Avançar para o conteúdo principal

Ai os homens…


Acima vemos uma gigantesca escultura do artista australiano Ron Mueck, a peça tem cerca de cinco metros de altura e retrata um rapaz agachado. Apesar do seu colossal tamanho, a figura masculina transmite uma profunda sensação de vulnerabilidade, medo e recolhimento.

Aqui há uns poucos meses, o semanário Expresso publicou uma notícia cujo primeiro parágrafo era o seguinte: “O ministro da Educação não quer, para já, pronunciar-se sobre o alarme lançado este fim de semana por diretores de escolas, professores e associações de pais. Em causa está o aumento do discurso de ódio dentro dos estabelecimentos de ensino, em particular contra as raparigas.”

Ao dia de ontem, o jornal Público publicou uma notícia com este título: “A manosfera deve ser tratada como um problema de saúde pública, dizem investigadores”.

Ainda bem, recentemente, nós, os que aqui escrevemos, não fazíamos a mais leve ideia de que coisa fosse a manosfera, por acreditarmos que haja muito boa gente que também desconheça tal termo, aqui vos deixamos uma singela explicação.

A manosfera baseia-se na ideia de que os homens são vítimas do feminismo, da independência das mulheres e das mudanças sociais. Neste contexto, as mulheres são desvalorizadas, objetificadas e vistas como seres inferiores.

Na manosfera os homens são claramente divididos em diferentes categorias, por um lado, temos os "alfa", vistos como seres dominantes e fortes, por outro os "beta", considerados fracos e submissos.

Para além destas duas principais categorias, temos ainda uma espécie de sub-categorias, como por exemplo, os machos sigma, homens vistos como "lobos solitários”, equivalentes a um macho alfa, mas que agem por conta própria e não dependem da aprovação ou validação dos outros para se sentirem confiantes.

Depois, há ainda os Incels, rapazes celibatários involuntários que culpam as mulheres pela sua falta de sucesso romântico e sexual. A estes juntam-se os MGTOW (Men Going Their Own Way), ou seja, gente que segue o seu próprio caminho e que defende a total ausência de relacionamentos com mulheres. Por fim, há ainda os PUA’s (Pick-up Artists), o mesmo é dizer, “artistas” da conquista, machos completamente focados em aplicar e divulgar técnicas de sedução e de manipulação das mulheres.

A manosfera está intimamente ligada a fóruns e redes sociais e também à cultura de ginásio e do fitness, sendo esse o seu ideal de "masculinidade alfa". Por assim ser, imagens de esculturas da Grécia Antiga e do Renascimento, como por exemplo o David de Michelangelo, são amplamente utilizadas nas suas mensagens e plataformas digitais.

Repare-se no contraste entre a escultura de Michelangelo e na de Ron Mueck, quase se poderia dizer, que uma é o ideal alfa, e a outra representa um pobre beta.


Assim, em termos de resumo resumido, são estas as linhas com que se cose a manosfera. Em boa verdade, os manosféricos são no fundo rapazes zangados. A zanga ter-lhes-á vindo de se sentirem frustrados e solitários por não terem conseguido arranjar uma moça que lhes enchesse as medidas.

Em síntese, quando um mancebo não consegue atingir os padrões ideais de sucesso amoroso exibidos nas redes sociais e não só, fica triste e desiludido. Vai daí, faz umas quantas pesquisas na internet e encontra uns sites que validam a sua dor e a transformam em zanga e rancor.

Assim sendo, o mancebo que inicialmente só estava triste e desiludido, sente-se agora zangado e rancoroso, pois sabe que a culpa do seu insucesso amoroso é das mulheres. Mais do que isso, ele sabe que tal como ele, há muitos outros rapazes que estão igualmente em sofrimento devido a padecerem do mesmo mal.

Estando na manosfera, cresce no moço um sentimento de pertença, pois já não está sozinho e, para mais, tem agora uma missão, a saber: acabar com o maléfico domínio feminino do mundo.


Para percebermos como um moço normal vai de repente para manosférico, vejamos o exemplo perfeitamente ilustrativo do Tiago. A história deste rapaz aqui contada na primeira pessoa, dá-nos uma clara imagem de como estas coisas acontecem.

Tudo começou com a Mariana. Eu estava apaixonado. Ganhei coragem, aproximei-me dela e, com a minha mais sedutora voz, convidei-a para ir tomar um café. A Mariana olhou para mim, sorriu dolorosamente, e disse: “Ai, Tiago, és tão fofo e tens um tão excelente senso de humor…mas eu vejo-te como um irmão. De qualquer modo, podes ajudar-me a carregar estas caixas até ali ao carro do Bruno?”

O Bruno, pois claro. O Bruno tem barba rija, e apesar de nunca sair da cidade, conduz um jipe que polui mais do que uma central a carvão. E eu ali, com o minha camisola de malha oferecida pela minha avó. Eu promovido a irmão por consideração e a carregador de caixas.

Cheguei a casa abatido e lavado em lágrimas. A minha auto-estima estava arrasada. Via-se que eu me encontrava em sofrimento. Peguei no telemóvel e pesquisei na internet: “Porque é que as raparigas simpáticas preferem os maus?”

Em menos de três segundos, o meu ecrã foi invadido por gajos hipermusculados, a usar óculos escuros à noite e a gritar comigo: “Foste rejeitado? Claro que sim! És um beta, sorris para as mulheres! Pediste-lhe para ir tomar um café? Erro fatal! Tu não pedes, tu dominas, impões a tua vontade!”

Descobri que a minha vida tinha sido uma mentira. Eu achava que era um homem sensível, mas afinal eu era um "macho subjugado pela matriz feminista". Decidi que a Mariana iria arrepender-se.

O meu primeiro passo foi a mudança de visual. O Coach de Masculinidade do YouTube disse que um homem alfa tem de exalar perigo, risco e mistério. Deixei portanto de fazer a barba, comecei a franzir o sobrolho e a olhar para as mulheres como se todas me devessem e nenhuma me pagasse.

Depois disto, numa sexta-feira, encontrei a Mariana num café, aproximei-me, cruzei os braços para fazer sobressair os meus bíceps, que ainda não estão lá muito fitness, e disparei: “A tua rejeição apenas alimenta o meu Grindset!"

(Para quem não saiba, Grindset é uma junção dos termos em inglês “grind”, trabalho duro e rotina intensa, e “mindset”, mentalidade)

A Mariana olhou para mim perplexa e a minha postura dominadora vacilou. Tentei afastar-me com a passada firme de um macho alfa, no entanto, tropecei no pé de uma mesa. Chávenas, copos, pratos e talheres foram parar ao chão. Tive de passar os quinze minutos seguintes a ajudar a empregada de limpeza a apanhar os cacos.

À noite, tive de pôr pomada nas costas, nos braços e nas pernas por causa do treino intenso que o coach me mandou fazer, contudo, eu não vou desistir. Enfim, o dia não foi um verdadeiro falhanço, mas sim um teste de resiliência. Passei o fim-de-semana a ver vídeos no Youtube.

Na segunda-feira, com o guarda-roupa oficial da manosfera, um sobretudo preto e óculos de sol, voltei à carga. Avistei a Mariana e o Bruno, ele estava a comer um folhado de chouriço, um claro sinal de fraqueza metabólica. Aproximei-me com passos decididos e sem piscar os olhos. A Mariana viu-me, soltou um suspiro que vinha do fundo da alma e disse: “Tiago... por favor, diz-me que já te passou aquela coisa de sexta-feira”.

Sorri um sorriso gélido, ensaiado ao espelho durante várias horas. O Bruno, com a boca cheia de folhado, olhou para mim e riu-se à farta, a Mariana fez o mesmo. O meu cérebro entrou em curto-circuito. Os vídeos do Youtube não me tinham preparado para isto. Afastei-me a correr.

Chegado a casa, mudei a minha foto de perfil para a de um guerreiro espartano e o meu nome para Tiago Stryker. Tive milhares de likes dos meus camaradas da manosfera.

Não, nem a Mariana, nem nenhuma mulher me vai vencer, eu sou um homem que segue o seu caminho e estou focado no meu próprio auto-desenvolvimento. AWALT, AWALT, AWALT…

(Para quem não saiba, AWALT é um termo da manosfera que significa “All Women Are Like That”, o mesmo é dizer, as mulheres são todas iguais)


Contada a pungente história do Tiago, todos ficaram certamente a perceber que na realidade os manosféricos, mais não são do que crianças grandes, que estão em sofrimento.

Tendo nós consciência da preocupação manifestada pelos directores escolares relativamente a este fenómeno, e também que os investigadores o consideram um problema de saúde pública, estamos aqui para propor soluções.

Sendo nós um blog cuja vocação é participar e intervir nos grandes debates actuais, era evidente que não ficaríamos de consciência tranquila, se porventura não propusemos possíveis soluções para que a rapaziada possa encontrar um sentido para a sua existência, sem ter de ir para manosférico.
Para cumprirmos esta missão cívica, vamos retomar a história do Tiago, desta vez contada na terceira pessoa.

A mente do Tiago tinha sido completamente colonizada pela manosfera. Ele não via pessoas; via Alfas, Betas. Mulheres? Nem vê-las. Tiago passou a comer carne picada crua às três da manhã e a tomar banhos de gelo enquanto ouvia podcasts sobre como dominar o espaço pessoal através do contacto visual agressivo. Estava decido a tornar-se num macho alfa.

Um dia, por um mero acaso, reencontrou a Mariana na esplanada de uma pastelaria, aproximou-se. Segundo os seus mentores digitais, ele não podia simplesmente dizer olá, isso seria o comportamento de um beta.

Parou em frente dela e olhou fixamente para a testa da Mariana. Nunca olhar nos olhos. Nos olhos demonstra fraqueza. Na testa demonstra domínio territorial. Tiago disse-lhe o seguinte: “Mariana, sabias que a tua postura indica uma baixa densidade de dopamina?”. Disse-o com uma voz artificialmente grossa.

A Mariana olhou para ele. Olhou para o lado. Olhou para trás: “Tiago, tu estás bem? Estás a fazer uma força estranha com o pescoço. É um AVC?”

A dieta de carne crua e a privação de sono minaram a pose do Tiago, tentou manter a sua postura, mas diante das palavras de Mariana tudo se desmoronou.

Mariana foi-se embora, todavia, a funcionária da pastelaria, preocupada, perguntou-lhe se ele queria tomar algo, talvez um chá com torradas.

O manual da manosfera dizia: que chá com torradas destrói a testosterona, mas o estômago do Tiago fez um ronco tal, que até assustou os pombos que andavam pelas redondezas.

Tiago devorou o chá e as torradas em três segundos, o sabor quente e aconchegante fez com que subitamente o mundo lhe parecesse glorioso. “Eu não sou nem nunca serei um macho alfa...”, soluçou o Tiago, enquanto limpava a boca cheia de manteiga à manga da camisola, “Eu gosto é de coisas quentinhas e apetitosas”.

Após esta epifania, não mais o Tiago teve vontade de contactar com a manosfera e passou a frequentar regularmente a pastelaria, para ao fim do dia tomar um chá com torradas.

A funcionária da pastelaria, que era uma moça bastante anafada mas também muito simpática e dada, engraçou com o Tiago. Passados uns meses, casaram-se. Veio a ver-se que a moça era uma aguerrida feminista, razão pela qual, competia ao Tiago lavar a loiça e a roupa, limpar o pó e ir às compras.

Com o casamento, o Tiago acabou por andar sempre fitness, pois os afazeres domésticos constituíam uma fonte de exercícios físicos sem fim. Nunca mais teve tempo para desfrutar pausadamente de um chá com torradas, pois havia sempre coisas para fazer, contudo, vivia contente.

É certo que dormia pouco, pois a sua mulher gostava de andar na “brincadeira” pela noite fora. A ela não lhe fazia mal, uma vez que dormia até ao meio-dia, porém, ele andava exausto porque tinha de se levantar cedo para tratar das lides da casa.

Era também certo que Tiago comia pouco, isto para agradar à sua mulher que não apreciava homens gordos. Ainda assim, de vez em quando, a esposa até o levava a passear. Levava-o a manifestações e congressos contra a exploração das mulheres e a favor da igualdade de direitos. Era divertido e por isso o Tiago sentia-se um homem feliz.


Aqui chegados, cremos que a moral da história é clara, para afastar um rapaz da manosfera, só é necessário que uma moça tenha pena dele e lhe ofereça um chá com torradas quentinhas e aconchegantes e pronto, ‘tá feito.

Na verdade, o que se passa é que há muitos mancebos em sofrimento que adoram que alguém tenha pena deles, no entanto, a sua dor não é de uma intensidade tal, que não sare com um pouco de atenção, calor, zelo e carinho.

Em conclusão, aos rapazes que se deixam aliciar pela manosfera, é dar-lhes um chá quente e torradas barradas com manteiga e ficam logo curados.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Os professores vão fazer greve em 2023? Mas porquê? Pois se levam uma vida de bilionários e gozam à grande

  Aproxima-se a Fim de Ano e o subsequente Ano Novo. A esse propósito, lembrámo-nos que serão pouquíssimos, os que, como os professores, gozam do privilégio de festejarem mais do que uma vez num mesmo ano civil, o Fim de Ano e o subsequente Ano Novo. Com efeito, a larguíssima maioria da população, comemora o Fim de Ano exclusivamente a 31 de dezembro e o Ano Novo unicamente a 1 de janeiro. Contudo, a classe docente, goza também de um fim de ano algures no final do mês de julho, e de um Ano Novo para aí nos princípios de setembro.   Para os nossos leitores cuja agilidade mental eventualmente esteja toldada pelos tantos comes e bebes ingeridos na época natalícia, explicitamos que o fim do ano letivo é em julho e o início em setembro. É disso que aqui falamos, esclarecemos nós, para o caso dessa subtil alusão ter escapado a alguém.   Para além da classe docente, são poucos os que têm esta oportunidade, ou seja, a de ter múltiplas passagens de ano num só e mesmo ano...

Que bela vida a de professor

  Quem sendo professor já não ouviu a frase “Os professores estão sempre de férias”. É uma expressão recorrente e todos a dizem, seja o marido, o filho, a vizinha, o merceeiro ou a modista. Um professor inexperiente e em início de carreira, dar-se-á ao trabalho de explicar pacientemente aos seus interlocutores a diferença conceptual entre “férias” e “interrupção letiva”. Explicará que nas interrupções letivas há todo um outro trabalho, para além de dar aulas, que tem de ser feito: exames para vigiar e corrigir, elaborar relatórios, planear o ano seguinte, reuniões, avaliações e por aí afora. Se o professor for mais experiente, já sabe que toda e qualquer argumentação sobre este tema é inútil, pois que inevitavelmente o seu interlocutor tirará a seguinte conclusão : “Interrupção letiva?! Chamem-lhe o quiserem, são férias”. Não nos vamos agora dedicar a essa infrutífera polémica, o que queremos afirmar é o seguinte: os professores não necessitam de mais tempo desocupado, necessitam s...

Se a escola não mostrar imagens reais aos alunos, quem lhas mostrará?

  Que imagem é esta? O que nos diz? Num mundo em que incessantemente nos deparamos com milhares de imagens desnecessárias e irrelevantes, sejam as selfies da vizinha do segundo direito, sejam as da promoção do Black Friday de um espetacular berbequim, sejam as do Ronaldo a tirar uma pastilha elástica dos calções, o que podem ainda imagens como esta dizer-nos de relevante? Segundo a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, no pré-escolar a idade média dos docentes é de 54 anos, no 1.º ciclo de 49 anos, no 2.º ciclo de 52 anos e no 3.º ciclo e secundário situa-se nos 51 anos. Feitas as contas, é quase tudo gente da mesma criação, vinda ao mundo ali entre os finais da década de 60 e os princípios da de 70. Por assim ser, é tudo gente que viveu a juventude entre os anos 80 e os 90 e assistiu a uma revolução no mundo da música. Foi precisamente nessa época que surgiu a MTV, acrónimo de Music Television. Com o aparecimento da MTV, a música deixou de ser apenas ouvida e pa...

Chove na alma de Portugal - Capítulo III

Continuamos hoje esta nossa série de textos dedicados à alma portuguesa, sendo que nos dias que correm, só há uma certeza, a de que chove, e muito. A lusitana nação pode ser tudo ou não ser nada, mas o que é certo, é o que nos últimos tempos está constantemente toda encharcada. Não é comum vivermos desta forma, nesta espécie de contínuo dilúvio, mas ainda assim, é possível entrevermos a alma portuguesa, mesmo com tanta e tão intensa chuva. Para tal, nada melhor do que falarmos da poesia nacional. Vejamos para começarmos, este breve poema de Nuno Júdice (1949-2024): Chove como sempre. E, sempre que chove, as pessoas abrigam-se (as que não estavam à espera que chovesse); ou abrem, simplesmente, o chapéu-de-chuva - de preferência com fecho automático. Porque, quando chove, todos temos de fazer alguma coisa: até nós, que estamos dentro de casa. Vão, uns, até à janela, comentando: "Que Inverno!" sentam-se, outros, com um papel à frente: e escrevem um poema, como este. Diga-se de p...

A alma de Portugal cheira a peixe - Capítulo IV e final

  Para terminarmos esta nossa série de textos dedicados à alma de Portugal, vamos ser simultaneamente peixeiros, poéticos e populares. Todavia, não o seremos necessariamente por esta ordem, ou seja, iremos efabular acerca desta tríade de assuntos, peixes, poemas e uma música popular, mas sem estabelecermos qualquer hierarquia entre esses três temas. Poder-se-ia bem dizer que temos um triângulo de temáticas, ou seja, uma figura geométrica com três lados iguais e os respectivos vértices onde cada uma das linhas se encontra com as restantes. Significa isto, entre outras coisas, que hoje nos vamos concentrar na poesia nacional, no peixe fresco e numa canção popular, uma trindade que a nosso ver, reflecte plenamente a alma portuguesa. Comecemos por um dos vértices do dito triângulo temático, a saber, o que une peixe e poesia. Bem sabemos que nesta nossa amada pátria, há quem seja muito intelectual e que, por consequência disso, não goste de misturar poesia com peixe. Para a fina intelec...

American Friends

  Há muito quem por cá, e também pelo resto da Europa, sofra de um complexo de superioridade relativamente aos Estados Unidos da América. É certo que nos últimos tempos se têm verificado na grande nação norte-americana, alguns acontecimentos mais inusitados, contudo, e ainda assim, há poucas razões para alguém no chamado velho continente, se sentir superior às gentes dos bons USA.   São muitos os exemplos que se poderiam apresentar, de como os EUA´s são superiores à Europa em quase tudo o que fazem, todavia, nós escolhemos ao dia de hoje, centrar a nossa atenção em apenas um desses aspectos, a saber, na estreita e íntima relação existente entre universidades e arte.   Só para iniciarmos a conversa, veja-se a imagem abaixo do   Weisman Art Museum, pertencente à Universidade do Minnesota.                     O edifício do museu da Universidade do Minnesota foi...

A propósito de “rankings”, lembram-se dos ABBA? Estavam sempre no Top One.

Os ABBA eram suecos e hoje vamos falar-vos da Suécia. Apetecia-nos tanto falar de “rankings” e de como e para quê a comunicação social os inventou há uma boa dúzia de anos. Apetecia-nos tanto comentar comentadores cujos títulos dos seus comentários são “Ranking das escolas reflete o fracasso total no ensino público”. Apetecia-nos tanto, mas mesmo tanto, dizer o quão tendenciosos são e a quem servem tais comentários e o tão equivocados que estão quem os faz. Apetecia-nos tanto, tanto, mas no entanto, não. Os “rankings” são um jogo a que não queremos jogar. É um jogo cujo resultado já está decidido à partida, muito antes sequer da primeira jogada. Os dados estão viciados e sabemos bem o quanto não vale a pena dizer nada sobre esse assunto, uma vez que desde há muito, que está tudo dito: “Les jeux sont faits”.   Na época em que a Inglaterra era repetidamente derrotada pela Alemanha, numa entrevista, pediram ao antigo jogador inglês Gary Lineker que desse uma definição de futebol...

Avaliação de Desempenho Docente: serão os professores uns eternos adolescentes?

  Há já algum tempo que os professores são uma das classes profissionais que mais recorre aos serviços de psicólogos e psiquiatras. Parece que agora, os adolescentes lhes fazem companhia. Aparentemente, uns por umas razões, outros por outras completamente diferentes, tanto os professores como os adolescentes, são atualmente dos melhores e mais assíduos clientes de psicólogos e psiquiatras.   Se quiserem saber o que pensam os técnicos e especialistas sobre o que se passa com os adolescentes, abaixo deixamos-vos dois links, um do jornal Público e outro do Expresso. Ambos nos parecem ser um bom ponto de partida para aprofundar o conhecimento sobre esse tema.   Quem porventura quiser antes saber o que pensamos nós, que não somos técnicos nem especialistas, nem nada que vagamente se assemelhe, pode ignorar os links e continuar a ler-nos. Não irão certamente aprender nada que se aproveite, mas pronto, a escolha é vossa. https://www.publico.pt/2022/09/29/p3/noticia/est...

Aos professores, exige-se o impossível: que tomem conta do elevador

Independentemente de todas as outras razões, estamos em crer que muito do mal-estar que presentemente assola a classe docente tem origem numa falácia. Uma falácia é como se designa um conjunto de argumentos e raciocínios que parecem válidos, mas que não o são.   De há uns anos para cá, instalou-se neste país uma falácia que tarda em desfazer-se. Esse nefasto equivoco nasceu quando alguém falaciosamente quis que se confundisse a escola pública com um elevador, mais concretamente, com um “elevador social”.   Aos professores da escola pública exige-se-lhes que sejam ascensoristas, quando não é essa a sua vocação, nem a sua missão. Eventualmente, os docentes podem até conseguir que alguns alunos levantem voo e se elevem até às altas esferas do conhecimento, mas fazê-los voar é uma coisa, fazê-los subir de elevador é outra.   É muito natural, que sinta um grande mal-estar, quem foi chamado a ensinar a voar e constate agora que se lhe pede outra coisa, ou seja, que faça...

Luzes, câmara, ação!

  Aqui vos deixamos algumas atividades desenvolvidas com alunos de 2° ano no sentido de promover uma educação cinematográfica. Queremos que aprendam a ver imagens e não tão-somente as consumam. https://padlet.com/asofiacvieira/q8unvcd74lsmbaag