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E neste entretanto, lá longe, na China, ensina-se amor


É certo que de quando em vez, em Portugal, se discutem os currículos escolares. É ainda mais certo, que não raras vezes, tais discussões acabam por cair na praça pública sem proveito para ninguém.

Com efeito, em tais ocasiões todos opinam, independentemente de pouco ou nada saberem do assunto, e o mais que se acaba por dizer é que actualmente existe um grande facilitismo no ensino, que agora nada se sabe, que dantes é que era bom e outras inanidades do mesmo género.

Ao contrário do que sucedia dantes, neste entretanto a China tornou-se nos últimos anos numa enorme potência económica. Hoje em dia, a China compete com qualquer país do mundo em termos científicos e tecnológicos, mas também culturalmente.

Por exemplo, em 2012 foi um escritor chinês Mo Yan, o galardoado com o Prémio Nobel da Literatura.  



O maior e mais prestigiado galardão internacional de arquitectura, o Prémio Pritzker, em 2025 também foi atribuído a um criador oriundo da China, no caso ao arquitecto Liu Jiakun.

Liu Jiakun descreve a sua filosofia arquitectónica como "ser como a água", ou seja, como adaptando-se ao contexto e às restrições do local, em vez de a este se impor. O seu trabalho é amplamente visto como uma resposta à rápida, repetitiva e inexpressiva urbanização da China.


Por outro lado, é também da China que nos chegam algumas das mais espectaculares e originais instalações artísticas, como por exemplo, esta abaixo, “Heritage” de Cai Guo-Qiang…


…ou igualmente esta outra de Ai Weiwei, “Forever Bicycles”:



Sendo a China actual uma imensa potência económica, tecnológica e cultural, tal não aconteceu sem que todos os currículos escolares tivessem sido revistos, e de seguida concebidos tendo como horizonte o futuro.

Significa isto que na China não se perdeu tempo com discussões estéreis acerca de como dantes é que era bom, mas sim que se olhou para o mundo e se pensou o que se queria da educação.

Aqui chegados, neste preciso momento, na China está-se novamente a repensar os currículos escolares, e mais uma vez tendo em atenção os problemas e desafios do presente e o futuro que se antevê.

O que se diria cá pela nossa amada pátria, se as escolas e universidades dessem uma semana de folga em Abril, para que os estudantes "aproveitem a Primavera e se apaixonem".

Nós efectivamente não sabemos o que se diria por cá, simplesmente desconfiamos, mas independentemente disso, foi essa a decisão do governo chinês.


A decisão tem uma razão, com efeito, a China enfrenta uma queda acentuada nas taxas de natalidade e a redução da sua população pela primeira vez em décadas, sendo a semana de folga em Abril, para que os estudantes "aproveitem a Primavera e se apaixonem", uma medida que pretende contribuir para a resolução desta situação.

Porém, a coisa não se fica por aqui, ou seja, vai também aos currículos quer de universidades, quer do ensino básico. Por exemplo, a prestigiada Universidade Tianjin, situada a 120 km a sudeste de Pequim, desde 2016 que passou a incluir nos seus planos de estudo aulas de sedução.

São mais de oitocentos os estudantes, que anualmente se inscrevem no programa "Teoria e prática das relações amorosas". Os jovens mancebos recebem ensinamentos acerca de como "cuidarem do seu aspecto", de como não devem usar "camisas sem mangas ou bermudas demasiado largas", a "não serem arrogantes" e da forma como evitarem "fazer perguntas à pretendida como se fosse um interrogatório policial".

Já relativamente às jovens donzelas que aspiram por um rapaz, os ensinamentos são relativos ao modo como devem "utilizar o humor", e também como "olhar um homem nos olhos”, e ainda como usarem a linguagem corporal de forma sugestiva, como por exemplo, “passarem a mão pelo cabelo".

O Ministério da Educação está muito optimista e diz que, e passamos a citar: "A China, tem tido um muito rápido progresso económico nos últimos 30 anos, mas tudo faremos para também termos um enorme desenvolvimento amoroso".

Durante as recentes décadas, na China, os jovens foram desencorajados a pensar no amor e nos namoricos, pois só assim conseguiriam ter tempo para fazer face às exigências escolares do rigoroso e temido Gaokao, o exame de entrada para a universidade.

Dado o contexto, e sendo que na China não há facilitismos, a juventude desabituou-se do convívio, de modo a concentrar-se e a cumprir todas as exigências curriculares desde a mais tenra idade. Todavia, estão agora a chegar à conclusão, que talvez tenham exagerado no rigor.

Hoje ficamos por aqui, mas em próximos textos, voltaremos aos problemas educativos da China…

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