

Dito isto, trasladava-se Oeiras para junto da Vidigueira e Portugal inteiro ficaria mais equilibrado, mais justo e nivelado. Mas para além de se corrigirem as assimetrias económicas e sociais entre o litoral e o interior, haveria uma outra vantagem, a saber, a linguagem.

Se formos a reparar bem, em Oeiras usa-se muito palavras estrangeiras, ele é parks, schools, business, valley, enterprises e tudo o mais. Provavelmente, tal modo de falar, ganharia bastante em ser temperado com a rústica linguagem alentejana, que é bem mais rude, digna, nobre e chã.

Se Oeiras passasse para perto da Vidigueira, também teríamos uma outra regalia, mais à frente já perceberão qual. Por agora concentremo-nos no seguinte, se formos verificar as versões que anualmente o Coro de Santo Amaro de Oeiras apresenta do tema “A todos um bom Natal”, iremos constatar que ano após ano são todas iguais.

Mais do que isso, iremos verificar que os meninos e a meninas do coro parecem ser idênticos a cada ano que passa. As décadas sucedem-se, mas estão sempre todos muito bem aperaltados, arranjandinhos e penteadinhos, com roupinhas bem aprumadas. Nunca faltam laços, laçarotes, soquetes altos, vozes doces, dentes brancos e limpos e olhares cândidos e inocentes.

Abaixo uma imagem do coro em 2012, em cujas poses e indumentárias não são particularmente diferentes nem da foto equivalente de 1980, nem da de 2024.


Em resumo, as crianças do coro, ano após ano, parecem todas saídos de um bom colégio privado, daqueles com prestígio e qualidade, e oriundas de boas famílias, ou seja, daquelas que respeitam os valores tradicionais vindos do passado, mas que simultaneamente vão estando atentas às questões e problemas que há no mundo atual.

Aos dias de hoje, olhando para os meninos e meninas do coro de 2024, dir-se-ia que frequentam a catequese como os seus progenitores já antes o fizeram no passado, mas que também são conscientes dos temas que moldam o presente. Preocupam-se portanto com as alterações climáticas, com a guerra e com a fome, e por assim ser, nunca se esquecem de separar o lixo, de ser solidários e de ao domingo ir à missa.

É muito provável que façam uma alimentação saudável, só comendo hamburgers ou pizzas em dias de festa, que se comportem impecavelmente e usem responsavelmente os seus tablets ou smartphones, caso os possuam. Em síntese, são o orgulho das mamãs e papás do concelho de Oeiras e certamente que no futuro ocuparão lugares de destaque nos business, nas schools, nos campus e nos parks do chamado Oeiras Valley.

Aqui os vemos na imagem abaixo, há uns poucos dias, a interpretar “A todos um bom Natal” na edição de 2024 do Natal dos Hospitais:


Tínhamos dito que havia uma outra regalia, caso Oeiras passasse para a Vidigueira, essa regalia seria a seguinte: os meninos e meninas desse município passavam a conviver com os moços e moças do Alentejo.
Assim sendo, ao invés de crescerem somente rodeados de parks, schools, valleys e campus, cresceriam rodeados de rapaziada do campo, dessa que ao lanche se delicia com enchidos, torresmos, toucinhos e açordas, e que se suja a brincar na terra com bois, vacas, porcos, cabras e galinhas.

Temos a certeza que se a meninada de Oeiras fosse para o Alentejo e convivesse com os moçoilos e moçoilas da terra, esse município já teria dado ao restante país pelo menos uns quantos grandes poetas, isto para não dizer outros tantos artistas, escritores, músicos, políticos, intelectuais e cientistas. Oeiras na Vidigueira não resumiria o seu contributo para a nação a uma singela canção de Natal.

Terminamos com um coro, um de cante alentejano. Num dos versos do tema que escolhemos, diz-se assim:

“É tão grande o Alentejo,
tanta terra abandonada!...
A terra é que dá o pão,
para bem desta nação
devia ser cultivada.”

Ora digam lá se as palavras não parecem estar mesmo a chamar por Oeiras? Espaço não falta, e terra para trabalhar também não. No vídeo abaixo em que um coro de cante interpreta o tema “É tão grande o Alentejo”, podemos observar uns tantos moços e moças.

Se os olharmos bem, vemos que deles se desprende um vigor e uma espécie de aura poética, que jamais se viu no concelho de Oeiras, e é por isso que embirramos tanto com esse município, especialmente na época de Natal.

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