Por estes dias, Paris “c’est chaud”, sendo que, os parisienses se refugiam da canícula em galerias de arte e museus. Não lhes é difícil encontrar um desses locais, pois ele há-os por todo o lado na cidade-luz, e alguns deles são mesmo de grande categoria internacional, como por exemplo, o globalmente afamado Louvre e o não menos célebre Museu de Orsay.
No entanto, devido às alterações climáticas dos últimos anos e ao crescente calor, foi necessário aumentar a oferta do número de galerias de arte e de museus em Paris. Uma vez que as vagas de calor duram cada vez mais dias, é natural que assim seja, de modo a que se permita aos parisienses terem um ainda mais amplo e variado leque de escolhas culturais para se refrescarem.
O certo é que neste início de Verão, a solução para a premente questão o que fazer nestes “Fortes Calores?”, a melhor resposta é só uma: “Refrescar-se no Museu”.
Sendo este o contexto, vamos então ver, que novos museus foram erguidos na capital gaulesa, para que os seus habitantes possam escapar mais facilmente ao tempo quente.
Aqui há uns poucos anos, foi em pleno Bois de Boulogne, que é de longe o maior espaço verde de Paris, o local onde surgiu a Fundação Louis Vuitton.
Toda a gente sabe que a Vuitton é uma marca de produtos de luxo, o que talvez nem todos saibam, é que a Vuitton também se dedica à arte moderna e contemporânea. Vai daí, no extenso e verdejante Bosque de Bolonha que rodeia Paris, nasceu um edifício projectado pelo norte-americano Frank Gehry, este da imagem abaixo.
A Fundação Louis Vuitton é um sítio muito bom para os parisienses que gostam de caminhar na natureza, correr ou andar de bicicleta no bosque, mas agora, onde antes só existiam milhares de árvores, plantas, caminhos de terra batida e ar puro, há igualmente um local para se ver arte moderna e contemporânea.
Em Paris ir passear ao bosque já não significa ver apenas vegetação e bichos como aves e insectos em plena natureza, pois significa igualmente ter oportunidade de contemplar livremente artistas como Alexander Calder, pois algumas das suas obras estão no jardim e não no interior do edifico. Assim, ficam mais à fresquinha.
Bem no centro de Paris há um imponente edifício histórico, cujo nome é Bourse du Commerce. O importante monumento foi erguido no início do século XIX, atravessou gerações e desde há muito que faz parte integrante do património nacional francês.
Dito isto, aqui há tempos os franceses tiveram uma grande ideia, a saber, contratar um arquitecto japonês, no caso o ousado Tadao Ando, para renovar todo o edifício de modo a que este ficasse não só tipo ultra-chic, como é próprio dos parisienses, mas também mais “cool”.
Após a completa renovação, toca de arranjar uma coleção de arte contemporânea para meter lá dentro. Como é evidente, os puristas da história e do património ficaram horrorizados e muitos até tiveram apoplexias, mas em Paris, a esses pouco lhes ligam, e portanto a coisa fez-se sem grandes delongas ou aborrecimentos.
Mas feitas as contas, os franceses acharam que faltava algo para que os parisienses se refrescassem a ver arte, e tendo chegado a essa conclusão, pediram ao artista japonês Fujiko Nakaya que criasse para esse espaço uma enorme nuvem, toda ela feita de vapor de água.
Uma vez a obra feita, há actualmente no centro de Paris um enorme local, com um constante nevoeiro, onde toda a gente vai para ter uma experiência simultaneamente contemplativa, imersiva e refrescante.
“O nevoeiro reage constantemente ao seu ambiente, revelando e ocultando continuamente as suas características. O nevoeiro torna invisível o que é visível e torna visível o que — como o vento — é invisível”, foi assim que Fujiko Nakaya falou acerca da poética experiência por si criada.
Não muito longe da Bourse du Commerce, temos o Grand Palais, um outro histórico edifício do século XIX. Neste momento, o Grand Palais alberga uma grandiosa exposição do artista argentino contemporâneo Leandro Erlich.
Leandro Erlich é internacionalmente conhecido, entre coisas, por ser um criador de originais piscinas, cuja principal característica é não possuírem uma única gota de água. Na realidade, as piscinas são instalações artísticas que confundem o olhar dos visitantes, deixando-os pasmados a tentar perceber como é possível estarem a ver aquilo que estão a ver.
A piscina de Leandro Erlich desafia a nossa percepção da realidade. Ao envolver-nos fisicamente, submete-nos a uma vivência inquietante que perturba a nossa visão do espaço e do Outro.
Por meio de um mecanismo muito simples, porém magistralmente executado, Leandro Erlich cria-nos uma estranhíssima sensação na qual se diluem as fronteiras estabelecidas entre realidade e ficção. Seja como for, é uma experiência imersiva e “cool” para o Verão.
Dito isto, o facto é que em Paris nunca nos ficamos pelas meias-medidas, se é para se fazer, então que seja à grande e à francesa. Assim sendo, a mais bela e histórica ponte que atravessa o Sena, a Pont Neuf, construída em 1607, foi transformada numa espécie de coisa, que é meio glaciar, meio iglô.
O autor da façanha foi JR, que é um artista de rua francês. Abaixo fica a imagem da estrutura que marca a paisagem parisiense neste início de Verão, estrutura essa que é atravessável a qualquer hora do dia ou da noite, faça chuva ou faça sol, esteja o ambiente gelado, temperado ou a escaldar.
Lá dentro há música alternativa, que foi expressamente concebida para este sítio pelo ex-Daft Punk, Thomas Bangalter.
E pronto, com isto terminamos esta nossa passagem pelas paisagens mais “cool” deste quente princípio de estio em Paris.









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