É com preocupação que temos constatado, que nos últimos largos anos, as raparigas obtém muito melhores notas de que os rapazes, em todos os níveis de ensino. Por consequência disto, e como conhecimento é poder, chegados ao fim da juventude e ao início da idade adulta, são muitos os rapazes que não possuem ferramentas cognitivas para lidar com as moças, que fazem deles o querem, sobretudo se forem atiradiças.
Sendo este blog pedagógico e didáctico, hoje vamos deixar-vos um guia prático e científico, mas também histórico, cultural e artístico, sobre como a rapaziada pode identificar raparigas atiradiças.
De facto, sendo os rapazes ligeiramente distraídos, correm o risco real de um momento para o outro já estarem de casamento marcado, com um cão e com um crédito à habitação aprovado, sem sequer terem percebido como tudo isso aconteceu.
É nossa intenção alertar a juventude masculina para tais perigos, e por isso aqui deixamos este guia prático, científico, histórico, cultural e artístico a propósito das raparigas atiradiças, para de algum modo corrigir um pouco o défice educativo e cognitivo de parte significativa da rapaziada.
O mais antigo método do mundo usado pelas raparigas atiradiças, continua a ser eficaz no século XXI, ou seja, tropeçar. Ela não tropeça porque o chão está irregular, ela tropeça sim porque as leis da gravidade a empurram misteriosamente na tua direcção. A queda é milimetricamente calculada para que tu a agarres mesmo antes dela se estatelar no solo e assim te tornes no seu salvador e herói.
Percorrendo a História da Arte, encontramos muitos estratagemas deste tipo, vamos didacticamente revelar-vos alguns, para que os nossos jovens leitores mais incautos, possam preparar-se para a eventualidade de serem vítimas de uma rapariga atiradiça.
Comecemos pela jovem em “O Baloiço” de Jean-Honoré Fragonard. Estamos no auge do estilo Rococó, sendo que esta pintura imortalizou o atrevimento aristocrático da moça e o possível início de um flirt clandestino.
A jovem protagonista balança-se nas alturas, enquanto atira estrategicamente o seu sapato pelos ares. O movimento permite que o seu eventual futuro amante, escondido por entre os arbustos, olhe por baixo das volumosas saias do seu vestido. Longe de parecer envergonhada, a moça exibe no rosto uma expressão de quem está bastante divertida.
À direita, um homem mais velho, frequentemente interpretado como sendo o marido da rapariga, empurra o baloiço, completamente alheio ao que se passa à sua frente.
Ao conheceres uma rapariga atiradiça ela vai rir-se com gosto de uma graça tua, mesmo que a piada tenha sido péssima. Dar-te-á um toque no ombro e depois vai ajustar-te a gola da camisa mesmo que esta esteja perfeitamente direita. No final da conversa, já te está a tirar uma foto para "ficar com uma recordação", mesmo que te tenha conhecido há precisamente quatro minutos.
Enquanto a maioria dos pintores da época retratava a heroína bíblica Judith como uma mulher frágil ou hesitante, a pintora barroca Artemisia Gentileschi redefiniu a personagem como tendo uma força física e psicológica avassaladora.
A Judeia estava sob um cerco devastador promovido pelo exército assírio liderado pelo temível general Holofernes. Judith, descrita como uma viúva rica, extremamente sábia e de grande beleza, revoltou-se contra a falta de coragem dos seus governantes. Assim sendo, Judith adornou-se com as suas melhores vestes, jóias e perfumes e dirigiu-se ao campo inimigo.
Impressionado pela beleza de Judith, Holofernes acolheu-a no seu acampamento. O general organizou um grande banquete a dois. No entanto, ele acabou por beber vinho em excesso e caiu num sono profundo. Aproveitando o momento de vulnerabilidade, Judith pegou na espada do próprio general e decapitou-o.
A Judith de Gentileschi não é uma sedutora passiva; ela aparece-nos com as mangas arregaçadas, sem o mínimo sinal de piedade, e segurando firmemente a cabeça do general inimigo enquanto o decapita. Esta determinação de Judith mostra-nos bem que as mulheres, e muito particularmente as atiradiças, estão muito longe de ser o "sexo frágil".
Enquanto os normais mortais piscam os olhos para lubrificar a córnea, a atiradiça usa o olhar como uma arma de destruição maciça. Mantém contacto visual durante uns exactos três segundos a mais do que o socialmente aceitável. Logo a seguir, morde o lábio inferior ou mexe no cabelo. Se ela olhar para a tua boca enquanto falas, ela não está a tentar ler os teus lábios porque é surda, está simplesmente a visualizar o futuro.
Antes de “Olímpia” os nus artísticos femininos justificavam-se sob o manto de as retratadas representarem deusas mitológicas, como por exemplo Vénus, e tinham olhares submissos e tímidos.
Manet chocou Paris ao pintar uma mulher real que olha fixamente e descaradamente para o espectador, numa clara atitude de controlo e confronto. Ela não é um objecto de desejo passivo, é quem dita as regras do jogo.
Uma coisa é certa, uma rapariga atiradiça vai de certeza tecer-te grandes elogios.
Ela não vai dizer apenas "és giro", vai ser cirúrgica. “Tens uns braços tão fortes”, “Esse teu perfume é incrível” ou “És tão inteligente” são as frases mais comuns. O objectivo é claro, fazer o teu ego crescer a um nível estratosférico, para que fiques sem defesas.
Se fores o alvo de uma rapariga atiradiça, mantém a calma, pois elas alimentam-se do teu nervosismo. Se porventura gostares dela, vai com cautela, se por acaso não gostares, começa a falar detalhadamente sobre a história da filosofia transcendental na Europa Central. Costuma funcionar.
Caso durante a escolaridade obrigatória tenhas andado distraído, pouco tenhas estudado e nada saibas da história da filosofia transcendental na Europa Central, não entres em pânico. O que na verdade importa é que fales de assuntos anti-românticos. Queixa-te de dores nas costas, fala detalhadamente sobre a tua coleção de cromos de futebol ou menciona-lhe os quantos problemas que tens com a tua mãe e como ela controla a tua vida. É garantido que o interesse da atiradiça vai evaporar-se rapidamente.
Uma outra forma de travar uma rapariga atiradiça é tratá-la como se ela fosse o amigo com quem vais jogar à bola ou o teu primo de 14 anos. A frase-chave é a seguinte: “És mesmo porreira pá! És como um amigo para mim, posso contar-te tudo”. Com tais palavras o ego dela bate na parede. Está cientificamente provado, que nenhuma rapariga atiradiça sobrevive ao ser-lhe atribuído o estatuto de “amigo”.
Uma obra de arte muito atrevida é “La Maja Desnuda” de Goya. É um dos nus mais ousados da pintura ocidental devido ao realismo do corpo, incluindo a inovadora presença de pelos púbicos.
Acima de tudo, o quadro mostra o sorriso auto-confiante e a postura orgulhosa da personagem. A obra foi tão ousada para a sua época, que foi confiscada pela Inquisição Espanhola por ser considerada obscena.
Aquela mulher deitada num divã, sem absolutamente nenhuma roupa, olha para nós com cara de quem diz “Sim estou nua, e então? Vais pagar o aquecimento ou vais ficar só a olhar?”
Aqui chegados, cremos que os nossos rapazes já perceberam a mensagem, e assim despedimo-nos até uma próxima oportunidade.





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