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Do mito ao disparate: caça-fantasmas, gente que cheira mal e outras coisas que tal


Acabadas as festas natalícias, conversámos por acaso, mas a esse propósito, com uma menina dos seus nove anos de idade, que é bastante inteligente, tem muita curiosidade e vontade de aprender, e que é igualmente uma excelente aluna.

Mas dito isto, a rapariga não fazia a mais leve ideia, que o Menino Jesus era o Cristo. Conhecia perfeitamente ambos os nomes, mas cria que cada um deles correspondia a uma pessoa diferente.

É possível comemorar o Natal sem se ter a menor ideia que o Menino Jesus e Cristo são o mesmo ser? Pelos vistos é. Na verdade, não é preciso procurarmos muito, para encontrarmos celebrações, comemorações e festas, cuja verdadeira razão de ser e respectivo significado, poucos conhecem ou sabem.

A humanidade desde sempre festejou os seus deuses, as suas histórias, as suas lendas, santos, heróis e mitos, mas tudo isso tinha um sentido, que estava associado a um significado que por todos era conhecido. No entanto, parece que agora tal já não é preciso, pois festa é festa, e pouco importa o sentido e o significado do que se assinala e se festeja.

Nunca nos cansamos de falar do Halloween, e de como crianças e jovens em Portugal e não só, o comemoram tão entusiasticamente. Todavia, se porventura conversarmos um pouco que seja com muitas dessas crianças e jovens, rapidamente chegaremos à conclusão, de que não têm a mais pequena noção, da razão de ser de tal festa. Quando muito sabem que tem a ver com sustos e bruxas, e por isso se mascaram e pronto, está o dia feito.



Poderíamos arranjar outros exemplos semelhantes, mas o nosso ponto, é o de que hoje em dia há festas e comemorações, em que pouco ou nada se liga e sabe do seu sentido e significado.

O mesmo é dizer, que não se quer saber dos deuses, das histórias, das lendas, dos santos, dos heróis e dos mitos a esses eventos festivos associados, ou seja, a tudo aquilo que dá às festas e celebrações sentido e significado, e que faria com que estas não fossem uma mera mascarada.


Uma das primeiras notícias que existem de celebrações cujo sentido e significado se perdeu, data de 1956. Nesse ano, o arqueólogo George Michanowsky (1920-1993) viajando por uma remota região da selva boliviana, deparou-se com uma enorme festa, em que havia dança, álcool com fartura, abundante comida, música ruidosa e alegria geral.

Após algumas indagações, Michanowsky descobriu que se tratava de um evento anual e que há milhares de anos, comunidades inteiras vindas de locais situados a centenas de quilómetros ali se reuniam para o celebrar.

- Celebram o quê? - perguntou o arqueólogo.

- Não nos lembramos - responderam os bolivianos.

Em algum momento no decorrer do tempo, todos tinham esquecido o motivo pelo qual tal festa existia. Todavia, não estavam dispostos a deixar que esse esquecimento se interpusesse no seu caminho, pelo que continuavam a reunir-se uma vez por ano para festejar, fosse lá o que fosse que se supunha estarem a comemorar.

Quando o sentido e significado de uma celebração ou festa está esquecido e perdido, isso quer dizer que também estão olvidados os deuses, as histórias, as lendas, os santos, os heróis e os mitos, que eram a razão de ser desse acontecimento.

Mas por assim ser, isso não quer dizer que o transcendente, o divino e o fantástico não continuem ainda presentes, só que nesse caso, provavelmente vão aparecer-nos sob a forma de disparate.

O transcendente, o divino e o fantástico são partes constituintes da existência humana, e se porventura não estiverem envoltos num sentido e significado, ou seja, se não estiverem associados a deuses, histórias, lendas, santos, heróis e mitos, o mais certo é que nos vão ressurgir pela frente, mas de um modo disparatado.


O Halloween português pode ser uma festa muito divertida para crianças e jovens, no entanto, e a nosso ver, não deixa por isso de ser um autêntico disparate. É-o, porque com excepção dos Estados Unidos da América, nos outros sítios do mundo, tal comemoração não tem qualquer sentido ou significado.

Todavia, disparates com bruxas, fantasmas, assombrações e coisas do género, são coisas que pelo planeta não faltam. Por exemplo, na Polónia há um caça-fantasmas que alertou com toda a seriedade os seus concidadãos, que os espectros podem entrar em greve, pois que estão muito zangados, porque cada vez menos gente neles crê.

O facto é que houve muito quem acreditasse deveras, no alerta lançado pelo caça-fantasmas. O que este exemplo nos demonstra, é que o transcendente, o divino e o fantástico estão sempre presentes, e que caso não se lhes dê um real sentido ou significado, eles aparecerão na mesma, nem que seja sob a forma de um tremendo disparate.



Uma outra interessante teoria (ou disparate), que também corre pelo mundo inteiro, assegura-nos que Jesus sobreviveu à cruz, e que foi o seu irmão Isukiri (?), que morreu crucificado no seu lugar.

Pelos vistos, Cristo teria fugido para o Japão, e mais concretamente para aldeia de Shingo, onde se casou, teve três filhas e cultivou alho até morrer, com a bonita idade de 106 anos.

De acordo com esta teoria (ou disparate), Jesus Cristo já teria visitado o Japão, ainda antes de para lá ter fugido, coisa que não consta na Bíblia, mas que também não importa.

O relevante é que Jesus terá gostado desse país, e quando foi perseguido, decidiu retirar-se da vida religiosa activa, e dirigiu-se para o Japão, local onde decidiu ir viver o resto dos seus dias.

Por incrível que vos possa parecer, existe até uma sepultura na aldeia de Shingo, no exacto local onde supostamente Jesus Cristo terá sido enterrado. Abaixo, aqui fica uma foto desse sítio.


Mais uma vez, o que a teoria do Jesus que se retira para o Japão nos revela, é que o transcendente, o divino e o fantástico estão continuamente a reaparecer, nem que seja nas mais inusitadas e disparatadas formas.

Na realidade, nem mesmo as pessoas mais cultas, inteligentes e científicas, estão a salvo de crerem em coisas disparatadas, pois o poder de atracção que o transcendente, o divino e o fantástico exercem sobre as nossas mentes e almas é imenso.

Neste contexto, tem a sua graça, no âmbito do disparate místico, a teoria(?) do paleo-antropólogo Louis Leakey (1903-1972). Segundo o estudioso, a razão pela qual os humanos se tornaram a espécie dominante na Terra, não foi pelo superior desenvolvimento do seu cérebro, nem pelo uso que fizeram de ferramentas, ou sequer por terem dominado o fogo. A razão é afinal outra, é porque cheiram mal.

Disse Louis Leakey, que os seres humanos foram criados pelos deuses de modo a cheirarem demasiado mal, para assim não serem comidos por outras criaturas.

O paleo-antropólogo chegou a esta surpreendente conclusão, após ele e um seu colega terem sido forçados a dormir ao relento na extensa planície do Serengeti, em África, isto em consequência de uma avaria na sua viatura.

Enquanto ambos dormiam no chão, cinco leões aproximaram-se deles, cheiraram-lhes a cabeça, e concluído esse procedimento, decidiram que a potencial refeição não lhes interessava.

Posto isto, os leoninos bichos seguiram o seu caminho, em busca de um petisco mais apetitoso e com melhor odor, tendo sido desse acontecimento, que o paleo-antropólogo Louis Leakey tirou as suas místicas conclusões.


Na realidade, Louis Leakey podia ter arranjado uma explicação mais simples para não ter sido comido por cinco leões, porém, os porquês assentes em razões transcendentes, divinas e fantásticas, são sempre os mais apetecíveis e apelativos, mesmo que sejam absolutamente disparatados.

Na realidade, actualmente só há uma maneira da humanidade não resvalar toda ela para o sem sentido nem significado, e não levar a sério enormes disparates, a saber, conhecer verdadeiramente os seus deuses, as suas histórias, lendas, santos, heróis e mitos.

Nesse contexto, a nossa sugestão é a de que se comece por ler um livro de Luc Ferry, que foi recentemente editado em português, e cujo título é “A Mitologia Grega de A a Z”.

Luc Ferry foi Ministro da Educação de França entre 2002 e 2004, e portanto sabe bem a relevância que tem a mitologia para os dias de hoje, em que crianças e jovens acreditam fervorosamente em disparates sem sentido nem significado. Tal sucede por desconhecerem completamente os seus deuses, as suas histórias, lendas, santos, heróis e mitos.

O objectivo do livro de Luc Ferry não é apenas aumentar a cultura geral de quem o leia, o seu ponto fundamental, é o de dar a conhecer o modo como os mitos moldaram a filosofia, a arte e a civilização ocidental, e também como engendraram a forma como vivemos e pensamos desde a antiguidade clássica até aos dias de hoje.

A partir das aventuras e desventuras de Ulisses, Zeus, Atena, Hércules e Afrodite, entre muitos outros, podemos extrair uma miríade de lições de vida que, não por acaso, são tão válidas nos nossos dias, como o eram em séculos distantes.


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