Quem nos lê, e
em particular a este texto, pode nada saber de arte moderna e contemporânea,
todavia, não é por isso que algo vai perder. No entanto, quem nos lê, e em
particular este texto, se não souber inglês, vai ficar sem saber o quão
profundo é o que aqui se diz. Dito isto, podem sempre recorrer ao dicionário ou
a um tradutor online. E por aqui terminamos este intróito.
Nós sabemos que
isto acontece, até porque já o vimos acontecer. Com efeito, por vezes, alguém
não particularmente familiarizado com a arte moderna e contemporânea, decide ir
a um museu dedicado a esses tópicos.
Está no seu direito, pois as artes são para todos, e a verdade é que o povo unido jamais será vencido e, por assim ser, caros cidadãos, o mais que há a dizer é: levantai-vos, ó vítimas da fome, levantai-vos, ó famélicos da terra, caminhemos juntos em direcção aos amanhãs que cantam, entremos pelos museus de arte moderna e contemporânea adentro.
Quando tal
sucede, ou seja, quando quem não familiarizado com a arte moderna e
contemporânea entra museu adentro, o que mais frequentemente acontece, é que
tal alguém fica perplexo e pouco ou nada percebe do que observa. Conclui assim muito
legitimamente, que está por diante de coisas incompreensíveis, e que mais valia
ter gasto o seu tempo numa qualquer outra actividade lúdica.
É precisamente
neste contexto que nós entramos. Nós, que somos um blog didáctico, cultural e
pedagógico, e que só existimos para ajudarmos quem nos lê a compreender o que à
partida aparenta ser incompreensível.
Assim sendo, e para
que neste ano de 2026 sejam mais os que sem medo ou temor, arrisquem frequentar
um museu de arte moderna e contemporânea, e que saiam de lá confiantes e
crentes de que valeu a pena a viagem, aqui vos vamos deixar uma breve e humilde
lição sobre tal assunto.
O primeiro ponto
a ter em atenção, é que a arte é incompreensível desde o início dos tempos. Há
muito quem esteja convencido de que não percebe nada de arte moderna e
contemporânea, e que só esta é incompreensível, mas não.
A verdade é que
quem pensa só não entender a arte moderna e contemporânea, com elevadíssima
probabilidade também pouco ou nada percebe de arte barroca, renascentista,
medieval, grego-romana ou pré-histórica.
A mensagem de
esperança que aqui vos trazemos é simples, ou seja, se porventura nada percebem
de arte moderna e contemporânea, fiquem descansados, que também pouco ou nada
perceberão da arte oriunda de períodos históricos mais distantes. Em síntese, a
nossa mensagem é simples, escusam de pensar que a vossa eventual ignorância se
refere tão-somente à arte moderna e contemporânea, pois provavelmente
estende-se a todos os períodos artísticos.
Uma vez dada
esta mensagem de alegria e esperança, e de modo a provarmos o nosso ponto,
recorramos a uma obra de arte contemporânea, e mais concretamente, a esta
abaixo, de Richard Long.
Como quem nos lê
poderá constatar, a dita obra de Richard Long, consiste tão-somente num
conjunto de pedras alinhadas de forma circular. Qual será o seu significado, e
que mensagem quererá o artista transmitir-nos, são efectivamente questões
legítimas, mas para as quais não há respostas óbvias.
Na realidade,
também não há respostas não-óbvias, o que existe sim, são apenas perguntas,
dúvidas e perplexidades, e basta.
O nosso ponto é
que deixarem-nos perante perguntas, dúvidas e perplexidades, não é algo que
aconteça apenas com o surgimento da arte moderna e contemporânea, é coisa que
já por volta de mais ou menos o ano 2600 a.C., os artistas igualmente faziam.
Ponhamos o caso
de Stonehenge, uma obra de arte datada da pré-história, em que os seus
criadores decidiram simplesmente, deixar-nos diante de interrogações,
incertezas e conjecturas.
Sabemos que
Stonehenge terá a ver com os solstícios, e mais com isto e aquilo, mas na
realidade, sabemos tanto acerca do sentido e significado desse monumento
antigo, como o quanto sabemos sobre a obra de um artista contemporâneo como
Richard Long.
Um outro
problema que muitos costumam ter com a arte moderna e contemporânea, tem a ver
com a dificuldade em identificar os artistas. Com efeito, há muito quem, culto
e refinado, entre num museu e apontando para uma obra de arte, diga logo isto é
um Rembrandt, aquilo é um Leonardo Da Vinci e aqueloutro é um Rafaello. Todavia,
com os artistas de finais do século XX e de princípios XXI, isso parece ser coisa
bem mais difícil de se fazer.
Vejamos uma obra
fundamental da nossa contemporaneidade, a saber, “My Bed”, da artista britânica Tracy Emin. À partida há-de ser
difícil distinguir a obra de arte da artista, que consiste numa cama
desarrumada e desfeita, de uma qualquer cama que ficou por fazer. É ver.
Sendo então
complicado destrinçar entre a obra de arte da artista Tracy Enim, e uma
qualquer outra cama que ficou por fazer, o que nós vos dizemos, é que as
dificuldades que eventualmente tenham para identificar quem é quem, não são
exclusivas da arte moderna e contemporânea, são dificuldades de sempre.
Viajemos até ao
século XIX, época em que dois artistas estavam no auge do seu sucesso e fama, a
saber, Manet e Monet. Na verdade, dado os nomes de ambos serem bastante
semelhantes, certamente que haveria muito quem confundisse Manet com Monet e
vice-versa.
Em conclusão,
quem quer que fique melindrado, por hoje em dia entrar num museu de arte
moderna e contemporânea, e não poder dizer com toda a propriedade, isto é um
Rembrandt, um Leonardo Da Vinci ou um Rafaello, esqueça. O facto é que já no
século XIX havia muito quem fizesse confusões.
Já agora e para ilustramos quem nos acompanha, salientamos que Claude Monet pintou sobretudo nenúfares, enquanto Édouard Manet se dedicou antes a prostitutas. Por pudor, apresentamos-vos as flores.
Algo que também
incomoda os novatos visitantes de museus de arte moderna e contemporânea, é o
não poderem fazer umas fotos como deve de ser. Há pouco quem indo visitar o
Museu do Louvre em Paris, não faça uma selfie ou um retrato de família, tendo a
Mona Lisa como pano de fundo, que é uma imagem bonita para se publicar nas
redes sociais, e assim mostrar-se a amigos e conhecidos, que se é uma pessoa
com interesses artísticos e culturais.
Mas se o fazem
perante a Mona Lisa, também o fazem diante de outras obras célebres como por
exemplo, perante “O Grito” de Edward Munch ou à beira de uns quaisquer
girassóis de Vincent Van Gogh.
Imagine-se
agora, que ao invés da Mona Lisa ou outra obra célebre, alguém faz uma selfie
ou retrato, tendo como pano de fundo uma das mais icónicas obras de arte da
contemporaneidade, como por exemplo, as caixas de detergente Brillo de Andy
Warhol.
Há que convir
que não faz o mesmo efeito, pois a Pop-Art de Andy Warhol não parece ser tão
adequada para se publicar nas redes sociais, como o é a pintura da Mona Lisa. O
mais certo é que amigos e conhecidos, vendo as caixas de detergente Brillo,
pensassem que tínhamos ido ao supermercado, e que de todo em todo se
apercebessem dos nossos reais interesses artísticos e culturais.
Contudo, também
neste caso, como noutros anteriores de que já falámos, a situação é a mesma, ou
seja, desde há muito, de há milénios, que tais problemas existem.
Problemas com selfies e retratos de família, tendo obras de arte como pano de fundo, não é, portanto, algo exclusivo da modernidade e da contemporaneidade, muito pelo contrário, foi coisa que sempre houve, como muito bem atesta o cartoon abaixo.
Um outro
problema das obras de arte modernas e contemporâneas, é que há quem pense, que
tem de ter profundas razões conceptuais e filosóficas para delas gostar ou não
gostar. Contudo, tal não é preciso.
Com efeito, pode-se gostar de uma obra de arte moderna e contemporânea por razões prosaicas, não há qualquer necessidade de intelectualizar.
Em resumo, a
incompreensibilidade, as dúvidas, questões e perplexidades, são partes
integrantes de qualquer obra de arte, seja esta moderna e contemporânea, ou
seja pré-histórica, greco-romana, medieval, renascentista ou barroca.
Ora bem, cremos
que aqui chegados conseguimos cumprir a missão didáctica e pedagógica deste
blog, e transmitir a mensagem contida na humilde lição que nos propusemos
leccionar, ainda assim, e para os mais desatentos, aqui fica um resumo em três
pontos:
1 -
Relativamente ao sentido e significado das obras de arte moderna e
contemporânea, não há respostas óbvias, nem sequer não-óbvias.
2 - As eventuais
dificuldades em identificar autores, não é algo exclusivo do nosso tempo, é de
sempre.
3 – Não há necessidade
de se intelectualizar perante a arte moderna e contemporânea, pois qualquer vulgar
e prosaica razão pode ser suficiente para a adorarmos.











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