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Vamos às ilhas, que são lindas!


No nosso último texto, falámos sobre a longínqua região alentejana, só que, e na verdade, a distância não é assim tão grande, uma vez que da capital de Portugal para Évora, Beja ou Elvas, não se leva assim tanto tempo, vá lá, vá lá, são no máximo, umas duas horas, se tanto.

O ponto do nosso texto anterior, é que o Alentejo não é simplesmente um símbolo de tradição e ancestralidade, mas sim e também, um símbolo de modernidade e contemporaneidade.

Em qualquer dos casos, aqui fica o dito texto para quem eventualmente o queira ler:

Posto isto, vamos agora para as mais longínquas regiões de Portugal, a saber, a Madeira e os Açores. Não vamos lá à procura das suas nobres tradições, nem de poncha, nem de espetadas ou cozido das furnas, vamos sim em busca de lugares de arte contemporânea. Comecemos então pela Madeira.



O lugar retratado na imagem acima é a Casa das Mudas. O Centro das Artes-Casa das Mudas na Calheta foi inaugurado em 2004 e é um projecto do premiado arquitecto madeirense Paulo David.

Este vasto complexo arquitetónico foi internacionalmente galardoado com a medalha Alvar Aalto (2012) e igualmente nomeado para o prestigiado prémio Europeu de Arquitetura Contemporânea Mies Van Der Rohe (2005). Em síntese, não é coisa pouca.

O espaço era originalmente uma fortaleza, uma construção de 1614, mas foi repensado para ser um local de cariz museológico dedicado à arte contemporânea, que estivesse perfeitamente integrado na paisagem.


A cor da pedra e as vistas do Atlântico não deixam dúvidas a ninguém, é evidente que estamos na Madeira. No entanto, no seu interior o que se contempla são obras de artistas como Rui Chafes, José Pedro Croft, António Areal, Eduardo Batarda, Helena de Almeida ou Vieira da Silva.

Citemos o jornal Público, a propósito da importância da Casa das Mudas, por comparação com outros museus de Portugal: “O melhor museu de arte contemporânea portuguesa está na Madeira: “De Calhau a Suzanne Themlitz, de Pedro Calapez a Valdez Cardoso ou Blaufuks (…) a exposição apresenta uma selecção de artistas e obras contemporâneos como não encontramos hoje em mais nenhum lugar em Portugal. A colecção do Museu do Chiado permanece uma incógnita; o CAM abdicou de expor a sua colecção de arte contemporânea; Serralves está desde sempre vocacionado para as exposições temporárias; e o Museu Berardo é por enquanto um museu internacional. Resta, e bem, o Mudas, o primeiro passo de um novo tipo de turismo, mais culto e educado do que actualmente sucede, que todos os responsáveis querem para a Madeira.”

Em certo sentido, o melhor museu de arte contemporânea portuguesa está na ilha da Madeira. Nesse edifício, uma importância nítida é dada à visão, pois que ele abre-se em janelas sobre a paisagem, envolvendo-a na contemplação das obras de arte.

Na Casa das Mudas, há varandins e escadas, que fazem com que as peças de arte se misturem com o Atlântico, com o céu, com as escarpas, com os desfiladeiros e com o horizonte.


Deixemos a Madeira, e nomeadamente a Calheta, e vamos para os Açores, e mais concretamente para a Ribeira Grande. É nessa localidade açoriana, que se situa o Centro de Artes Contemporâneas, cujo nome é Arquipélago.

Antes era uma muito antiga fábrica de álcool e tabaco, depois foi reconvertida, sendo agora um lugar para a arte, para oficinas experimentais, para laboratórios e para estúdios-ateliers de artistas.


O Arquipélago, ou seja, o Centro de Artes Contemporâneas da Ribeira Grande no Açores, foi projetado por “Menos é Mais Arquitectos” em conjunto com João Mendes Ribeiro. Em 2016 recebeu o Prémio FAD de Arquitetura, que distingue os melhores edifícios da Península Ibérica, incluindo ilhas.

Na coleção de arte contemporânea de o Arquipélago não falta nenhum dos grandes artistas nacionais da atualidade, como por exemplo, Rui Chafes, que exposto na cave de um edifício erguido com pedra vulcânica ganha um novo mistério:


Outro tanto pode ser dito, acerca de Pedro Cabrita Reis, e da sua escultura “Eclipse”, que também faz parte da coleção do Arquipélago.


E pronto, com isto terminamos, esta nossa deambulação atlântica.

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