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Na Finlândia faz frio e come-se mal, mas em Portugal é que se é infeliz



Na imagem ao lado vê-se um grupo de finlandeses na sauna, uma das actividades preferidas dos habitantes desse país nórdico. Nós por cá não compreendemos lá muito bem qual é a graça de se estar envolto numa quente nuvem de humidade a transpirar, mas isso somos nós, que não sabemos como ser felizes.

Soube-se na passada semana que, segundo o Relatório Mundial da Felicidade, a Finlândia é pelo nono ano consecutivo, o país mais feliz do mundo. Há causas económicas e sociais para assim o ser, mas também as há de outros tipos, como emocionais, culturais e educativas.
Nesse mesmo Relatório Mundial da Felicidade, constata-se que a Costa Rica, país da América Latina que não tem uma riqueza económica equivalente à da Finlândia, ocupa o quarto lugar da lista. Já Portugal ficou na sexagésima nona posição.

A Finlândia tem um PIB per capita de 55,770 $, Portugal de 42,531 $ e a Costa Rica de 28,001 $, valores que nos demonstram claramente que a prosperidade económica, sendo bastante importante para um povo ser feliz, ainda assim não é o único factor determinante para a felicidade de uma nação.


Tal facto é amplamente comprovado pela posição do Brasil, que ocupa o trigésimo segundo lugar, posto muito acima de Portugal, ter um PIB per capita muito inferior ao português, 20,050 $. Outro tanto se pode dizer do México, cujo PIB per capita é de 22,004 $, e ocupa o décimo segundo lugar no ranking mundial de felicidade, mais de quarenta postos acima de Portugal.

Todos estes e demais dados estão disponíveis através do link abaixo:


Dito isto, nós estamos decididos a contribuir para fazer de Portugal um sítio mais feliz, por tal razão, fomos investigar o que faz com que outros países sejam tão felizes, e com que nós sejamos uns tristes.



Não é uma investigação difícil, pois rapidamente descobrimos milhares de artigos e reportagens na internet, que fornecem as explicações que procurávamos. Comecemos pela Costa Rica e pelas declarações do seu presidente da república: “Anos atrás, a Costa Rica eliminou o seu exército. Isso permite fazer muitas coisas. Oito por cento do nosso PIB são investidos na educação porque não precisamos gastar com o exército. Por isso, a nossa força é o talento humano, o bem-estar humano."

Neste entretanto por cá, políticos, comentadores e jornalistas, alertam-nos para a suposta necessidade de termos de investir um valor mais alto do nosso PIB não em educação, mas sim nas nossas forças armadas. A nossa pergunta é para quê?

Será que se a Espanha, a Rússia ou até o Irão, por alguma insondável razão, se lembrarem de nos atacar, desistirão de o fazer por saberem que temos mais três helicópteros, um submarino, dois aviões e uns tantos drones?

Com mais todo esse equipamento, que custa larguíssimos milhões de Euros, certamente que em Washigton, Pequim ou Moscovo todos iriam ficar impressionados, e passariam a considerar a lusitana nação uma potência militar de primeira categoria.

Vale muito a pena a ver, o momento em que numa cerimónia oficial, se procedeu ao lançamento do primeiro drone português. Desde essa data, que todos os chefes militares do mundo estarão certamente a tremer com o tremendo potencial das forças armadas nacionais.



Ora bem, o quarto lugar da Costa Rica no Relatório Mundial da Felicidade deste ano explica-se em larga medida pelo seu constante investimento em educação, mas que dizer da Finlândia, que há nove anos seguidos que fica em primeiro?


Uma coisa todos sabemos, é que na Finlândia há poucas horas de luz, chove muito e faz frio, todavia, isso são coisas que parecem não incomodar os locais, que todos os dias saem para a rua para se passearem, e se vão banhar no mar quer seja Verão, quer seja Inverno.

“Desde o nascimento da Finlândia como país independente, há 109 anos, os dois pilares fundamentais da sociedade foram a igualdade e a educação”, afirmou Eva Hannikainen, uma alta funcionária do estado finlandês, para explicar porque há tanta gente feliz nesse país.

Uma das variáveis levadas em conta no estudo anual sobre a felicidade é a expectativa de vida saudável, que é na Finlândia praticamente igual à de Portugal. A Finlândia, assim como Portugal, tem um sistema de saúde público. Há na Finlândia 3,3 médicos por mil habitantes, menos do que em Portugal, onde há 5,6. No país nórdico o sistema privado de saúde é absolutamente residual. A Finlândia tem um rácio de polícias 140 por cada 100.000 pessoas, sendo que em Portugal esse número é muito superior, ou seja, de 488.

Portugal situa-se entre os países com transportes públicos mais caros da Europa, isto apesar do sistema ser pouco eficiente, já a Finlândia é considerada um modelo mundial, com um sistema altamente integrado e tecnológico. Nem vale a pena dizer que o transporte público na Finlândia se caracteriza pela extrema pontualidade, enquanto por cá é o que se sabe.

Poderíamos continuar por aqui afora e explorar outros critérios para fazermos a comparação entre Portugal e a Finlândia, sendo certo que, em todos eles ficávamos mal, mas para que a auto-estima lusitana não fique pelas ruas da amargura, destacamos o facto de que por cá se come muito melhor.

Enquanto os sites, revistas e jornais internacionais aconselham os seus leitores sobre as iguarias que devem experimentar ao viajarem para Portugal, relativamente à Finlândia aconselham-nos sobre aquilo que não devem comer.

Um dos mais conceituados sites de viagens, o Culture Trip, tem mesmo um artigo intitulado “10 Things You Should Never Eat or Drink in Finland”:


Feitas as contas, não somos tão felizes como os finlandeses, mas dar ao dente é connosco.


Mas mesmo sendo os portugueses gente que gosta de comer bem, ainda assim isso não nos faz tão felizes como aos finlandeses. Também não nos faz felizes o facto de termos uma taxa de 5,6 de médicos por mil habitantes, a quarta mais alta do mundo e a segunda da União Europeia, nem o facto de termos mais polícias por habitante do que praticamente todos os outros países da Europa.

Os transportes públicos também não nos trazem felicidade, pois somos um dos povos que menos os usa, Portugal é o 2.º país da União Europeia onde mais se viaja de carro, seja para grandes ou para pequenas distâncias.

Por fim, o facto de termos uma expectativa de vida saudável com um valor igual ou até superior à dos países desenvolvidos também não nos alegra grandemente.

Posto isto, voltemos que afirmou Eva Hannikainen, uma alta funcionária do estado finlandês, “Desde o nascimento da Finlândia como país independente, há 109 anos, os dois pilares fundamentais da sociedade foram a igualdade e a educação”, e recordemos também o que disse o presidente da Costa Rica: “Oito por cento do nosso PIB são investidos na educação porque não precisamos gastar com o exército. Por isso, a nossa força é o talento humano, o bem-estar humano."

Assim sendo, a única conclusão possível é a de que a educação é uma das principais razões que determina a felicidade colectiva de um povo. 
Sendo esse o contexto, vejamos algumas curiosidades da educação na Finlândia, o país mais feliz do mundo, que caso fossem seguidas em Portugal, deixariam uns quantos docentes, muitos encarregados de educação e bastantes políticos e donos de colégios, apopléticos:


- Não há testes, nem provas, nem exames classificativos até os alunos completarem 18 anos de idade.
- Não existem retenções.
- Os dias lectivos são curtos, 4 horas diárias nos ciclos iniciais, 7 horas nos ciclos mais avançados.
- Pausas de 15 minutos, a cada 45 minutos de aula, para todos os ciclos.
- As pausas são sempre ao ar livre, excepto se a temperatura descer abaixo dos quinze graus negativos.
- Não há trabalhos de casa, podem ser abertas excepções pontuais para tarefas que não excedam os 30 minutos.
- Não existem manuais escolares no sentido habitual do termo, mas existem cadernos didácticos editados por diversas editoras, que compete ao professor adoptar (ou não) consoante o trabalho que desenvolve com os seus alunos 
- Os professores têm imensa autonomia, existe um currículo nacional mas é muito geral e não é prescritivo, compete às escolas decidir o que ensinar.
- Praticamente não há escolas privadas na Finlândia, apenas 85 em todo o país, que acolhem cerca de 3% da população estudantil.
- A participação dos pais não é necessária, desde os 7 anos os estudantes são fortemente incentivados a serem independentes, incluindo o caminho de casa para a escola e vice-versa, caso a distância não seja superior a 5 km.

Acresce a todas estas curiosidades, que os professores são muito bem pagos e que há uma imensa disputa por uma vaga em cursos de formação, que chega a ter uma relação de dez candidatos por vaga. Os jovens finlandeses são atraídos para a docência pelo prestígio da profissão e por uma carreira que prevê salários que colocam os docentes em condições de igualdade com outros profissionais de nível superior.

E será que na Finlândia existe a avaliação de professores? Claro que não. Existe sim um bónus salarial que depende da performance no trabalho, avaliada, entre outros meios, pelo opinião dos pais e dos colegas e, sobretudo, pelo diretor da escola, principal responsável por definir quem ganhará o prémio.
Podem haver também incentivos financeiros para os que passam mais tempo do que o exigido em actividades colaborativas com outros colegas à procura de melhores práticas pedagógicas, para os que frequentaram ações de formação que tiveram efeitos na actividade lectiva, e ainda para os que se disponibilizaram para trabalhar com turmas ou alunos mais desafiantes e conseguiram ser bem sucedidos nessa missão. 

Dito isto, o facto é que a Finlândia não só é o país mais feliz do mundo, como tem também o melhor sistema educativo do planeta, e isso não há estudo internacional que não o reconheça. Na verdade não há nenhum estudo internacional, mas certamente que em Portugal haveria muito quem, caso por cá se aplicassem as medidas educativas finlandesas, que imediatamente começaria a gritar que agora é só facilitismo, que todos passam de ano, que já ninguém chumba, que dantes é que era bom e ainda que rebéubéu pardais ao ninho.

Abaixo uma imagem de uns quantos felizes docentes finlandeses, num momento não-lectivo em trabalho colaborativo.


E pronto, aqui chegados terminamos este texto, com o qual esperamos contribuir para o aumento da taxa de felicidade nacional, neste entretanto vamos tratar de ir almoçar, pois isto de barriga vazia, não há ninguém que seja feliz.

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