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Depois do bacalhau, dos sonhos, das filhós e rabanadas, e do peru e do cabrito, chegou a hora McDonald’s



Primeiro uma declaração de interesses. Nós não temos nada a ver com a McDonald's, nem queremos aqui fazer publicidade gratuita à dita empresa. Em boa verdade, ao longo da nossa já extensa existência, chegarão os dedos de uma só mão, para contar todas as vezes em que entrámos num restaurante dessa famosa multinacional. Em resumo, o hambúrguer é um petisco que não nos entusiasma por aí além.

Aproveitamos também para dizer, que não somos nem nutricionistas nem dietistas, por consequência disso, não temos que seguir nenhum código de conduta ou deontologia e podemos muito bem dizer a alguém, come e bebe para aí o que te apetecer, que a vida são dois dias e a bem dizer quem não é de comer, não é para trabalhar.

Em síntese, compreendemos perfeitamente que haja nutricionistas e dietistas, pois há quem queira ou necessite de fazer uma alimentação saudável e adequada, nada temos contra isso, mas ainda assim, pela nossa parte, e enquanto pudermos, comemos e bebemos do que apreciamos e nos sabe bem e pronto. É esse o nosso critério alimentar, não temos outro.

Com efeito, e mesmo que quiséssemos, ser-nos-ia muito difícil acompanhar toda a imensa panóplia de proibições, restrições e demais procedimentos que hoje em dia existem relativamente à comida. Aparentemente, por isto ou por aquilo, tudo o que possamos comer, pode eventualmente fazer-nos mal, e assim sendo, sigamos em frente.

Explicitados estes dois pontos introdutórios, vamos lá então à hora McDonald’s. Ao que nos referimos, é a um livro do fotógrafo norte-americano Gary He, que decidiu percorrer o mundo inteiro, a fim de retratar restaurantes da McDonald’s.

Não se trata de um trabalho publicitário ou de promoção da referida multinacional, trata-se sim de um trabalho artístico, que nos dá uma visão inabitual do mundo e do modo como ele funciona em termos empresariais.

Também não é um trabalho com motivações políticas ou anti-capitalistas, é tão-somente, e isso já é bastante, um retrato do nosso planeta. Para começarmos, aqui fica abaixo, esta bela imagem, de um restaurante McDonald’s em Shenzhen, na China.

O edifício de três andares, com telhados idênticos aos de um pagode, em estilo arquitetónico chinês, tem um certo encanto, e seria perfeito para se manjar um chop suey de pato com arroz xau-xau, porém, o que por lá mais se come são Big Mac's.



Viajemos através das fotografias de Gary He, até um outro lugar do mundo, a saber, a Suécia. É sabido que os suecos são muito conscienciosos, têm até rigorosas regras, de modo a fazer com que as suas gentes não só adoptem, como efectivamente cumpram, todas os procedimentos próprios de um estilo de vida saudável.

Acreditem que não é fácil para um sueco, comer e beber o que aprecia e lhe sabe bem. Por cá fala-se muito da dieta mediterrânea, mas não tanto da dieta nórdica, que é a mais seguida lá por essas bandas, e que a Organização Mundial da Saúde, comprovou ser tão boa e saudável como a mediterrânea.

A dieta nórdica baseia-se no consumo de folhas verdes e raízes, frutos vermelhos, cereais integrais, legumes, laticínios com baixo teor de gordura e peixes como a cavala e o arenque, que são consumidos várias vezes por semana.

Nós não somos esquisitos com a comida, mas quer cavalas, quer arenques, são das substâncias mais horríveis que alguma vez levámos à boca, é coisa que não aconselhamos a ninguém, nem sequer a um sueco.

A vida na Suécia é difícil, e é por isso que as autoridades locais estão agora a implementar “a hora da amizade”. Os funcionários têm direito a passar um certo tempo com amigos, sendo remunerados por isso. O governo sueco tem insistido com as empresas para que implementem esta medida, de modo a ajudarem a combater a solidão dos cidadãos.

O problema é que na Suécia, se combinarmos com um amigo ir beber um copo, são tantas as restrições à venda e ao consumo de bebidas alcoólicas, que o mais certo é acabarmos a beber um sumo de beterraba, coisa que, como é evidente, dá cabo de qualquer amizade.

Por outro lado, se porventura a combinação for ir comer fora, o panorama também não é melhor, a ingestão conjunta de folhas verdes, raízes, cavala ou arenque, é um acto que de modo algum promove ou fortalece as relações humanas, muito pelo contrário.

Um dos problemas destes nossos textos, é que começamos a escrever, vamos por aí afora, deambulamos, e acabamos por nos desviarmos do nosso ponto, que relembre-se era o McDonald’s.

Assim sendo, e para pormos ordem nisto, abaixo aqui fica a fotografia de Gary He de um restaurante da McDonald’s, no caso em Sälen, na Suécia.




Chegar a Sälen não é fácil. Partindo do pressuposto que se está em Estocolmo, capital da Suécia, tem-se ainda por diante uma viagem de comboio de seis horas, sai-se na estação de Borlänge, apanha-se um autocarro, e após 48 paragens, muda-se para um outro autocarro, para mais um percurso.

Quem lá foi diz que apesar do frio valeu a pena, pois que o hambúrguer estava quentinho.

No livro "McAtlas” de Gary podemos encontrar fotos de McDonald’s, que ficam mais perto de nós. Segundo o autor um dos mais lindos estabelecimentos dessa multinacional, situa-se no Porto.

Localiza-se no antigo Café Imperial, na Avenida dos Aliados, e nele se preservou a maioria dos detalhes decorativos do anterior inquilino do espaço. O restaurante está repleto de elementos originais da Belle Époque, há lustres de cristal e vitrais que adornam a sala e, logo à entrada, temos uma grande águia de bronze.



Até meados da década de 90 do século XX, em alturas em que porventura estávamos no Porto, íamos ao Café Imperial, por isso mesmo e não só, causou-nos uma enorme impressão, quando vimos que o espaço se tinha transformado num McDonald’s.

Como o que não tem solução solucionado está, e como tristezas não pagam dívidas, consolámo-nos com uma bela pratada de tripas, seguida de uma francesinha para a viagem, para não irmos de barriga vazia.

Um outro McDonald’s engraçado, é um que também fica longe, neste caso no Kuwait. Tem muitas luzes e cor, e como no Kuwait faz muito calor, é capaz de ser um sítio bom para as gentes se refrescarem.

Para além disso, genericamente, o Kuwait é só deserto, e assim sendo, compreende-se perfeitamente, que só vendo uma pessoa, areia e camelos à sua frente durante dias inteiros, de vez em quando lhe apeteça ver qualquer coisa mais vibrante e divertida.

Uma vez que dados os rigorosos preceitos religiosos do Kuwait, vibrações e diversões não haverá assim muitas que sejam permitidas, ir ao McDonald’s é o equivalente ao que por cá é uma noite de farra, daquelas que é sempre a rasgar.



Se areia, camelos e deserto com fartura não nos entusiasmam, o mesmo se pode dizer da selva. Bem sabemos que há muito quem goste de ir ver a savana, que tem grandes árvores e animais selvagens, tipo leões, elefantes, girafas e zebras. É capaz de ser uma coisa muito gira, mas é mais ou menos como os arenques e as cavalas, ou seja, não é para nós.

Quando éramos pequeninos, até gostávamos de ir ao Jardim Zoológico, mas mesmo gostando, também não íamos particularmente exuberantes só pelo facto de irmos ver bichos.

Vem isto a propósito de uma outra fotografia de Gary He, desta vez a do interior de um McDonald’s na África do Sul, que segundo o autor, é o que tem a mais bela vista.

Da janela vê-se a Montanha da Mesa (Table Mountain) e a Cabeça do Leão (Lion's Head), que são marcos naturais icónicos da Cidade do Cabo.




Bom, vamos terminar, mas não sem antes vos apresentarmos o mais abstracto e desconstrutivista dos McDonald’s, um que se situa no leste da Europa, mais concretamente em Butani, na Geórgia.

Mas antes da foto, e mesmo para finalizar, uma mensagem a todos os que nos leem:

Devemos priorizar alimentos frescos e variados, como frutas, vegetais, legumes e grãos integrais, beber muita água, moderar o sal, o açúcar e as gorduras, fazer refeições regulares (5-6 por dia) e, sobretudo, nunca esquecer que o pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia.



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