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Portugal não tem fome nem sede de cultura!

 


Mais de 60% dos portugueses não lê um único livro por ano, conforme se constata pelos dados de um estudo encomendado pela Fundação Calouste Gulbenkian ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Anualmente, apenas 28% dos nossos concidadãos visitam um museu pelo menos uma vez, sendo que a percentagem é de 6% relativamente a visitas a galerias de arte em igual período de tempo. Vejamos ainda os valores nacionais anuais de frequência em outras actividades culturais: teatro (13%), concertos de música clássica (6%), dança ou ballet (5%) e ópera (2%).

As actividades culturais a que a população nacional mais acorre (38%) são os festivais e as festas locais. Sendo 38% um valor relativamente baixo, ainda assim é alto quando comparado com os restantes. A conclusão óbvia é a de que, no que à cultura diz respeito, o bom povo português gosta mais é de arraiais e festarolas.

Dito isto, impõe-se-nos uma questão, mas por que tanto gostam as gentes portuguesas de arraiais e festarolas e por que são essas praticamente as únicas actividades culturais em que participam? Há uma razão flagrante que não necessita de nenhum estudo científico para ser sabida: comes e bebes.

Seja lá quem for, nenhum português se desloca para lado nenhum à procura de cultura, se porventura não souber que pelo caminho há algo para se manjar e de preferência com pinga a acompanhar.


A obsessão portuguesa com os comes e bebes é coisa de monta, para o constatar basta repararmos nos anúncios publicitários televisivos, aquando das épocas festivas, como por exemplo, a do Natal e a da Páscoa.

Em cada Natal ou Páscoa há milhares de horas de publicidade nas TV’s em que se representam famílias das mais variadas espécies sentadas em redor de uma mesa a empanturrarem-se. Avós, netos, sobrinhos, pai, mãe, primos e primas, todos comem à fartazana, seja bacalhau, peru, leitão, cabrito, bolo-rei ou outras guloseimas. É claro que bebida para ajudar a comida a ir para baixo, é coisa que também não falta.

Atente-se na imagem seguinte, retirada de um anúncio publicitário natalício. Veja-se o êxtase estampado no rosto de todos os convivas, note-se o extremo enlevo dos comensais. São puros portugueses os que aqui vemos, ou seja, pertencem a uma raça que se excita e arrebata com a visão de uma mesa farta.


O Natal e a Páscoa são celebrações religiosas e pensar-se-ia, que por essa precisa razão, essas seriam épocas fundamentalmente dedicadas a práticas espirituais, mas qual quê? Isso será noutros sítios, por cá festividades sagradas é mais para a malta se repimpar com petiscos até atulhar e fazer uns quantos brindes de quando em quando para ir atestando. Em síntese, haja saúde e alegria.

Veja-se um outro caso exemplar, as festas populares e a de Santo António em particular. A Câmara Municipal de Lisboa todos os anos promove uma extensa série de actividades culturais para celebrar o dito santo, no entanto, ninguém quer saber disso para nada. É um trabalho inútil esse que a autarquia anualmente faz, pois que por esses dias fica tudo às moscas. Quais exposições, concertos ou leituras, no Santo António o que galera quer é papar sardinhas.

Sejam os Painéis de São Vicente, seja o Fernando Pessoa seja uma outra coisa qualquer, pois para o caso tanto faz, pelos santos a cultura é só a assada na brasa.

O Presidente da República Portuguesa participa frequentemente em eventos culturais. Ainda bem recentemente, o mais alto magistrado da nossa nação inaugurou um museu, tendo ele nessa ocasião proferido a seguinte declaração num tom solene e de lamento: “A cultura é ainda um parente pobre aos olhos de uma parte importante da sociedade portuguesa.”

É certo que o presidente Marcelo vai a museus e exposições, assiste a concertos e a peças de teatro e não se cansa de promover a leitura, todavia, se formos consultar a extensa agenda da presidência, verificaremos que os eventos culturais onde ele mais comparece são as feiras de queijos e enchidos, os congressos de doçaria, os saraus dedicados a feijoadas típicas, bem como as mostras de petiscos locais e os festivais de vinhos regionais.

Nada temos contra o presidente participar em tais eventos, porém, tal como a larga maioria dos portugueses, para o Marcelo também não há cultura que não inclua divinos víveres, iguarias das boas e benignos líquidos.


Pense-se num grupo de crianças em idade escolar, que numa qualquer manhã vai visitar um museu. Quem conhece os nossos estabelecimentos de ensino, sabe bem que em tais ocasiões, a primeira preocupação de pais, professores e demais elementos da comunidade escolar, é a de se os meninos e meninas lancham antes, durante ou após a visita.

Nenhuma visita de estudo a um museu ou uma ida ao teatro ou ao cinema, por breves que estas possam ser, se faz sem a magna questão do momento do lanche estar acautelada e resolvida.
Desde o Pré-escolar que todos os petizes aprendem que isso de actividades culturais é muito giro, mas que não se saber quando se comer, é coisa que não pode ser. Era até uma cruel tortura, dar-se cultura à meninada, sem se conhecer à priori a hora de merendar.

Desde séculos distantes, que por Itália há personagens da cultura da área das artes de fama mundial, como por exemplo, Michelangelo ou Leonardo da Vinci. O prestígio de figuras culturais como Velásquez e Picasso ultrapassa em muito as fronteiras de Espanha. 
A antiga Flandres, hoje Bélgica, e a sua vizinha Holanda, orgulham-se da reputação internacional de gente como Rembrandt, Rubens, Vermeer ou Van Gogh. Pelo planeta inteiro todos sabem que são franceses, génios da cultura e das artes como Rodin, Monet ou Renoir.

Mas dito isto, e excluindo os casos bem mais recentes e quase únicos de Vieira da Silva e de Paula Rego, que vultos culturais tivemos nós ao longo da nossa História da Arte, que gozem de uma notoriedade equivalente aos que acima nomeámos?

A resposta certa é nenhum, zero, ninguém. Ainda para mais, Vieira da Silva naturalizou-se francesa e Paula Rego inglesa.

Quem mais se aproxima de glória igual à dos grandes mestres que referimos, mas ainda assim apenas de muito longe, é Josefa de Óbidos (1630-1684), uma pintora a quem já foi dedicada uma mostra em Londres, e de quem o Louvre adquiriu uma obra.

Adivinhem lá agora, qual era um dos temas favoritos da pintora Josefa de Óbidos? Produtos gastronómicos, pois claro está, sobretudo bolos.

Não é assim despropositado dizer-se que em Portugal, em termos de cultura, nós é mais bolos.


Nós é mais bolos, mas o resto também se come, ora essa. Pensemos no expoente máximo do romantismo português, o autor de “Amor de Perdição”, ou seja, o trágico e melancólico Camilo Castelo Branco.

Camilo é uma figura cultural das letras portuguesas da mais alta relevância, contudo, as características românticas da sua escrita, não são lá muito semelhantes às exibidas por autores de outras latitudes que se dedicaram a escrever as histórias de amor.

Na verdade, onde a escrita de Camilo parece mais apaixonada e voluptuosa, é quando ele se dedica à comida. Há um ardor e uma lascívia nas ocasiões em que Camilo nos fala de repastos, que talvez não exista em outras situações por ele descritas. Vejamos o seguinte excerto de um dos seus romances:

“ – Que a mana Felícia – explicava o barão – não podia abandonar os operários, e estava muito contente, e mais gorda, comendo bem, porque tinham o melhor cozinheiro do Porto, um preto que saíra de casa do conde de Farrobo e aprendera no Mata. Expunha a sua diária na mesa com entusiasmo lambareiro e descrédito internacional das duas línguas. Ele nunca se fartava de bacalhau recheado à Richelieu, e das empadas au gratin. Explicava a Custódia o que era um vol-au-vent de borrachos, e a perna de carneiro à la Bordelaise. Que Felícia gostava muito da dobrada com molho de alcaparras, e de feijão branco à la maître de hotel. Sentia que não podia lembrar-se de todos os pratos, mas não pudera esquecer o coulbach de frangos, o blanquette de galinhas à l’escalate truffées, o lombo de vaca à la Macedoine, os linguados recheados au gratin, o magnífico pirão de mandioca, e a bela sopa de purée de arroz à la princesse; e que Felícia dava o cavaco pelas doçuras: entrava fortemente nas compotas, nos mirtilons, no gateau royale, nas omelettes soufflés à la vanille, e nos pãezinhos de tapioca à brasileira.”


O ano passado comemoraram-se os 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões, no entanto, as celebrações foram um tanto ou quanto desconchavadas, provavelmente, porque essa figura maior da cultura nacional não nos legou belos versos inspirados por cardápios.

O mesmo já não sucedeu com Camilo, pois que no seu caso há boas razões para se fazerem comemorações à farta. Veja-se por exemplo a descrição que o jornal Público faz de um encontro literário dedicado à obra do autor aquando da comemoração dos 125 anos da sua morte:

“Foi dada ordem para que começassem a ser servidos os Anátemas de Bacalhau, na realidade, pastéis de bacalhau, ou bolinhos como são chamados no Norte. (…) Entretanto, enquanto se discutia a vida e o homem, provaram-se iguarias que, seriam do seu agrado. Houve, para além dos Anátemas de Bacalhau, Caldo à Eusébio Macário (caldo verde), ovos à sereia (mexidos com salpicão e pedacinhos de pão frito), pato à Maria Moisés (peito de pato com molho de laranja), Pudim à Ana Plácido (semelhante ao Abade de Priscos) e Boémias do Espírito (rabanadas com mel). Tudo acompanhado pelos vinhos Theophilus, um verde rosé, Terrincha (branco) e Encostas do Tua (tinto).”

Um dos participantes nesse bem abastecido colóquio literário, comentou finda a jantarada que o romântico autor de “Amor de Perdição” teria, se fosse vivo, lambido os seus longos bigodes com o caldo verde, os pastéis de bacalhau, o pato e, sobretudo, com as rabanadas polvilhadas com açúcar e canela e envolvidas por delicados fios de mel. 

E ainda há quem diga que a cultura não enche a barriga!

Voltemos ao início deste nosso texto, 60% dos portugueses não lê um único livro por ano. Anualmente são só 28% os que visitam um museu, sendo 6% os que visitam galerias de arte. Ao teatro vão 13%, a concertos de música clássica 6%, à dança ou ao ballet 5% e à ópera 2%, mas apesar disso, o certo é que as nossas gentes não têm fome de cultura.

Entre festivais e festas locais, santos populares, feiras, Páscoas, Natais e colóquios literários, faz parte da cultura portuguesa ingerir 4,4 vezes mais carne, ovos e pescado do que é necessário, sendo que a nossa população também se destaca pelo consumo excessivo de açúcar, dado que bolos nunca faltam. Para além disso, somos os maiores consumidores de vinho per capita do mundo, e estamos entre os do topo no que toca à cerveja.

Dito tudo isto, terminamos com um conselho ao actual Primeiro-Ministro de Portugal. O chefe de governo optou por não ter como era habitual um ministério exclusivamente dedicado à cultura, e ter sim um Ministério da Cultura, Juventude e Desporto. Ora bem, o nosso conselho era que talvez fosse mais adequado criar antes um Ministério da Cultura, dos Comes e dos Bebes, uma espécie de CCB dos petiscos. Nesse contexto, a sua sede, ao invés de ser no Palácio da Ajuda, podia passar para a Rua das Portas de Santo Antão, para a muito antiga e típica tasca, o afamado Comibebe.

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