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Poeta e professor


Assim quase por acaso, descobrimos o nome de um professor e poeta português de agora, o seu nome é António Carlos Cortez. O homem nasceu em 1976 e decidiu dedicar-se à escola e à poesia. “Não tenho carro, não tenho carta de condução. Não sou casado, não tenho filhos. Concebi a minha vida assim, dedicada ao ensino, à literatura, à investigação literária.”

Não é hoje em dia vulgar que andem poetas pelas escolas, e mais ainda que alguém se dedique a escrever poemas, mas que se dedique também a escrever livros reflexivos sobre o que é ou deveria ser o ensino.

Um dos mais recentes livros de António Carlos Cortez intitula-se “Para Ler Camões, 35 poemas líricos comentados para estudantes e professores”. Como todos sabemos, há décadas que a escola se dedica a fazer com que gerações inteiras de alunos ganhem horror à poesia de Camões, e o facto é que o tem conseguido.

A situação é tal, que a comissão oficial para as comemorações do V Centenário do nascimento do poeta, decidiu instituir um prémio para professores que ajudem a ensinar Camões de outra forma. Os valores a atribuir aos premiados são os seguintes: 1º Lugar, 10.000€, 2º Lugar, 5.000€ e 3º Lugar, 2.000€. As inscrições fecharam a 31 de Dezembro de 2025.

Certamente que António Carlos Cortez não terá concorrido ao prémio, contudo podia, pois o seu livro “Para Ler Camões, 35 poemas líricos comentados para estudantes e professores”, pretende mostrar a quem o lê a magia do mundo verbal de Luís de Camões, e desbravar o caminho de quem estuda e de quem ensina para um regresso a monstros antigos e a deuses míticos, de modo a que se perceba a sua relevância para tempos de hoje em que diariamente convivemos com novos monstros e com falsos deuses.


Num outro livro, António Carlos Cortez, este intitulado “O fim da educação”, dá-nos a sua visão sobre a falência da educação, afirmando que esse é o resultado do tempo em que vivemos, que é inimigo da cultura, do livro, da memória e do pensamento.

No entender do autor, uma verdadeira reforma educativa, seria aquela que tivesse como eixo as Humanidades, e na qual o acto de ler e de escrever, de pensar e de imaginar estivesse no centro do processo educativo.

Vejamos passagens de uma entrevista de António Carlos Cortez: “Fechar-me só no ensino, não ter um pé na cultura, não ter um pé na literatura, nas artes, para mim nunca fez muito sentido. Tenho para mim que a formação de professores é extremamente pobre em Portugal. A classe docente está mal preparada, com poucas leituras, e vai exercer a profissão muitas vezes, de forma meramente instrumental. Cumprir um horário de trabalho, dizer umas coisas, cumprir aspetos burocráticos e ter o ordenado ao fim do mês. A minha concepção de professor é completamente diferente - até por ter sentido a minha vocação de professor muito cedo, com 13, 14 anos. Apesar de algum desencanto que se abateu sobre mim nos últimos anos, continuo fiel a essa ideia de que o professor, seja em que área for, tem de ser, por um lado, um leitor compulsivo, para poder dar aulas em que todos os saberes se podem integrar, e, por outro lado, alguém disponível para a investigação e para a descoberta das artes.”

Numa outra entrevista, António Carlos Cortez disse o seguinte: “Seria fundamental que os professores percebessem que um professor, seja ele de Ciências, de Economia, de Línguas, de Português, não é um fazedor de folhas Excel, não é um avaliador. Educação não é avaliação, ao contrário do que muitos governos defenderam, é outra coisa, é o campo onde o ser humano se pode conhecer melhor, potenciar as suas energias vitais para dar um sentido à vida.”

Abaixo, “O Sol”, uma obra de Edvard Munch.



Naquele tempo a luz feria ainda.
Na praia as ondas da invernia calavam-se
de cada vez que mergulhavas nesse mar
gélido, a raiva da ternura. Revolvias as águas
à procura de uma aventura qualquer, a carne
latejando como num conto a guelra de um animal
mecânico, um «de soto» dos anos trinta…

Naquele tempo havia uma casa na praia
onde éramos de novo jovens, misturando
tabaco e uísque, haxixe, frutas frescas,
algum vinho para adoçar a boca seca.
Voltamos a essa habitação um dia.
Fazia sol. Uma cotovia lutuosa rompia
o céu d’outrora e então, mais velho e triste,
disse de mim para mim: estas areias, o sal
por dentro dos meus poros, conheço-as talvez…
Uma onda breve veio vindo romper leve
junto aos meus pés descalços, lambendo
o meu coração exausto, molhando-os daqueles dias…

O poema acima é de António Carlos Cortez e foi publicado no seu livro de poesia intitulado “Skin Deep”. O poema fala-nos de um tempo distante, o da juventude, e do tempo de agora, o do coração exausto, no entanto, fala-nos também de uma onda que chega no presente aos pés descalços do poeta, com memórias felizes dos dias passados.

Talvez a alguns o poema acima pareça estar envolto em nostalgia e melancolia, todavia, nós vemos nele alegria. A alegria de em algum momento, ainda que distante, se tenha vivido plenamente, num sítio onde havia uma casa na praia e fazia sol.

De algum modo, dir-se-ia que esse tempo que passou não se perdeu para sempre pois regressa, e mais que não seja na forma de uma onda breve que molha os pés.

Quem quer que no seu passado algum dia encontrou felicidade, a esse, mesmo em dias menos felizes, chega-lhe sempre uma onda benigna, e por consequência disso nunca se afunda, tem perpetuamente algo a que se agarrar, o inferno do sem sentido jamais será o seu destino.

Leiamos novamente António Carlos Cortez: “Muitas das pessoas que estão hoje no ensino - claro que também acontece noutras profissões - jamais se perguntaram: ‘O que é que eu gosto de fazer?’. Portanto vivem vidas infernais.”


Quando não esperas nada

Quando não esperas nada
tudo acontece

Quando não esperas nada
o nada é certo

Quando não esperas nada
das leis do verso

Quando não esperas nada
porque esperavas?

Quando não esperas nada
lembras fantasmas

Quando não esperas nada
o som concreto

do poema cresce e tu recebes
lição de um nada em tudo

e recomeças

Segundo António Carlos Cortez, “O professor é a âncora da turma, é ele que faz com que os alunos se interessem ou se desinteressem. Faz com que haja disciplina ou com que aquilo seja uma rebaldaria. E está ali também para ouvir, para perceber as frustrações, os abismos de cada aluno. Por isso é que a literatura é tão importante. Porque fala da condição humana. Quando eles leem Camões ou Cesário Verde, ou pensam sobre o problema da educação romântica n’Os Maias, que faz com que o Pedro da Maia se suicide, que faz com que o Carlos se envolva com a irmã, e responda ao Ega que não se arrepende de nada, nem mesmo de ser o causador da morte do avô Afonso, é aí que a literatura chega a 30, 40, 50 alunos. Porque joga com símbolos, joga com o enigma, joga com as grandes questões da condição humana. Só que a literatura, a história, a arte foram postas de parte.”

Ecos

Errar todo o discurso de teus anos
É errar de má sorte amor ausente
Erraste todo o discurso de teus anos
e és agora pedra para sempre

e o amor ausente já presente um dia
acabou por ser a rede do destino
A mão sinistra a mão mais fria
tece as malhas do naufrágio (gume fino)

Perguntas com razão o que fazer
Como ter de novo o verão antigo
Onde o casaco quente no Inverno…

Nem o vento te responde Resta escrever
os erros que trazes só contigo
na certeza de seres teu próprio inferno

Para terminarmos este nosso texto sobre um professor e poeta português, um seu poema dedicado a Lisboa e ao Tejo, cidade e rio onde Camões viu ninfas:

é o Tejo escorrendo nas sombrias casas de vermelho.
pergunto pelos barcos e não me respondem. ninguém sabe
é o tempo diluído nas camas brancas dos amantes sem resposta
dos rápidos amantes que lembram duas balas no sangue arrefecido.
perguntei aos amantes pela cidade dos barcos no rio.
ninguém sabe. ninguém sabe da cidade com mar nos dedos
aquela que sobe pelo peito fácil das casas feitas do cheiro matinal
dos gritos e do amor rápido e sanguíneo e sedento. é talvez a hora
de romper por entre os barcos que estão nos portos sombrios
sombrios abutres de marinheiros sem literatura.
não me contaram dos barcos como num poema
nem de rostos varridos pelas musicas de cítaras antigas.
no Tejo escorria de vermelho-sangue um sabre só encontrei
o azul e o branco estagnados da parte velha da cidade do fado.
o rio calado e os seus barcos e tu a subires a rua nova do alecrim
pelo menos nos meus olhos era essa rua de cesário e eu a respirar
o mesmo ar de asfixia ou a tentar não naufragar nestas águas pantanosas
nestas vielas obscuras nesses barcos de madeira ao sol já corrompida
onde ainda adivinhamos o rio Tejo e as sete colinas gravados
onde o amor foi perpetrado (na memória tentacular do mar)
e era ainda o Tejo

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